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14/11/17
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Ao defender funcionários, jogadores do Santa Cruz resgatam DNA do clube

14 / nov
Publicado por Wladmir Paulino em Notícias às 10:09

Por Wladmir Paulino
@wladmir_paulino

Dentro de campo os jogadores do Santa Cruz podem não ter conseguido honrar a tradição de um dos grandes expoentes do futebol nordestino na Série B. Mas fora dele foram gigantes porque, provavelmente sem o saber, resgataram aquilo que o clube tem de mais bonito em sua história: a empatia pelos menos favorecidos. Que ninguém se engane. A pressão dos atletas chegando ao ponto de notificar uma possibilidade de greve tem muito mais a ver com a ala menos favorecida da comissão técnica e funcionários do que com eles mesmos.

Claro, quatro meses – que na semana passada se transformaram em três -, pesam no bolso de qualquer um. Mas dentro da comissão há uma hierarquia, como em qualquer clube, que coloca a galera que fica no apoio no mesmo patamar dos outros funcionários do administrativo: é o massagista, o enfermeiro, o roupeiro… Para esses, 15 dias já pesam, imaginem cinco, seis… meses.

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São eles que arrumam o material, o deixam limpo e dobrado apenas esperando seus usuários. Os jogadores do Santa Cruz se colocaram no lugar deles, até porque muitos vieram de condições socioeconomicas semelhantes. Entenderam que, para que eles empurrem a bola para as redes dos adversários um monte de gente sem nome para o torcedor precisa estar lá dando duro, inclusive chegando mais cedo que eles mesmos.

Assim como os meninos que jogavam bola no pátio da Igreja de Santa Cruz há 103 anos. Ao fundarem a agremiação abriram as portas para quem não tinha chance no Náutico nem no Sport: quem não tinha dinheiro para pagar mensalidade, quem não podia jogar porque tinha a cor da pele diferente. Lacraia, negro, membro fundador e idealizado do escudo coral que o diga.

Os jogadores lembraram a legião de torcedores que invadem a sede social quando o time é campeão ou sobe de divisão e, juntos, comemoram com um banho de piscina, em que até cachorro já apareceu. Como um batismo renovador dos votos de ser o clube que acolheu quem tinha menos, quem não tinha vez. E que agora se renova com uma atitude que contraria e serve de exemplo ao egoísta mundo do futebol.



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