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Um artista incansável

Publicado por em Notas às 21h32

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“Alegria é uma emoção, é uma sensação que me toma conta de manhã até de noite. Eu não tenho mais a mesma caminhada, a mesma desenvoltura que eu tinha antes, mas eu tenho uma resistência fora do comum porque eu não sou um velho qualquer, eu estou com  90 anos e trabalho como um gigante”
Abelardo da Hora

Já passavam das 10 horas da manhã quando chegamos a um sobrado na Rua do Sossego, nem tão sossegada assim, para entrevistar o artista plástico Abelardo da Hora. Já da calçada dava para ouvir a música que tocava lá dentro. Era frevo. Bloco da Saudade. E lá vinha ele do fundo do corredor. Camisa de linho bege, bem engomada, como faz questão, e boné da mesma cor. Sentou-se no sofá, abriu um sorriso e soltou um “podemos começar”.

Conversamos durante uma hora e meia, um papo delicioso em que Abelardo narrou da origem de tudo até o que é hoje. Mostrou com orgulho algumas das suas obras abrigadas por lá. Nesta quinta-feira, dia em que este artista reconhecido internacionalmente como um dos maiores escultores brasileiros de todos os tempos e mestre de grandes nomes das nossas artes plásticas como Francisco Brennand, Gilvan Samico e José Cláudio, completa 90 anos, o Social1 fala da sua vida e da sua arte. A todos, uma deliciosa leitura.

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Fotos: Dayvison Nunes/JC Imagem

Escultor, desenhista, gravador, gravurista e ceramista, Abelardo Germano da Hora é um dos raros expressionistas das artes plásticas brasileiras. Nasceu em São Lourenço da Mata, no Grande Recife. Veio para a Capital aos seis anos com oito irmãos para que o pai assumisse o cargo de chefe de tráfego na Usina São João da Várzea, de Ricardo Lacerda de Almeida Brennand. Ele era um menino, ainda sem saber direito que rumo tomar na vida, quando as artes plásticas entraram, assim, meio sem querer, na sua vida.

O pequeno Abelardo sonhava em ser mecânico. Tudo culpa do Zepellin, que viu sobrevoar sua casa, na Iputinga, em 1930, aos seis anos, fato que lhe rendeu uma fratura na clavícula quando o menino peralta tentou, no telhado, alcançar aquele enorme objeto voador. Na Escola Técnica em que todos os irmãos ingressariam, não havia vagas para o ofício que desejava seguir. Resolveu então acompanhar o irmão Luciano, mais novo um ano e que queria ser escultor, matriculando-se em artes decorativas.

Não demorou nadinha para que o talento de Abelardo fosse revelado. Logo no primeiro ano do curso foi descoberto pelo professor Álvaro Amorim enquanto fazia uma estatueta de dois repentistas. O mestre, impressionado com sua desenvoltura, imediatamente lhe concedeu uma bolsa para a Escola de Belas Artes. Aos 16 anos, já estava desenhando com modelo vivo, apesar da pouca idade. No último ano da Escola foi eleito presidente do Diretório Acadêmico de Belas Artes, quando implementou excursões para que os alunos desenhassem e pintassem o mundo lá fora.

ARTE COMO PROFISSÃO
Foi à beira de um açude da Usina São João da Várzea que surgiu o primeiro convite para que Abelardo da Hora trabalhasse profissionalmente. Ricardo Brennand foi o primeiro e grande incentivador da sua arte. Montou oficina e olaria, chamou o jovem artista para morar lá e fazer cerâmica artística. Era janeiro de 1942.  Lá, conheceu Francisco Brennand, filho do seu chefe, que se preparava para prestar vestibular para Direito. O amigo passava as manhãs observando o trabalho daquele jovem escultor. Bastou para que, seis meses depois, o herdeiro dos Brennand resolvesse seguir também pelos caminhos das artes plásticas.

Foram quatro anos naquela Usina. Saiu por causa de uma “saliência” sua com uma das filhas do seu patrão, a jovem Conchita. Abelardo da Hora fez uma escultura chamada A Torre dos Meus Sonhos que em nada agradou o velho Ricardo. “Era a figura de uma mulher com a cara dela, dois cupidos brincando com sua cabeleira e um freguês agarrado nas pernas dela com a minha cara. Assumi para seu Ricardo que tinha avançado o sinal e fui embora”, contou.

Detalhe: No meio da nossa entrevista, Conchita, amiga de Abelardo até hoje, chegou ao sobrado na Rua do Sossego. Foi buscar o vidro de perfume do artista para comprar um igual e dar-lhe de presente.

 O INGRESSO NA POLÍTICA
Em janeiro de 46 Abelardo da Hora foi para o Rio de Janeiro trabalhar numa fabrica de manequins como modelador. Nesse período, fez um trabalho para concorrer ao Salão Nacional de Belas Artes. “Eu tava numa saudade danada do Recife e dos meus parentes, então fiz uma escultura chamada A Família”. Por determinação do Presidente da República, o militar Eurico Gaspar Dutra, o concurso não aconteceu. “A política começou a entrar na minha cabeça por isso. Voltei para o Recife disposto a lutar contra esse tipo de brutalidade, entrei no Partido Comunista, fundei a Sociedade de Arte Moderna e a Associação Brasileira de Escritores – Secção de Pernambuco”, contou. Nasceu ali, também, a revolta daquele artista pelas inúmeras desigualdades existentes no Brasil.

Em 49 assumiu a presidêndia da Sociedade e resolveu fundar uma escola de iniciação às artes para dar aulas de graça. No período, o Abelardo formador de outros artistas, influenciou nomes como Gilvan Samico, José Cláudio e Aloísio Magalhães. ”Eu ensinei de graça durante dez anos uma geração de grandes artistas conhecidos no País todo. Pra mim, Samico é o maior gravador não só do Brasil, mas da América do Sul toda. Começou comigo, ele não sabia desenhar nada. Aliás, todos eles. E eu ensinei a eles com carinho, como se fossem meus filhos”, falou emocionado.

Já em 58, durante a prefeitura de Miguel Arraes, juntamente com nomes como Paulo Freire, Germano Coelho, Anita Paes Barreto, Geraldo Menuchi e Luiz Mendonça, ele criou o Movimento de Cultura Popular – MCP: ação política, cultural e educacional que tinha como intenção inserir o povo na sociedade. No auge do MCP, em 62 , Abelardo criou um de seus trabalhos mais pungentes: a série de 22 desenhos de bico-de-pena “Meninos do Recife”, que foi lançada em álbum como nota de apresentação de Miguel Arraes. Um desses desenhos ilustra a edição francesa do livro “Geografia da Fome”, a pedido de seu autor, o médico e professor Josué de Castro (1908-1973). Os desenhos mostram a miséria das crianças de rua, com seus pés descalços na lama, pernas e braços finos, barrigas inchadas, rostos angulosos e magros e vestimentas de molambo. Nos olhares, tristeza e desespero. Poeta bissexto, Abelardo assim definiu em versos sua coleção:

Outro feito importante foi a criação do projeto de lei que obriga prédios no Recife, que tenham mais de 1500m², a terem obras de arte na sua decoração. O projeto foi levado à Câmara Municipal ainda na década de 1960, e foi aceito por unanimidade. Dessa forma, “O Recife se transformou em uma galeria de arte a céu aberto”, como classifica o próprio autor da lei.

 INDIGNAÇÃO COM A MISÉRIA
Olhar de menino e um eterno sorriso moleque. Nos seus noventa anos de vida Abelardo da Hora aprendeu que a vida é uma dádiva e, ao mesmo tempo, cruel, injusta. O homem, cidadão do mundo, sempre esteve inconformado com as injustiças sociais que assolam a humanidade. Nunca aceitou a miséria e levou seu inconformismo a inúmeras de suas esculturas. Foi em 1946 que criou uma dos seus trabalhos mais emblemáticos: A Fome e o Brado, na qual mãe e filhos agonizam na miséria enquanto uma mão erguida representa  o desejo de mudança.

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1. A Fome e o Brado 2. Crianças Abandonadas

1. Agreste 2. Flagelo

FAMÍLIA

Abelardo da Hora junto ao busto da sua mulher, Margarida

Abelardo da Hora junto ao busto da sua mulher, Margarida Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

A primeira exposição de Abelardo da Hora aconteceu em 1948, na sede da Associação dos Empregados do Comércio, na Rua da Imperatriz. Foi onde conheceu a mulher, Margarida, durante a visita de uma turma de concluintes do curso de Direito da UFPE. ” No meio da turma tinha uma moça magrinha que começou a perguntar coisa demais. Aí eu chamei para ver uma peça que eu estava acabado de fazer na minha casa, na rua dos Coelhos.

Foto: Roberta Guimarães

Abelardo da Hora e Margarida Foto: Roberta Guimarães

Nessa época eu era quase noivo de um violoncelo, uma morena linda. Quando meus pais viram Margarida disseram logo que era com ela que eu tinha que me casar. Em abril começamos a namorar, em 21 de outubro casamos”, contou. Abelardo e Margarida passaram  62 anos casados, tiveram 7 filhos, sendo 5 moças e 2 rapazes. O artista ficou viúvo há quatro anos.

BOEMIA

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“Passava a noite inteira no restaurante A cabana, ali no Treze de Maio, lugar que aglutinava toda a classe artística do Recife. Muitas vezes eu já estava deitado e chegavam a minha porta Aluísio Magalhães e o poeta Carlos Pena Filho, pra me levar para a boemia. às vezes a farra começava no Bar Savoy, depois íamos para lá onde estavam também atores como Lúcio Mauro, Arlete Sales e Hermilo Borba Filho”, relembra.

Nessas épocas teve inúmeros namoricos. Grande admirador das mulheres, elas e suas formas também são personagens fortes em sua obra. Moças de seios fartos e nádegas volumosas estão espalhadas em vários pontos do Recife, como o Shopping Recife. “Minha mãe dizia que eu fazia esses seios tão grandes porque quando era pequeno gostava muito de mamar. E, sabe, minha santa, até hoje eu gosto”, falou soltando depois aquela gargalhada.

Paulo Brusck no New York Times

Publicado por em Notas às 17h49

Paulo Bruscky foi parar no The New York Times. No último dia 11, o jornal americano publicou uma crítica sobre a exposição retrospectiva, Paulo Bruscky: Art is our last hope, do artista plástico pernambucano, em cartaz no Bronx Museum, desde setembro do ano passado. Além desse destaque internacional, outra novidade vinda do exterior é que o Centro Georges Pompidou encerrou as negociações para a compra de obras da série Arte, para que serve?,  que vão compor o acervo do centro cultural, em Paris. Paulo Bruscky compõe o casting da galeria Amparo 60 e também se prepara para participar da III Bienal da Bahia, que acontece entre maio e setembro deste ano.

Paulo Bruscky foi destaque no The New York Times

Paulo Bruscky foi destaque no The New York Times

O terceiro reduto de João Câmara

Publicado por em CASA, Notas às 08h25
NÚMERO 420 Casa de João Câmara chama atenção na Rua das Pernambucanas (Fotos: Felipe Ribeiro/JC Imagem)

NÚMERO 420 Casa de João Câmara chama atenção na Rua das Pernambucanas (Fotos: Felipe Ribeiro/JC Imagem)

Ninguém imagina como um casarão daqueles pode ficar fechado e, ainda assim, ser tão cheio de vida, observado por quem chega ao fim da Rua das Pernambucanas, no bairro das Graças. João Câmara só vai lá quando realmente precisa. Vai levar um novo quadro ou conceder entrevista para algum pesquisador ou jornalista, como foi o caso do Social1. No restante dos dias, suas obras dão um ar diferente ao local, cuidadas por Beth Marinho, assistente do espaço. Grandes quadros fixados nas paredes do antigo casarão, talvez nem identificados, despertam a curiosidade de quem passa do lado de fora. A gente entrou na reserva técnica do artista plástico paraibano radicado em Pernambuco e mostra um pouco do terceiro reduto de João Câmara nas fotos e linhas a seguir.

ARTISTA João Câmara só vai ao endereço nas Graças quando precisa

ARTISTA João Câmara só vai ao endereço nas Graças quando precisa

Faz em média sete anos que João Câmara resolveu levar parte de sua obra para a casa de número 420 na Rua das Pernambucanas, nas Graças. O ateliê em Olinda, em frente à casa onde mora com a esposa, na Rua São Francisco, ficou pequeno para tantos quadros e histórias. Mas, o endereço mais recente foi escolhido por João, principalmente, para receber pessoas de fora, seja visita de colégios, pesquisadores, jornalistas; tudo feito por agendamento. Discreto, o artista supervaloriza sua intimidade e não gosta de se sentir invadido no lugar onde vive e trabalha. Antes da casa na Rua das Pernambucanas, ele afirma que não recebia ninguém.

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RESERVA TÉCNICA Espaço guarda as obras de João Câmara

Apesar da negativa do artista, que assegura que artes plásticas não é um segmento de glamour, como muitos pensam, é difícil não considerar a poesia presente nos cômodos do casarão, que funciona como reserva técnica. Grandes quadros, grandes figuras humanas pregadas na parede levam os visitantes à reflexão, à entrada em um outro universo. “Gosto de pintar figuras humanas, não a natureza morta só. E trabalho na grande área. O craque atua em pequenas áreas. Eu sou o clínico geral, passo por todos os lugares”, diz ele.

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João Câmara afirma que seu trabalho é 80% físico e 20% espiritual. Considera a inspiração, em 90%, e o artesanal, que é quando surge a necessidade pelo objeto em execução. Aos 70 anos, o artista pinta todos os dias. Começa de manhã cedo e retorna após a pausa para o almoço e descanso, encerrando as atividades por volta das 18h. “O que eu sei fazer é pintar”, declara ele, que além de Belas Artes, estudou Psicologia. Se o último bacharelado influenciou em sua pintura? João garante que não.

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Protagonista de incontáveis exposições individuais no Brasil e no exterior, assunto de livros, contribuinte de revistas e livros, João Câmara está escrevendo um livro sobre gravuras, com litogravuras que fez por 15 anos. O lançamento está previsto para o ano que vem. Além dese, outro projeto na vida do artista é se desfazer da piscina que fica na área externa do casarão. O pintor quer mais espaço para mostrar seus quadros.

MUDANÇAS O artista vai se desfazer da piscina para dar mais espaço a suas obras

MUDANÇAS O artista vai se desfazer da piscina para dar mais espaço a suas obras

A casa e a arte de Manoel Quitério

Publicado por em CASA às 08h17

O mais jovem da nossa série, aos 27 anos, Manoel Quitério é artista plástico por necessidade. Não pela necessidade de vender e lucrar com seus quadros. Mas, pela necessidade de colocar para fora todas aquelas figuras e imagens embriagadoras, muitas vezes, ou melhor, quase nunca compreensíveis em suas telas. A pintura é para Manoel Quitério como a literatura para muitos escritores. Uma forma de catarse, de libertação e purificação da alma.

CASA Aps 27 anos, Manoel Quitério é o mais jovem artista da nossa série (Fotos: Felipe Souto Maior/JC Imagem)

CASA Aos 27 anos, Manoel Quitério é o mais jovem artista da nossa série (Fotos: Felipe Souto Maior/JC Imagem)

É tanto que ele resolveu se mudar do antigo endereço na Boa Vista para Olinda, onde pode, como já comprovou, pintar sem desprender muita energia. Com os quadros em seu quarto, sem precisar se deslocar, pegar trânsito, nem pensar no que vai comer, Manoel acorda e põe direto na tela a ideia e a inspiração que lhe tiraram o sono. Pinta como se fosse por impulso, de dentro para fora.

SURREAL A pintura de artista é muito mais do inconsciente

SURREAL A pintura do artista é muito mais do inconsciente. Às vezes ele pinta e só vai entender o significado anos depois

O pernambucano começou cedo na carreira e, na contramão da maioria, já ganhava dinheiro com os primeiros trabalhos. Aos 5 anos, Manoel Quitério vendia desenhos de Cavaleiros do Zodíaco para os amigos da escola por R$ 0,50. Os amigos do pai também lhe rendiam um bom lucro com o comércio de pinturas de praia e outras paisagens. A pressão familiar e das garotas que insistiam para que ele as desenhasse deixou o artista em crise, sem exercitar seu talento por cerca de dez anos. “Quanto tinha uns 12, 13 anos disse que nunca mais ia desenhar na minha vida!”, lembra Manoel. Foi então que resolveu ser músico e estudar publicidade. No meio da faculdade, no entanto, a ânsia por colocar o talento para fora voltou a falar mais alto. Em meio aos trabalhos de diretor de arte em uma agência de publicidade, Manoel retomou a pintura e não parou mais. Vomitou tudo para fora!

CRISE Manoel Quitério ficou sem pintar dos 12 aos 20 anos, mas retomou a carreira de de forma profissional

CRISE Manoel Quitério ficou sem pintar dos 12 aos 20 anos, mas retomou a carreira de de forma profissional

Desde então já se passaram 10 anos e a certeza de que nasceu para isso só aumenta. “Po, é uma coisa que é minha, não é nada que eu forjei ou que inventei juntando o estilo de A, B ou C. Foi uma coisa que saiu normal”, refletiu, afirmando que se reconheceu artista quando amigos e pessoas próximas começaram a considerar e admirar seu trabalho de forma profissional.

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Mas, apesar de ser algo tão orgânico seu, Manoel Quitério assume que se inspira em determinadas figuras para compor seu estilo artístico. “Tenho influências não diretas, não de querer ser como aquela pessoa. Mas, uma influência ideológica, mais espiritual, com Miró, Van Gogh, Dali. Pela motivação de viver aquilo. Parar de depender do mercado, da venda. É uma coisa sua, que você precisa colocar para fora, fazer”, definiu. Daí o forte traço surrealista em seus quadros e outras obras.

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O estilo peculiar, contudo, não impediu o jovem artista de fixar residência da cidade de outros consagrados e clássicos da arte. “Olinda oferece condições de trabalho para um artista tão moderno como você?”, o Social1 perguntou. “Olinda oferece condições de trabalho pelo o que a cidade é. É uma cidade que inspira muito. Eu sentia necessidade de ficar isolado, de passar três dias sem falar com ninguém. Aqui eu posso. Sem contar que é um lugar histórico, há muitos outros pintores, você acaba bebendo disso”, respondeu.

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Ele mesmo decorou a casa onde mora. Cheia de objetos lúdicos, a parte interna é obstinadamente trocada pelo quintal, onde Manoel, inclusive, dorme de vez em quando. Boêmio, o artista considera a manhã o melhor horário para trabalhar, porém nem sempre consegue acordar cedo e começa a pintar. Sorte que está trabalhando mais externo ultimamente e a luz natural de outras horas ajuda.

BRINQUEDOS Objetos lúdicos são maior parte da decoração da casa de Manoel Quitério

BRINQUEDOS Objetos lúdicos são maior parte da decoração da casa de Manoel Quitério

Manoel Quitério só fez uma exposição individual até então. Intitulada Paralisia do Sono, a mostra foi meio confessional. “Achei meu estilo e explorei até saturar. Ele começou de um jeito, inclui elementos, aumentei cor, traço. Como no sono, você está sonhando e começa a sobrepor realidade com sonho, e tem aquela quebra e você não sabe se tá acordado ou o que realidade e o que não é, o que é sua cabeça e o lado de fora”, viaja. Foram 12 telas, litogravuras, casinhas e outros objetos.

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Agora o artista plástico se prepara para em outubro participar do Pixel Show, um evento de street art em São Paulo, ao lado de Maurício de Souza e outros representantes consagrados no exterior. Por lá, Manoel Quitério vai expor algumas obras e fazer intervenções ao vivo.

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Entre idas e vindas na adolescência, de dez anos para cá, a carreira de Manoel Quitério começou a decolar e não pretende parar. O que ele mais ganhou com o trabalho? Simples, responde: “Rapaz, eu tô vivo”, resumindo e reafirmando que pintura para ele é mesmo uma questão de sobrevivência.

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A casa e o ateliê de Roberto Lúcio

Publicado por em CASA às 08h10
SENSAÇÃO Roberto Lúcio descobriu o universo da pintura pelo olfato (Fotos: Felipe Souto Maior/Divulgação)

SENSAÇÃO Não pelos olhos. Roberto Lúcio descobriu o universo da pintura pelo olfato (Fotos: Felipe Souto Maior/JC Imagem)

Se não fosse a terebentina … Foi um cheiro que fez Roberto Lúcio se interessar pela pintura e as artes plásticas. Paraibano, ele veio estudar Arquitetura no Recife. Mas, ainda no cursinho preparatório para o vestibular, se deparou com um ateliê infestado de terebentina (solvente de tinta óleo) e o odor invadiu não só seu olfato, como a mente e o coração. Foi o danado do solvente que fez Roberto Lúcio se descobrir pintor.  ”É até estranho, porque o sentido do olfato geralmente leva a pessoa para a gastronomia, que nem existia nesse tempo. Mas o cheiro me atraiu para a pintura”, comentou. Um agradável estranhamento, eu diria.

ARTISTA PLÁSTICO Roberto Lúcio considerou estudar arquitetura, mas se encontrou no mundo das artes plásticas

ARTISTA PLÁSTICO Roberto Lúcio considerou estudar arquitetura, mas se encontrou no mundo das artes plásticas

Isso foi em meados de 1964,  época do Golpe Militar no Brasil. Roberto desistiu de prestar vestibular para Arquitetura e foi estudar Belas Artes na UFPE. “Na escola, já comecei a pintar, meu mundo era aquele mesmo e eu fiquei por ali”, disse.

Já encontrado no universo artístico, Roberto Lúcio morou alguns anos no Recife e em outros lugares de Olinda, antes de se mudar para o atual endereço, na Rua do Amparo, onde vive sozinho. Segundo ele, havia um movimento muito interessante de artistas que fixavam residência na cidade alta. No local, existiam grandes espaços físicos para montar ateliê por um custo atraente. Ele foi um dos que abraçaram a ideia.

OLINDA Roberto Lúcio foi um dos artistas que migraram para instalar seus ateliês na cidade alta

OLINDA Roberto Lúcio foi um dos artistas que migraram para instalar seus ateliês na cidade alta

A princípio, sua casa funcionava só como ateliê. Depois de um tempo, ele resolveu morar lá também. E assegura: “eu adoro a minha casa. Tem tudo o que eu quero, tudo o que me dá prazer está aqui. Tem a música que eu quero, tem uma paisagem maravilhosa, tem a comida que eu quero.” E Roberto gosta de aproveitar qualquer tempo livre no local. É um homem instintivo. Costuma dormir tarde pintando, ou lendo, ou escutando música, sempre se ocupando. “Sempre tem coisa para fazer, não é? Mas não tenho uma rotina rígida. Acordo na hora que passa o sono, levanto e vou trabalhar”, resume.

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PAISAGEM A vista da casa em Olinda , revelando Recife lá atrás

PAISAGEM A vista da casa em Olinda, revelando Recife lá atrás

Apesar de apaixonado pelo local onde vive, Roberto Lúcio pode ser considerado um cidadão do mundo.  ”Eu faria meu trabalho em qualquer parte do mundo”, assegura. O artista já passou temporadas significativas na Alemanha e nos Estados Unidos, onde montou exposições e fez seu nome. A propósito, o período que passou na Europa e na América do Norte foram de grande valia para seu estabelecimento como pintor profissional. Quando perguntado sobre o momento em que teve certeza que era um artista plástico, ele aponta a experiência internacional como a grande reveladora. “Essa é uma pergunta muito complicada. Eu nunca tinha pensando nisso. Eu sempre tive vontade de trabalhar com criação, exercitar esse lado inventivo. Mas, ser artista é um fato que você tem sempre que estar retomando. O trabalho tem sempre que vir na frente do artista. O artista é consequência. Eu acho que o trabalho é a coisa mais importante, é fundamental. Quando meu trabalho passou a ter uma aceitação no lugar em que ninguém me conhecia, eu percebi que era algo interessante, foi quando me tornei artista”, contou.

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Roberto Lúcio gosta de trabalhar com arte urbana, em torno de séries. Ele elege um tema e vai trabalhando em cima dele. Há muitos anos, na época do Governo de Miguel Arraes, o artista montou uma série chamada Tapumes, onde fotografou os tapumes espalhados pelo Recife,  em meio a reformas.  As mudanças dos objetos lhe chamavam atenção. “Sempre que passava eles iam se transformando. Um dia estava com cartazes, depois com tinta. Essa mistura me interessou”, lembrou.

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Pai de dois filhos, Marina e Mateus, e avô de dois netos, o artista de 71 anos já deu aula, assessorou fábrica de tecidos, trabalhou com programação visual e arte gráfica. Ele acredita que sua pintura é a mistura de um monte de experiências que teve ao longo da vida e continua tendo. É um aglomerado de tudo. Roberto também aprecia o universo da fotografia, mas afirma que não tem conhecimento técnico sobre o assunto. “Não trabalho a fotografia, uso como um pintor usaria uma tela. Eu faço fotografia que me satisfaça plasticamente”, considera.

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FOTOGRAFIA O artista não usa técnicas, apenas a plasticidade da técnica

Acima de qualquer coisa, Roberto Lúcio é um artista e um homem de seu tempo ou de qualquer tempo. Ele é ligado e acompanha as mudanças do mundo. Atento aos avanços tecnológicos, o artista acredita que a arte também está passando por transformações. Ele diz que a arte é atrelada ao pensamento do homem e por isso tem que acompanhá-lo.  ”Tem gente que continua pintando as mesmas figurinhas, as mesmas coisas, contando uma história. A arte não é mais para isso. Com a velocidade e os aparelhos tecnológicos de reprodução, a arte também tem que evoluir”, pondera.

FOTOGRAFIA O artista não usa técnicas, apenas a plasticidade da atividade

A opinião tão incisiva tem precedentes e onde se justificar. Roberto Lúcio fez mais exposições fora do que dentro do Brasil e pensa um pouco com a cabeça de quem já experienciou o universo artístico ao redor do mundo. “Me deram mais oportunidade e condições de fazer. Fiz poucas exposições no Recife, nenhuma muito grande. Eu acho o mercado do Recife muito amador. Mas isso é outra história …”, comenta.

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Por falar em participação em salões internacionais, Roberto Lúcio é um dos artistas que integra o acervo da exposição que aporta no Brasil ano que vem em comemoração ao Ano da Alemanha no Brasil. Um colecionador alemão, amigo seu, trará valiosas obras para ocupar centros culturais do Rio de Janeiro, Brasília e Recife. Duas pinturas sobre telas do paraibano radicado em Pernambuco estarão à mostra no Centro Cultural dos Correis ao lado de trabalhos de outros artistas internacionais. Veja mais fotos da visita à casa do artista na nossa galeria de imagens.

O fundamento de Raúl Córdula

Publicado por em CASA às 08h10
CASA Raúl Córdula nasceu na Paraíba, mas adotou Pernambuco, mais precisamente Olinda, como sua casa (Fotos: Felipe Souto Maior/JC Imagem)

ARTISTA PLÁSTICO Raúl Córdula nasceu na Paraíba, mas adotou Pernambuco, mais precisamente Olinda, como sua casa (Fotos: Felipe Souto Maior/JC Imagem)

Natural de Campina Grande, Paraíba, o artista plástico Raul Córdula rodou o Brasil antes de chegar a Pernambuco, mas desde então, não consegue mais ir embora. Versátil na arte e na vida, ele passou por São Paulo, Rio de Janeiro, voltou para João Pessoa e depois de uma visita à trabalho ao estado, o escolheu para fixar residência e trabalhar sua arte. Foi em Olinda, no ano de 1976, que Raul se aquietou. Isso com certa ressalva, vale ressaltar. Coordenador do Curso de Arte Contemporânea da Universidade Federal da Paraíba, ele viajava para a cidade natal toda semana e afirma: “a gente deixa a Paraíba, mas a Paraíba não deixa a gente. Não tem como se livrar da Paraíba”. Muitas obras do pintor bebem na fonte de sua origem.

RAÍZES A Paraíba, estado onde nasceu, inspira obras de Raúl, principalmente de cunho políticos

RAÍZES A Paraíba, estado onde nasceu, inspira obras de Raúl, principalmente de cunho político

A Cidade Alta, no entanto, também tem grande significado na vida do artista. Prova disso é seu último livro, Utopia do Olhar, lançado sexta-feira (26), que reúne textos escritos por ele desde 1976, revelando memórias de amigos do meio, veteranos ou contemporâneos, que viveram e fizeram sua arte em Olinda. Nomes como Adão Pinheiro, Antenor Vieira de Mello, Bajado, Guita Charifker, Janete Costa, João Câmara, José Barbosa, José Tavares, Liliane Dardot, Maria Carmem, Paulinho do Amparo, Samico, Tereza Costa Rêgo, Tiago Amorim, Ypiranga Filho integram o elenco de citados na obra.

LIVRO Raúl mostrou em primeira mão para o Social1 o livro pronto em arquivo digital

LIVRO Raúl mostrou em primeira mão para o Social1 o livro pronto em arquivo digital

Homem culto, organizado, de boa oratória e ótima memória, Raul Córdula se estabeleceu por aqui numa época em que Olinda se firmava de vez como um centro de cultura e artistas no Nordeste brasileiro. O pintor vive na atual casa no Varadouro desde 1983 (antes morava perto do Alto da Sé) com a mulher Amélia Couto, com quem divide o teto e muitos projetos profissionais. Mas sua história com o mundo de casario seculares e paralelepípedos data de muito antes, do fim da década de 50, quando ainda adolescente, viajava a Olinda para festas e rodas de ciranda na beira do mar. “Eu saía de João Pessoa, de ônibus e descia no Varadouro”, relembra. Hoje, mais do que um ponto de encontro com amigos, Olinda é seu fundamento.

COMPANHEIRA Raúl brinca com obra feita pela mulher Amelinha Couto

COMPANHEIRA Raúl brinca com obra feita pela mulher Amelinha Couto

Ano passado, o paraibano comemorou 50 anos de carreira com a exposição Raul Córdula: 50 anos de arte – uma antologia, na Galeria Janete Costa, no Parque Dona Lindu. Em seu acervo de pinturas, desenhos, grafismos e colagens, Paraíba e Pernambuco aparecem de igual para igual. Outras épocas e inspirações da vida do artista também se fazem presentes em suas obras. Afinal, foi no Rio de Janeiro, quando tinha 9 para 10 anos, que Raul se descobriu pintor. “Eu fui visitar o Museu de Belas Artes com meu pai e vi um quadro de Pedro Américo, Batalha do Hawaii. Fiquei impressionado. Foi ali que eu comecei a pintar, a me colocar dentro desse universo, na verdade”, conta. Sua formação em Design também caracteriza alguns trabalhos. Além de tudo, o apreço pela literatura e academia acabam mexendo com o imaginário do artista e suas criações. Não se pode resumir o trabalho de Raul em um só estilo ou época, ele, de fato, tem várias fases, como gosta de se definir.

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OBRAS Versátil, Raúl Córdula se enveredou pela pintura, desenho, colagem e grafismo

“Eu tenho uma questão de identidade. Quer dizer, eu não, qualquer pessoa que tenha o nome do pai tem. É muito ruim. Meu pai é quem é Raul Córdula. Eu sou Raul Córdula Filho. Intimamente você sente muito isso. As vezes eu me pego fazendo coisas que eu nem fazia. Quando eu sou chamado de Professor Raúl Córdula é muito ruim para mim porque era o nome dele”, reflete ele sobre quem é e o que ainda não descobriu de si. Uma aula de imaginação, obviedade, talento e trabalho para quem ouve.

FOTOGRAFIA O artista registrou o momento em que um carro pegava fogo em João Pessoa e guarda a obra com carinho

FOTOGRAFIA O artista registrou o momento em que um carro pegava fogo em João Pessoa e guarda a obra com carinho

Enquanto Raul, como prefere ser chamado, ainda não encontrou algumas respostas sobre si e vai esboçando em um livro seus projetos e primeira ideias sobre arte, nós vamos nos deliciando e inquietando com algumas criações e descobrindo com ele muito mais de quem é, de onde veio e porque foi. Afinal, há sempre tempo para reviver o passado e projetar o futuro.

No ateliê de Gil Vicente

Publicado por em CASA às 08h10
EM CASA. Gil Vicente mostra o espaço onde vive e trabalha para o Social1 (Fotos: Felipe Souto Maior/JC Imagem)

EM CASA Gil Vicente mostra o espaço onde vive e trabalha para o Social1 (Fotos: Felipe Souto Maior/JC Imagem)

Como já vimos em algumas matérias da série CASA com artistas plásticos aqui no Social1, o lugar de morar e o lugar de trabalhar desses profissionais se confundem contundentemente, como acontece na vida de poucas pessoas. Com o pernambucano Gil Vicente não poderia ser diferente. Ao ultrapassar o muro alto da entrada de sua casa, em Boa Viagem, não fica claro para o visitante o limite entre a residência e o ateliê do artista. A sala de estar com um sofá de madeira e a cozinha quase ao lar livre entram pelo grande salão cheio de quadros, tintas e telas em branco, onde ele pinta. É alí que Gil vive, é alí que Gil trabalha.

ESPAÇO Os cômodos da casa e o salão do ateliê se confundem

ESPAÇO Os cômodos da casa e o salão do ateliê se confundem

DETALHE Gil Vicente guarda pequenas lembranças de onde passa, do que acha na rua e do que ganha na sala

CURIOSIDADE Gil Vicente guarda pequenas lembranças de onde passa, do que acha na rua e do que ganha na sala

Solteiro, aos 55 anos, Gil Vicente vive no atual endereço há 20 anos. Todos os dias, ele acorda, se veste com calça jeans, camisa de botão e tênis, e ultrapassa a porta entre os cômodos da casa e o grande salão onde fica o ateliê para começar a trabalhar. Prova de que mesmo em casa, o artista mantém os costumes padrões de quem sai para exercer sua atividade profissional.

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“Eu disse pros arquitetos (responsáveis pelo formato do espaço) espremerem a casa, porque eu vivo mesmo dentro do ateliê. Na verdade eu vivo junto, totalmente. Muito mais trabalhando do que qualquer coisa”, revelou ele, que de vez em quando, trabalha, inclusive, no quarto onde dorme.

O ambiente claro, bastante iluminado, com 2,60 m de altura, ajuda Gil a não achatar as ideias, como sugere o amigo e também artista plástico Zé Claudio. Não que ele precise disso. Ideias não faltam na cabeça do pintor.

RETRATO Gil Vicente representado em quadro pelo amigo Zé Claudio

RETRATO Gil Vicente representado em quadro pelo amigo Zé Claudio

Formado na Escolinha de Arte do Recife e nos ateliês de extensão da UFPE (1972-77), o artista tem um acervo diversificado em seu ateliê. Telas bem coloridas com formas geométricas, desenhos de pessoas em tamanho real, rostos feitos com nankin e muitas fotografias de rua. Detalhe: nada fica exposto na parede. Os quadros são todos guardados e só ficam à mostra quando algum cliente marca de visitar o espaço. E aí, o local ganha a forma que o visitante deseja ver. Engraçado, não?

ACERVO Gil mostra algumas de suas obras ao Social1

ACERVO Gil mostra algumas de suas obras ao Social1

Esse costume ajuda Gil Vicente a manter o ateliê sempre organizado e fácil de trabalhar. Desenhista, fotógrafo e pintor, Gil gosta de catalogar tudo. Ele tem registro de quase todas as obras que fez até hoje. E mais: encontra as palavras certas para definir cada fase e a característica, segundo ele, única de seu trabalho. “Eu sou limitado à pintura e ao desenho. Eu me convenci que nasci sem profundidade. Meu universo todo é plano, ou fotografia, ou desenho, ou pintura. Eu não consigo me relacionar com trabalho tridimensional. Eu não me proíbo de me interessar, eu simplesmente não consigo”, resumiu.

VERSÁTIL  Apesar das declarações de ser plano, o artista criou essa escultura, tridimensional. Mas, afirma que só conseguiu porque, na verdade, o conjunto de cadeiras forma um desenho

VERSÁTIL Apesar das declarações de ser plano, o artista criou essa escultura, tridimensional. Mas, afirma que só conseguiu porque, na verdade, o conjunto de cadeiras forma um desenho

E Gil vai mais além na busca de definir seu interesse e estilo artístico. “Talvez seja um modo de fugir da realidade e partir para representação da realidade, que é mais fácil. Acho também que trabalhar a terceira dimensão, que é a profundidade, nas duas dimensões é uma forma de ter recursos para usá-la na vida”, filosofou, apesar de declarar que não leu mais do que um pilha de 2m de livros. “Eu me distraio lendo, cochilo”, disse. E quem ganha são seus admiradores. Uma das exposições mais importantes de Gil Vicente surgiu de seus devaneios enquanto lia. O artista via imagens nos espaços entre as palavras, formava figuras e criava quadros. Suíte Safada traz uma série de pinturas feitas a partir de imagens figurativas entre as linhas dos livros. Interessantíssimo!

CRIATIVO Gil Vicente explica a técnica e encontrar desenhos no espaço em branco entre as linhas de um livro

CRIATIVO Gil Vicente explica a técnica de encontrar desenhos no espaço em branco entre as linhas de um livro

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Ele traça as linhas do desenho entre os espaços em branco …

 

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… depois da figura formada, ele preenche o resto da página do livro com tinta preta, formando o quadro

Atualmente, Gil Vicente não está trabalhando em nada extraordinário para o Recife. Está preparando algumas telas em nakin para expor em Belo Horizonte, em outubro. Enquanto não temos a sorte de conhecer novas ideias e novos trabalhos de Gil, vamos nos deliciando com um pouco do acervo e da intimidade do pernambucano, que versátil que só ele, consegue variar, brincar e surpreender mesmo sem sair do plano.

Morre o artista plástico Luiz Jasmin

Publicado por em Notas às 13h48

Faleceu nesta quinta (7) o artista plástico Luiz Jasmin. O corpo do baiano, que estava internado há 47 dias no Imip em decorrência de um câncer na coxa, está sendo velado na Câmara de Vereadores da Ilha de Itamaracá, onde morava há 30 anos. Já o enterro será no cemitério do município.

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PERDA Radicado em Pernambuco desde os anos 1980, o baiano morreu aos 72 anos

Luís é o responsável pela famosa capa do disco Recital Boite Barroco, de Maria Bethânia, que foi censurada pelos militares durante a ditadura. Além de ferquentar as altas rodas da sociedade carioca e pernambucana, o artista era amigo de figuras célebres do mundo da arte, como o pintor Salvador Dalí e a ex-primeira dama Yolanda Costa e Silva, das cantoras Gal Costa e Maria Bethânia e da a colunista social Danusa Leão. Suas memórias, fotos e desenhos foram reunidos no livro Mulheres encantadas, lançado no ano passado, durante a Fliporto, em Olinda.

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VETO De 1968, a capa feita por Jasmin para o álbum de Mª Bethânia foi censurada pela ditadura

*Com informações do JC Online

Seguindo as trilhas incas

Publicado por em Notas às 06h01

Mineiro radicado em Olinda, o artista plástico Léo Santana escolheu as cidades de Lima e Cuzco, no Peru, além das trilhas Incas, como roteiro de suas férias, em abril. Léo ficou famoso nacionalmente por ter sido o autor da estátua de Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana, no Rio.

TRILHA INCA | Artista mineiro que vive no Recife já escolheu o destino das férias