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12/08/17
Foto: Dayvison Nunes/ JC Imagem
Foto: Dayvison Nunes/ JC Imagem

Paternidade: quando responsabilidade, cuidado e afeto se misturam

Publicado por Isabela Sales em Notas às 10:51

Paternidade não é apenas um título. Tornar-se pai e ser pai é um desafio diário às vezes repartido com outra pessoa: uma mãe ou algum parente. Era o caso de Cristiano Gouveia, 44 anos, pai de Ana Carolina, 21, e Ana Sofia, 6. A história começa há mais ou menos 30 anos, quando ele ainda estava no colégio, por volta dos 16. Lá, ele conheceu Simone, namoraram por anos até que ela engravidou. Casaram. Tiveram a filha. “Tudo como manda o figurino”, relembra o advogado.

Foto: Dayvison Nunes/ JC Imagem

Tudo corria bem, justamente como manda o figurino, até 2010, ano em que Simone engravidou novamente, aos 36 anos. A menina – superesperada pela família e, principalmente, pela mãe – chegou bem e virou a alegria da família. Juntos, os quatro tinham planos que incluíam uma viagem à Disney, em comemoração aos 15 anos de Carolina. Corria bem. Após quatro meses do parto, Simone começou a sentir dores, foi ao hospital. Nada demais foi revelado e, então, ela retornou à sua casa.

“Eu me vi sozinho…”

No dia 14 de janeiro de 2011, Simone acordou, falou com Cristiano e, já minutos depois, faleceu devido a um infarto. Ana Sofia, segunda filha do casal, estava com quatro meses e meio. “Não preciso nem dizer o que aconteceu. Como a coisa se transformou. Minha vida virou 360° porque ela era o meu braço direito, minha perna também. Eu me vi sozinho. Mas tive apoio da minha família. Minha irmã veio morar comigo para cuidar da bebê porque eu não tinha condições. Passei um ano difícil. Eu me transformei em pai em tempo integral”, fala Cristiano, emocionado.

“A história que eu tinha com a mãe delas era de muita amizade e cumplicidade. A gente tinha uma relação muito boa. E realmente eu caí quando tudo aconteceu. Me perguntava várias vezes como ia conseguir”, completou o advogado, lembrando que, pouco tempo depois da morte de Simone, precisou seguir forte para as filhas, inclusive, dando segmento à festa de 15 anos de Carolina, tão sonhada pela mãe, que aconteceu meses à frente. “Tu se resguarda porque tu vai correr muito atrás dessa menina”, frase dita a ele pela sua amada, à época do nascimento de Sofia, voltava à cabeça e fazia mais sentido do que nunca.

“É muito difícil fazer o que você não foi ensinado”

Foto: Dayvison Nunes/ JC Imagem

“Eu nunca imaginei na minha vida passar por uma situação dessas, mas eu estou aprendendo a conviver”, explica. Questionado sobre o seu maior medo, Cristiano precisou segurar um pouco as lágrimas para falar: “Meu medo era que elas ficassem sozinhas. Foi o que me fez voltar do buraco. Difícil”.

E como explicar a morte? “Ela era muito pequena e não lembra, mas sempre apontava a mãe dela na foto. Quando ela foi crescendo, os questionamentos apareceram. A gente foi explicando, mas de uma forma superficial. No início deste ano ela chegou pra mim e disse que as amigas tinham contado que a mãe tinha morrido. Eu conversei com ela e contei tudo, tentando não mostrar da forma que apresentaram para ela, aquela forma grotesca, mas de uma forma mais lúdica”, conta Cristiano em relação aos questionamentos de Ana Sofia, que conviveu por poucos meses com a mãe.

Ser pai é…

“Eu não tive o pai que eu sou. Então, para mim, ser pai é cuidar, amar e planejar a vida do filho como se tivesse planejando a minha. Ser pai para mim é amor”, finaliza Cristiano.



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