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12/06/18
Universal Pictures/Divulgação
Universal Pictures/Divulgação

[Crítica] – Jurassic World: Reino Ameaçado

12 / jun
Publicado por Renato Mota em Cine às 12:56

Eu adoro filme de monstro. Sabe quem também adora filme de monstro? Steven Spielberg. Ele gosta tanto que, além de fazer os seus, imprime sua personalidade nas continuações – mesmo quando ele deixa o cargo de diretor e passa a ser produtor. Jurassic World: Reino Ameaçado, quinto filme da franquia Jurassic Park (e segundo da “nova trilogia” World) foi dirigido por J. A. Bayona, mas tem muito a cara do Spielberg.

O espanhol Juan Antonio Bayona tem poucos filmes no currículo, mas já mostrou muita personalidade com O Orfanato (2007), O Impossível (2012) e o mais recente – e elogiadíssimo – Sete Minutos Depois da Meia-Noite (2016). Em Jurassic World: Reino Ameaçado, ele foi igualmente competente em trazer o “jeitão” de filme de monstros com dinossauros que Spielberg trouxe em 1993, acrescentando sua própria visão como cineasta.

Dito isto, é bem possível que Reino Ameaçado seja o melhor filme da série, depois de Jurassic Park (1993).

Enredo

Reino Ameaçado se passa três anos após Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (2015). O mundo vive as consequências não só do desastre ocorrido no parque temático da Isla Nublar – que foi abandonado desde então – mas como da própria (re?)existência dos dinossauros. Esse debate se torna mais urgente quando o vulcão que originou a ilha entra em atividade e ameaça as espécies que vivem lá.

Claire Dearing (Bryce Dallas Howard, mais linda do que nunca), que era a responsável pelo Jurassic World quando Masrani (Irrfan Khan comandava a InGen, agora faz parte de uma ONG que quer proteger os dinossauros. Ao mesmo tempo, o Congresso americano tenta decidir se os bichos devem ou não ser preservados, como acontece com as espécies ameaçadas hoje em dia. Um dos defensores da ideia que os dinos devem permanecer extintos é o matemático Ian Malcolm (Jeff Goldblum, numa ponta).

Para tentar encontrar e salvar os dinossauros – especialmente Blue, a última velociraptor – Claire procura Owen Grady (Chris Pratt, encantador como de costume), especialista em comportamento animal do Jurassic World e seu ex-namorado. Eles partem para a ilha com uma equipe da ONG de Claire, formada pelo especialista em TIC Franklin (Justice Smith) e pela veterinária Zia Rodriguez (Daniella Pineda, uma ótima surpresa, adorei ela!).

E é isso, esse é o plot inicial. Pelo bem da sua experiência no cinema, não leia mais nada sobre o enredo do filme, nem veja outro trailer além do que eu postei lá em cima. Sério. Fui ver o trailer mais recente e ele entrega MUITO da história. Até demais, ao ponto de estragar algumas das principais surpresas do filme. Então fique com isso: vulcão > dinossauros em extinção > grupo de resgate.

O antigo e o moderno

Reino Ameaçado tem muitos acertos, e quase todos derivam das referências que ele puxa do filme original. Um deles (o que chama mais atenção, claro) são os efeitos especiais que, assim como em 1993, combina gráficos gerados por computador com bonecos animatrônicos para trazer mais realidade aos dinossauros. A diferença é que com 25 anos de evolução tecnológica, o resultado é tão impressionante quanto (Jurassic Park não envelheceu um dia sequer. Quem viu na reexibição promovida pela UCI no fim de semana passado pôde comprovar).

Outro ponto positivo é a trilha sonora de Michael Giacchino. Por si só ele já é um grande compositor de temas, mas em Reino Ameaçado ele homenageia trabalho original de Jonh Williams, mesclando com as novas peças. E como falei antes, esse filme tem um “jeitão” de Spielberg, ou seja, a música não para de tocar o filme inteiro – mais calma nos momentos tranquilos, e épica nas cenas de ação.

Bayona e seu diretor de fotografia, Oscar Faura, também utilizam uma paleta de cores e luzes bem parecida com o filme original, pelo menos por boa parte do primeiro ato. O roteirista Colin Trevorrow (também diretor do primeiro filme da “retomada”)  ainda referencia o tema do livro de Michael Crichton, que gira em torno da ganância das grandes corporações e sua falta de respeito e ilusão de controle sobre a natureza, mesclando com o tema mais moderno do tratamento da indústria aos animais – com os dinossauros fazendo o papel do gado ou dos bichos usados como cobaias.

Spoilers à frente

Para finalizar, comentários breves com spoilers de leve, para você voltar aqui depois de ver o filme.

Muita gente mundo afora está criticando o andamento do terceiro ato do filme, mas eu particularmente achei sensacional. A “criança da vez” Maisie Lockwood (Isabella Sermon) é uma menina comum – diferente de uma “nerd de dinossauros”, para variar – que elevao debate da manipulação genética no filme. Se você está na dúvida, Lockwood como sócio do Hammond e essa briga deles antes da inauguração do primeiro parque é tudo coisa desse filme, não tem nos anteriores nem do livro.

Então, voltando. Dinossauros numa mansão com pinta de mal assombrada? Adorei. Leilão dos bichos para um grupo de vilões mal intencionados? Pirei. Super velociraptor transgênico? Quero mais monstros!  Verdade que o ritmo do filme cai nessa parte, mas eu encaro muito mais como uma mudança de gênero (de aventura para terror).

Sobre o final, eu achei de uma coragem imensa. Leva a franquia para um ponto que o próprio Spielberg tentou no final do segundo filme, O Mundo Perdido: Jurassic Park (1997) porém muito mais além. Vendo a nova trilogia como um todo, e não como filmes individuais, me parece que Trevorrow quer transformar Jurassic World numa espécie de Planeta dos Macacos. Só que com dinossauros. Adoro.


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