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12/01/18
Reprodução/Internet
Reprodução/Internet

Pesquisadores do CIn-UFPE criam guia para desenvolvimento de aplicações móveis acessíveis

12 / jan
Publicado por Renato Mota em INOVAÇÃO às 14:05

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), “mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo convivem com alguma forma de deficiência” – isso corresponde a 15% da população mundial. Ainda: entre 110 milhões (2,2%) e 190 milhões (3,8%) de pessoas com 15 anos ou mais têm grandes dificuldades ligadas as suas funções motoras.

É uma população que, em muitos casos, acaba sendo excluída digitalmente – uma vez que boa parte dos aparelhos ou aplicativos não são desenvolvidos levando em consideração suas limitações.

Pensando nesse público (e em como essa demanda é necessária para que uma empresa se mantenha com diferencial competitivo no mercado) um grupo de pesquisadores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn-UFPE) em com o SIDI – Samsung Instituto de Desenvolvimento para a Informática criou um guia de acessibilidade para visando auxiliar no desenvolvimento de aplicações móveis que sejam inclusivas e que permitam ser utilizadas por qualquer cidadão, portador ou não de alguma deficiência.

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 apresenta conceitos úteis para cada etapa da criação de um software. De maneira didática, o material ajuda a definir tamanho e disposição dos textos e ícones na tela, a interação entre o usuário e a aplicação, o gerenciamento de conteúdo de áudio e como avaliar a eficiência dessas ferramentas de acessibilidade, etre outras informações.

A criação do guia surgiu a partir de pesquisa na literatura científica (foram analisados 247 artigos científicos) e de entrevistas com pessoas com deficiência motora, auditiva e visual (total e parcial) com o objetivo de entender o contexto deste público (cerca de 24% da população brasileira, segundo o censo 2010 do IBGE). “Esse público demanda especificidades na elaboração de projetos que melhorem sua qualidade de vida e somente um grande trabalho de pesquisa pode sustentar esse trabalho. O acesso digital é um excelente meio de inicia-los”, explica Carla Nascimento, pesquisadora do Projeto Samsung/CIn que gerenciou esta iniciativa.

PARA TODOS

Um aplicativo “acessível” não significa que ele beneficia somente pessoas com algum tipo de deficiência. “O conceito de acessibilidade não se aplica somente a eliminar barreiras para que pessoas com deficiência participem de forma autônoma de atividades cotidianas. Engloba também facilitar o uso de aplicações por pessoas com alguma limitação temporária, tais como: manusear smartphone com um bebê no colo, segurar compras enquanto conversa via chat, conversar num bar com música muito alta, usar o celular com um dos braços quebrado ou mobilidade reduzida devido à gravidez”, afirma Carla.

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O desenvolvimento da tecnologia em si já tem ajudado na inclusão de pessoas com deficiência. “Através da disponibilidade e uso de recursos como tecnologias assistivas que permitem maior independência e autonomia à pessoa com deficiência. Alguns desses recursos são os assistentes pessoais e os próprios leitores de tela que, juntamente com as configurações específicas de acessibilidade dos smartphones, são atualizados constantemente para trazer cada vez mais benefícios para essas pessoas”, completa a pesquisadora.

Equipe de pesquisa CIn/UFPE e SIDI, que trabalhou na criação do Guia para o Desenvolvimento de Aplicações Móveis Acessíveis. Foto: Divulgação

O levantamento do CIn-UFPE/SIDI já recebeu reconhecimento em vários artigos internacionais, com classificação “A” pela CAPES na área de Computação, como o ASSETS e o MobileHCI. O conhecimento acumulado na pesquisa ainda permitiu que parte da equipe participasse na organização e avaliação de aplicativos de acessibilidade nas 3 edições do concurso anual promovido pela UIT (União Internacional de Telecomunicações).

“Tanto este evento quanto nossa pesquisa possuem como foco principal o desenvolvimento de soluções inovadoras e criativas para beneficiar pessoas com deficiência, trazendo mais inserção e interação social, conforto e qualidade de vida à rotina diária dessas pessoas, através de tecnologias móveis. O objetivo principal de aplicativos inclusivos é que sejam facilmente utilizados por todos”, acredita Carla.


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