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06/11/17
Larian Studios/Divulgação
Larian Studios/Divulgação

[Review] – Divinity: Original Sin 2

06 / nov
Publicado por Renato Mota em Review às 16:24

Saudades daquele RPGzão raiz? De passar horas “upando” seu personagem e escolhendo cada upgrade de status e novas habilidades? Daquele combate em tático turnos maroto, no qual posição, área e alcance fazem a diferença? De mergulhar num mundo de fantasia complexo, com centenas de combinações de raças, classes, profissões e tudo mais que lembra os RPGs de mesa? Pois tenho uma dica de game para você…

Divinity: Original Sin II é o ápice do RPG eletrônico. Não estou falando de jogos de mundo aberto com elementos de RPG, como Skyrim, Fallout (os novos), Dark Souls, The Witcher e etc. Me refiro a clássicos do gênero como Baldur’s Gate, Neverwinter Nights e Fallout (os antigos), e o lançamento da Larian Studios é filho legítimo desses games, e neto do RPG de mesa, dado, papel e caneta.

No que ele se propõe, Divinty é quase perfeito – o que não quer dizer que ele seja perfeito para todo mundo. Para aproveitar esse jogo, tem que ter bagagem e comprometimento. Pois a cada decisão que você toma, seja em diálogos ou em ações. você sente que está afetando e mudando Rivellon (o mundo de fantasia do jogo), e criando sua própria lenda pessoal. Esse é o poder do storytelling desse game, e do quando você pode ficar envolvido com sua trama.

Mas isso é sintoma de jogo que é feito com amor, por parte dos desenvolvedores e por parte também da comunidade. A continuação de Divinity foi anunciada ainda em 2015, numa campanha no Kickstarter para levantar fundos para a sua produção. O objetivo inicial era juntar US$ 500 mil, que foi atingido em menos de 12 horas. No final, o orçamento para o jogo ficou em US$ 2 milhões (muito bem gastos, por sinal).

A história se passa séculos após seu predecessor, no mesmo reino de Rivellon. Como Sourceror, você tem a capacidade de conjurar magias arcanas e invocar monstros interdimensionais – e por isso, você e seus pares são vistos com desconfiança pelos Magisters que servem à Divine Order. Então, como em muitos RPGs (inclusive minha primeira aventura em Dungeons & Dragons, lá nos anos 1990), seu personagem começa aprisionado, junto com o povo que vai formar a sua “party” no futuro.

As possibilidades de criação dos personagens é quase infinita em Divinity, mas é interessante escolher também um dos seis personagens pré-definidos, por dois motivos: o primeiro é que alguns diálogos são adaptados exclusivamente à estes personagens, deixando a aventura mais imersiva. Segundo, é uma oportunidade de investir no seu “role play” e interpretar aquele personagem dentro do que foi definido para ele (ao invés de fazer a si mesmo dentro do jogo). Isso é importante pois tramas inteiras podem se desenrolar – ou simplesmente deixarem de acontecer – dependendo das suas decisões.

Essa versatilidade mostra a coragem da equipe de desenvolvimento, em fazer um jogo onde suas escolhas pesam de fato, fazendo com que muito conteúdo possa ser “desperdiçado” na primeira jogada, mas ao mesmo tempo criando um fator de replay altíssimo, já que você quer saber o que acontece se suas decisões forem diferentes. Como se isso jã não fosse o suficiente para te prender em Divinity, a Larian Studios ainda criou um modo Game Master cooperativo, no qual você e seus amigos podem “simular” uma partida de RPG bem tradicional, no mundo e nas regras do game. A liberdade do modo coop é tanta que, assim como no jogo de mesa, cada jogador pode fazer o que der na telha e destrambelhar a aventura inteira, um pra cada lado. Saudades nas noites de RPG…

Entre sair da ilha-prisão de Fort Joy com seu colar inibidor de magia e encontrar o seu divino dentro de si, a saga épica pode te consumir mais de 60 horas (entre a trama principal e as side quests). Se prepare para nesse caminho ter que tomar diversas medidas que questionam a sua moralidade, já que o universo de Divinity é uma fantasia bem menos maniqueísta, como acontece em Dragon Age ou Witcher, por exemplo.

As batalhas são desafiadoras, dada a variedade de estratégias que você pode usar (não só a dificuldade dos adversários em si). Se você estiver no jogo mais pela exploração e menos pelo combate, pode ajustar a dificuldade para passar com mais facilidade pelos conflitos físicos. Ou pode simplesmente usar seu role play e se livrar dos inimigos na conversa.

Os gráficos do jogo estão belíssimos, tanto em termos de definição quanto em direção de arte. Não se deixe enganar pela visão isométrica para achar que o game não é tão bonito de perto quanto de longe. E o melhor: não é um jogo pesado. Os requisitos mínimos de sistema pedem um computador com processador i5 ou equivalente, 4 GB de RAM e placa de vídeo GeForce GTX 550 ou ATI Radeon HD 6XXX. Configurações que que rodam até em PCs ou notebooks mais antigos, de quatro anos atrás pelo menos.

Claro que Divinity: Original Sin 2 tem seus defeitos. Ele tem alguns bugs, mas que desde seu lançamento em setembro vêm sendo combatidos com patches regulares. Fora isso, em algumas quests, elementos-chave não estão tão bem explicados, e você acaba perdendo mais tempo do que deveria preso em um defeito de game design. Mas o trabalho feito pela Larian Studios é mais do que digno de nota, e deve entrar no hall dos melhores jogos do gênero.

Para esse review, jogamos a versão para PC, cedida pelo pessoal da GoG.com.

 

 


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