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Mulheres ganham espaço no cinema de terror, mas ainda são poucas

15 / jan
Publicado por Renato Mota em Cine às 14:52

As mulheres gostam mais de filmes de terror do que os homens, segundo várias pesquisas nos Estados Unidos. Mas uma diretora que se dedique a este gênero é algo relativamente raro. Nos últimos anos, porém, uma onda de filmes de terror que foram sucesso de bilheteria feitos por mulheres vem impondo uma nova estética ao gênero.

O exemplo mais recente é “The Bye Bye Man”, de Stacy Title, que estreia nesta sexta-feira nos Estados Unidos – ainda sem data para exibição na América Latina.

O trailer, que deixou muitos cinéfilos ansiosos para ver o filme, tem de tudo: punhaladas, sangue respingando, adolescentes em pânico, saltos de susto, tudo isso em meio a um caos devastador.

Destacam-se também as produções recentes “O Babadook”, dirigido por Jennifer Kent, e “Garota sombria caminha pela noite”, de Ana Lily Amirpou, que aumentam o número de cineastas mulheres no gênero.

Mas ainda são poucas. Efetivamente, milhares de filmes de terror foram produzidos desde que o francês Georges Méliès fez “Le manoir du diable” (“A mansão do diabo”) em 1896, mas o número de diretoras deste gênero desde o início do século XX não passa de 100, segundo o Internet Movie Database.

“Há uma geração perdida de mulheres talentosas que não estão trabalhando porque infelizmente, para a sorte dos homens, é um negócio sexista”, disse Title à AFP.

Seu filme está ambientado no Wisconsin dos anos 90 e conta a história de três estudantes que se mudam para uma casa velha fora do campus universitário, onde se veem encurralados pelo “Bye Bye Man”, uma entidade sobrenatural malévola que já havia aterrorizado vítimas desprevenidas décadas atrás.

O roteiro se baseia no compêndio que o historiador ocultista Robert Damon Schneck fez em 2005, intitulado “The President’s vampire: strange-but-true tales of the United States of America”, que conta as experiências de um amigo seu nesse estado americano que afirmou ter enfrentado um espírito após jogar a Ouija.

– De Clinton a Title –

Title começou como editora e jornalista de investigação, e foi a mulher mais jovem a receber uma indicação ao Oscar, por um curta-metragem de 1993. Um ano depois, dirigiu Cameron Diaz e Courtney B. Vance na comédia negra “O último jantar” (1996) e cultivou seu gosto pelo terror com “Snoop Dogg’s hood of horror”.

“Odeio dizer isso, mas você fecha os olhos e imagina o presidente, e é um homem. Independentemente do que você pensa de Hillary Clinton, você sabe que ela levou um golpe muito mais duro do que um homem teria levado”, disse.

“Isso se estende à direção. É difícil imaginar uma mulher nesse trabalho. Alguns homens servem como mentores de outros homens. É uma forma de eles se identificarem com alguém mais jovem, de recordarem a sua vida. As mulheres não se encaixam nesse papel”, acrescentou.

Title foi contratada pelo veterano Trevor Macy, que produziu mais de uma dúzia de filmes, como “Protegendo o inimigo”, com Denzel Washington e Ryan Reynolds, e “O espelho” dirigido pelo especialista em terror Mike Flanagan.

“Normalmente, em um filme de terror de sucesso, 60% da audiência é de mulheres. E é ridículo que não haja mais vozes femininas atrás da câmera”, disse Macy à AFP.


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