Tecnologia faz do deserto australiano a maior sala de aula do mundo

Aluno australiano usa o computador para falar com o professor. Foto: AFP

Aluno australiano usa o computador para falar com o professor. Foto: AFP

Assim como todos os estudantes australianos, Cameron Smith tem aulas todos os dias, mas seu colega mais próximo está a centenas de quilômetros, em outro local do Outback, o deserto da ilha-continente.

Há décadas, as crianças do Outback acompanham as aulas de “Alice Springs School of the Air”, um centro de formação à distância que começou na rádio e atualmente é usado em computadores.

Para alunos como Cameron, de 12 anos, esta escola permite romper a solidão desta região do país, onde a densidade populacional está entre as mais baixas do mundo, com menos de 0,1 habitante por quilômetro quadrado.

“Há outro menino na minha turma, que mora a 500 quilômetros daqui”, diz Cameron por vídeo, falando do rancho onde mora a sua família, a 370 km de Alice Springs, a grande cidade do centro geográfico australiano. “É um dos colegas de classe que mora mais perto”, explica.

O colégio se vangloria de possuir a maior “sala de aula” do planeta, com alunos distribuídos em 1,3 milhão de km2, duas vezes a superfície da França. A escola pioneira no mundo quando foi inaugurada, em 1951, tem 145 alunos que se comunicam com colegas e professores usando a internet e as tecnologias mais modernas.

“Em alguns ranchos mora uma única criança e é difícil para eles poder interagir com outras crianças”, explica a vice-diretora, Mel Phillips, diante de um mapa com pontos que representam todos os alunos do Território do Norte, uma vasta região de terra vermelha e árida que abriga o célebre “Uluru”, uma enorme rocha considerada sagrada pelos aborígines.

Os alunos têm aulas de segunda a sexta, de 08h às 15h. No geral, repetem as lições, escrevem redações e ditados. Os professores corrigem e passam deveres. Nada excepcional a princípio, com a exceção de que os alunos, ao invés de lápis e papel na mão, têm computador, impressora e microfone para se comunicar, via satélite, com seus professores. O material é fornecido pela escola e seus pais fazem uma contribuição voluntária de 410 a 500 dólares australianos (290 a 353 euros). “Temos um belo intercâmbio com eles por telefone ou por vídeo”, diz Mel Phillips.

Com exceção das duas comunicações que têm diariamente com seus professores, de meia hora cada uma, os alunos estão sob a supervisão de seu tutor em casa – com frequência um dos pais – ou trabalham com total autonomia.

Os alunos podem ir até a cidade de Alice Springs três ou quatro vezes por ano para passar um pouco de tempo com os 17 professores e aproveitar para fazer o que não podem fazer em casa: esportes coletivos, aulas de natação, etc..

Dos 4 aos 15 anos, eles recebem a visita de um professor uma vez ao ano, apesar de que alguns moram a 1.300 km de distância. O professor tem que viajar às vezes por estradas de terra por onde passam um ou dois veículos por dia, no melhor dos casos sem cobertura telefônica por centenas de quilômetros.

Mas segundo Mel Phillips, os alunos costumam ter uma infância feliz, apesar do isolamento. “Às vezes, depois da escola, montam a cavalo. Costumam fazer atividades fantásticas”, assegura. A mãe de Cameron, Jo Smith, garante que nada lhe falta e que está feliz em ter o professor “do outro lado da linha” telefônica quando precisa dele. Cameron “aproveitou bem todos estes anos, como todos os nossos filhos. Com o computador e o telefone, não estão em desvantagem”, afirma.

Quando consultado do que gosta mais no colégio, Cameron diz, sem hesitar: “primeiro, a flexibilidade do aprendizado (…) e o fato de que o meu quarto está a apenas alguns passos” da minha sala de aula. “Ficaria muito mais cansado se tivesse que caminhar até o colégio”, brinca. [Da AFP]

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