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20/01/13

Observatório Astronômico de Olinda convida visitante a se tornar explorador do Espaço

20 / jan
Publicado por Mayra Cavalcanti em CIÊNCIA às 15:30

História do lugar remonta aos tempos do Império e tem a ver com um cometa chamado Olinda

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A lua vista a partir do Observatório, no Alto do Sé (Fotos: Fábio Jardelino/NE10)

Localizado no Alto da Sé, no Sítio Histórico de Olinda, o Observatório Astronômico da Sé é um dos equipamentos turísticos mais visitados nos últimos meses na cidade. A causa dissso é um trabalho feito pelo Espaço Ciência, que vem criando programações temáticas e deu ao lugar uma proposta mais atrativa em que todos são convidados a serem descobridores do cosmo. O próprio prédio também tem uma história interessante, que remonta aos tempos do Império, fazendo dele um dos mais antigos observatórios do País.

>; Veja abaixo, reportagem em vídeo de Fábio Jardelino

“No verão, chegamos a receber até 500 pessoas em um único dia”, diz o coordenador do Espaço Ciência para o Observatório Astronômico, Alexandre Evangelista. O lugar teve as visitações retomadas em outubro de 2011 depois de uma reforma que durou dois anos. São três pavimentos. No primeiro, chamado “Lua”, estão detalhes da chegada ao homem ao satélite e uma decoração que imita a atmosfera espacial lunar. O segundo andar é o piso “Marte”, que traz detalhes do planeta que é o próximo passo exploratório da humanidade. Por fim, no último andar está o piso “Cosmo”, em que um telescópio modelo MEAD LXD-55 permite ao visitante desvendar os astros no céu.

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“Estes três andares trazem exposições interativas que representam os três passos da exploração do homem, a lua, marte e o cosmo como um todo”, explica Alexandre Evangelista. A experiência de observar a lua no telescópio assusta quem nunca foi a um observatório. É possível ver detalhes das crateras e do piso lunar. O último andar traz um teto em fomato de concha que se move 360° para acompanhar o melhor ponto do céu. “O melhor é aproveitar um dia sem nuvens. E para ver a lua, o período ideal são nas fases minguante e crescente, em que a incidência dos raios solares criam um contraste perfeito”, segundo Evangelista.

O lugar, segundo ele, incentiva no Estado a astronomia amadora, e também atrai pessoas do mundo inteiro. “Já recebemos pessoas da Rússia, EUA e França”, diz. O espaço funciona de terça a domingo, das 16h30 às 20h (podendo se estender nos finais de semana ou em programações especiais). A entrada é gratuita.

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Cometa Olinda e trânsito de Vênus instigaram a construção do lugar

Ao receber o visitante, o lugar já exibe o típico orgulho pernambucano ao provocar: “Qual outra cidade do mundo pode dar-se ao luxo de ter um cometa com seu nome?”. Trata-se do cometa Olinda, que pôde ser visto no Hemisfério Sul no ano de 1860. Apesar do nome popular, o astro leva o nome de seu descobridor, o francês Emmanuel Liais. Como o imperador Dom Pedro 2º era um astrônomo amador, reconhecido pela comunidade científica, ele trouxe Emmanuel ao Brasil, mais especificamente à Olinda, onde foi identificado ser o lugar ideal para acompanhar a passagem do cometa.

Em 26 de janeiro de 1860, o cometa passou pelo céu e foi registrada a descoberta. Anos mais tarde, em 6 de dezembro de 1882, astrônomos, ainda com a ajuda do imperador, viram na Sé as condições ideias para observar o fenômeno conhecido como “Trânsito de Vênus”, quando o planeta, a Terra e o sol encontram-se alinhados, resultando em um espetáculo semelhante a um eclipse solar. Esse trânsito é bem raro. Desde seu primeiro registro, em 1631, ocorreram apenas sete outras vezes, sendo o último em 2012.

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Esses fatos anteriores levaram à construção em 1890, de uma torre com as condições ideais para observação astronômica, semelhante aos existentes na Europa (não levaram em conta o calor tropical, por isso, o lugar torna-se um forno para quem passa muito tempo). Dos anos 20 do século passado até 1960, o espaço tornou-se uma estação meteorológica. Em 1970, foi desativado. Foi apenas em 2004 que o Espaço Ciência assumiu a administração, iniciando um trabalho de restauração que levou à sua re-inauguração.

Um clarão no céu

Na história do Observatório, o lugar ainda foi privilegiado para assistir à queda não prevista de um meteorito. O objeto passou pelos céus do Grande Recife e caiu na orla de Maragogi, em Alagoas. “Foi suficiente para criar um clarão azul-esverdeado quando atingiu o alto-mar”, disse Evangelista. “Foi possível vê-lo rasgando o céu, com um brilho intenso e deixando um rastro”.

SERVIÇO
O espaço funciona de terça a domingo, das 16h30 às 20h (podendo se estender nos finais de semana ou em programações especiais). A entrada é gratuita.

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