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Tablet do programa Aluno Conectado levanta questões sobre estrutura do ensino público

23 / maio
Publicado por Mayra Cavalcanti em MERCADO às 14:25


Equipamento híbrido chega para alunos do ensino médio (Foto: JC Imagem)

É o sonho dourado de educadores e alunos do século 21: cada adolescente com seu próprio tablet, carregado com material didático digital, e ainda podendo compartilhar informações, usar dispositivos eletrônicos para ampliar a experiência de ensino e ter acesso instantâneo à informação. Tudo a favor da construção do conhecimento numa sociedade que tem nisso sua maior moeda. É um sonho que pode estar começando a se tornar realidade com a introdução dos tablets híbridos do programa Aluno Conectado, do governo do Estado. A partir deste mês, 152 mil alunos de escolas públicas do 2º e 3º ano do ensino médio receberão o equipamento da Digibras, divisão da CCE, comprados por R$ 629 cada. Mas será que só o equipamento basta para revolucionar a educação no Estado, como deseja o governo? As informações são do Jornal do Commercio.

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“Tudo vai depender do conjunto de softwares que virá embarcado no equipamento”, analisa o professor de química da rede estadual e graduando em ciência da computação Afonso Feitosa. Para ele, é preciso, de cara, deixar mais claro quais serão os dispositivos embutidos nas máquinas para que os professores comecem a planejar a utilização em sala de aula. “Até agora esses softwares são um mistério. E isso faz toda a diferença, porque um computador, por si só, não muda nada. O que tem que mudar é o uso do equipamento na educação”, afirma

O professor mostra preocupação também com relação à conectividade nas escolas. “Também não adianta nada ter uma ferramenta dessas e não ter internet na escola. E tem que ser de excelente qualidade. Não há condições de num colégio de 700 alunos, por exemplo, haver uma rede compartilhada de 2 Mbps. Tem que ter pelo menos 30 Mbps”, destaca. Outro ponto levantado pelo professor é a capacitação, que deve ser aprofundada. “Se for só para dar aula de Powerpoint não adianta. Tem que haver imersão profunda nos softwares educacionais que virão na plataforma”, diz.

Pelo menos no discurso, a Secretaria de Educação de Pernambuco está em sintonia com a preocupação dos professores. Segundo o secretário Anderson Gomes, o tablet virá com um conjunto de 12 softwares educacionais, mais acesso à rede de acompanhamento da Intel, criadora da plataforma educacional usada no equipamento da Digibras. Entre eles, estão kits de ciências que podem ser usados em conjunto com sensores plugados à máquina, como microscópios, medidores de temperatura e acelerômetros. Também está incluído um software de reconhecimento de escrita que reconhece até mesmo operações matemáticas. Segundo Gomes, a expectativa é que todo material didático usado nas escolas seja digital ainda este ano.

No quesito capacitação, o plano da secretaria é que todos os professores diretamente envolvidos no projeto recebam treinamento da Intel. Os cursos começaram há uma semana. “Primeiro vamos mostrar como usar a tecnologia dentro da sala de aula. Depois discutiremos como criar projetos de aula usando a mentalidade e as ferramentas do século 21”, diz o gerente de definição de plataforma da Intel, Russell Beauregard, que semana passada esteve no Recife para apresentar a solução aos gestores da educação de Pernambuco. “Também queremos fazer uma capacitação específica nas ferramentas educacionais da Intel”, diz. Todo o treinamento, segundo o secretário Gomes, será financiado pela divisão de responsabilidade social da Intel.

Conectividade é o elo mais frágil da equação. Mas, segundo Gomes, 950 escolas do Estado estarão conectadas à internet até o fim do ano. “Hoje temos 400 escolas com infraestrutura sem fio. Até dezembro conectaremos mais 550”, diz. O cronograma de implantação segue a mesma lógica da distribuição dos tablets. De início, a capital e as maiores cidades do litoral receberão os equipamentos e a infraestrutura de rede.

ENERGIA – Além de ter que resolver questões como capacitação e a integração entre professores, alunos e equipamentos, há questões técnicas que complicam ainda mais a implantação dos tablets híbridos na educação do Estado. Um dos principais é o fator energético. É que a bateria do computador tem duração de cinco horas, menos até que a dos netbooks convencionais. No caso de escolas regulares, a autonomia dos equipamentos pode até ser suficiente na maior parte do tempo.

Mas e no caso de escolas com horário integral, como o Ginásio Pernambucano? Ou o que fazer se o aluno esquecer de dar carga completa no equipamento na noite anterior à aula? A solução óbvia (ou seja, a inclusão de mais tomadas nas salas de aula) parece simples, mas requer uma matemática complexa. O impacto dos tablets na conta de energia das escolas estaduais não foi nem sequer mencionado no plano dos tablets. Mais informações sobre o uso do tablet na educação e a expectativa dos alunos da rede público podem ser lidos na edição desta quarta no Jornal do Commercio.


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