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13/10/17
Foto: Pedro França/Agência Senado
Foto: Pedro França/Agência Senado

PT muda posição e deve votar pelo afastamento de Aécio

13 / out
Publicado por Camila Souza em Notícias às 7:44

Estadão Conteúdo – Após o mal-estar causado pela nota em que o PT criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastar o senador Aécio Neves (PSDB-MG) do mandato, o partido deve fechar questão e votar pela manutenção das medidas cautelares aplicadas contra o tucano.

A bancada vai se reunir na próxima terça-feira (17), data em que está marcada a votação sobre o caso em plenário. Segundo o líder da minoria no Senado, Humberto Costa (PT-PE), a manifestação do PT em relação a Aécio tinha um caráter institucional, de defesa da autonomia entre os Poderes, e não de apoio ao tucano. Para ele, a bancada do partido, com nove senadores, deve votar unida para manter o senador tucano afastado do cargo.

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“O Senado vai ter que entrar no mérito da discussão. Agora nós vamos discutir se as coisas que têm contra o Aécio justificam, ou não essa recomendação do Supremo. Eu vou defender que nós votemos para seguir a recomendação”, disse.

Essa também é a posição da senadora Fátima Bezerra (PT-RN). “Não dá para fingir que a gente não ouviu a conversa indecorosa que ele teve com Joesley Batista (dono da JBS). Não dá para fingir que não houve mala de dinheiro entregue ao primo dele. Se o Senado quer o respeito do povo brasileiro, não dá para tampar o sol com a peneira”, afirmou.

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Nota

Um dia depois de o Supremo determinar o afastamento de Aécio e impor outras medidas cautelares ao tucano, o PT emitiu uma nota em que classificava como “esdrúxula” a decisão. “A resposta da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a este anseio de Justiça foi uma condenação esdrúxula, sem previsão constitucional, que não pode ser aceita por um poder soberano como é o Senado Federal”, dizia o texto.

A nota também afirmava que não existia “a figura do afastamento do mandato por determinação judicial” e que a decisão era “mais um sintoma da hipertrofia do Judiciário”, que vinha “se estabelecendo como um poder acima dos demais e, em alguns casos, até mesmo acima da Constituição Senado Federal”.

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Com diversos parlamentares implicados na Lava Jato, a manifestação foi vista como uma maneira de marcar posição diante da possibilidade de algo semelhante vir a acontecer com algum petista. A presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann (PR), por exemplo, já é ré em um inquérito no Supremo.

O texto, no entanto, não foi bem recebido pela militância do partido, que apontaram o fato de Aécio ter sido um dos principais articuladores do impeachment de Dilma Rousseff.



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