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13/09/17
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

No Senado, FBC diz que Jarbas se calou sobre jantar de Lula e Paulo Câmara por medo de perder quatro secretarias estaduais

13 / set
Publicado por jamildo em Notícias às 16:26

Ao abrir a caixa de ferramentas contra o deputado federal Jarbas Vasconcelos, do PMDB, o senador Fernando Bezerra Coelho encontrou uma explicação para a enigmática entrevista do cacique do PMDB para a Rádio Jornal, logo após o jantar entre o governador Paulo Câmara e o ex-presidente Lula, na casa de Renata Campos. Jarbas sempre foi um adversário ferino do petista, mas, nesta oportunidade, disse que não via problemas em estar ao lado dos petistas, uma vez que seriam eles a chegar ao palanque da Frente Popular.

FBC sugeriu fisiologismo por parte de Jarbas e seus aliados, mas sem usar o termo.

“Fácil falar de barganhas políticas a nível federal com o objetivo de atingir as pessoas. Mas não reconhecer as mesmas barganhas a nível estadual é uma tremenda incoerência ou cinismo. Será que são as secretarias e órgãos estaduais que explicam a flexibilidade do Deputado Jarbas Vasconcelos em aceitar alianças políticas que até as eleições passadas condenava? Não quero julgar, o deputado tem direito de rever suas posições, mas a boa educação política exige que se respeite o posicionamento dos outros”, afirmou, em dado momento.

“O tempo vai se encarregar de revelar as atitudes contraditórias”

“O alarido provocado pelas vozes dos que hoje me criticam vai passar muito rapidamente! Este estilo de fazer política já foi derrotado muitas vezes pelos pernambucanos! Sei que alguns têm direito e legitimidade para expressar suas opiniões, mas também sei que outros fazem o jogo dos detentores do poder, alimentados por cargos e posições, por promessas que sistematicamente vem sendo quebradas e não honradas! A ficha vai cair! Teremos a oportunidade de trabalhar com muitos que hoje fazem o PMDB em todas as regiões do estado. Agradeço as manifestações que venho recebendo de diversos companheiros.

“Não fiz nada às escondidas. Não me convidei, fui convidado. Apresentei uma proposta e um plano de ação política. Busquei o diálogo, avisei das minhas decisões, não surpreendi ninguém. Estou pronto para uma nova caminhada. Não será fácil. Não me faltará animo e disposição. Acredito que seremos capazes de construir uma grande frente política. Acredito que o PMDB estará pronto para liderar esse novo projeto. Acredito nos pernambucanos e estou certo que haveremos de construir um novo tempo”, em uma tentativa de colocar o ex-governador no passado.

No mesmo discurso, FBC rebateu que tenha agido com traição.

“O deputado Jarbas Vasconcelos foi informado pela Direção Nacional do PMDB das minhas propostas. Fui comunicado da sua concordância. Falei nos últimos dias duas vezes com o deputado. Uma pessoalmente, solicitando uma reunião para encaminharmos um entendimento. A reunião foi marcada. Por telefone ele desmarcou. Na sequência, avisei ao Deputado da minha decisão de filiar-me ao PMDB em Brasília, o mesmo me cumprimentou e remarcou o nosso encontro. Nenhuma palavra em sentido contrário ou de qualquer ponderação. O tempo se encarregará de revelar as razões para atitudes tão contraditórias em um espaço de tempo tão curto”.

Nas críticas, depois de ter falado da familia Coelho, o senador também devolveu com uma farpa para o filho Jarbinhas, de forma indireta.

“A reforma política que pregamos é para oferecer mais transparência, mais legitimidade e, sobretudo, coerência na prática política dos partidos. O que defendo em Pernambuco é o que defendo em Brasília. Partido nenhum pode se prestar a ser instrumento de interesses familiares, mas também é verdade que ninguém, por mais meritórias que sejam as trajetórias, podem se considerar donos de partidos. Neste particular, é importante frisar que não basta ter sobrenome para vencer na política. É preciso vocação, preparo, proposta e muito trabalho. Mas é fundamental ter votos. Alguns líderes fracassam ao tentar eleger seus filhos”.

 

Para rebater um Jarbas que se apresenta sempre como histórico, FBC também disse que tinha história.

“Venho a esta tribuna para, em respeito aos pernambucanos que me honraram com a confiança de representar o nosso estado no Senado Federal, responder e rechaçar as agressões do Deputado Jarbas Vasconcelos, as quais buscam confundir com meias verdades, numa tentativa vã, de denegrir a minha trajetória política e a minha decisão em aceitar o convite da Direção Nacional para retornar aos quadros do PMDB, partido que militei por mais de 11 anos e pelo qual tive o privilégio de participar da Assembleia Nacional Constituinte, presidida pelo Dr. Ulisses Guimarães, que muito me honrou com o seu apoio e presença no início da campanha de minha primeira eleição para prefeito de Petrolina.”

“Tenho orgulho das minhas origens, da minha trajetória, das minhas lutas, das derrotas e das muitas vitórias que pude celebrar com o apoio do povo de Pernambuco. De 1982 até aqui, servi ao meu estado como Deputado Estadual, Federal por duas vezes, três vezes prefeito de Petrolina, e hoje, Senador.”

“Nunca traí os meus compromissos com a minha terra, nunca fiz política agredindo ou denegrindo quem quer que seja. Diferentemente dos que me atacam, famosos pela verborragia. A verdade é que nunca hesitei em fazer escolhas e por elas sempre fui julgado por quem e para quem devo prestar contas: o povo da minha terra e do meu estado”.

Curiosamente, FBC usou o nome de Eduardo Campos para criticar Paulo Câmara e justificar a transição para o PMDB, enquanto ainda defendeu o governo Temer, atacado sempre pelos socialistas.

“Eduardo Campos, quando indagado sobre sua candidatura à Presidência da República, por um campo político diferente do qual tinha participado, afirmou: “porque você apoiou, você não está condenado a apoiar quando você já não acredita, quando você já não se vê, não se representa naquele governo”.

“Tenho a consciência tranquila que busquei participar do projeto que apresentamos aos pernambucanos em 2014. Não me foi dado o direito de colaborar e ajudar. Erros administrativos e, sobretudo, políticos, vêm se acumulando em Pernambuco. Não tenho receio dos embates que haveremos de enfrentar. Fiz a opção de dar consequência ao voto a favor do impeachment, apoiando verdadeiramente o Governo de transição do Presidente Michel Temer. Não tenho duas caras ou posição dúbia. Como justificar o apoio a um governo estadual cujo maior mote é denunciar o palanque da frente das oposições que se articula como sendo um palanque do Presidente Temer? Como conciliar o discurso em Brasília com as falas ácidas e críticas ao governo federal que são feitas em Pernambuco? Apesar das enormes dificuldades, o governo do presidente Michel Temer está conseguindo retirar o país da recessão, avançando nas reformas e criando condições para a volta do emprego e do crescimento”.

 



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