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13/09/17
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ninguém pode se considerar dono de partido, diz FBC contra Jarbas

13 / set
Publicado por Amanda Miranda em Notícias às 16:23

Em mais um capítulo da briga no PMDB de Pernambuco, o senador Fernando Bezerra Coelho usou nesta quarta-feira (13) o tempo de liderança do partido no Senado para rebater as críticas feitas pelo deputado Jarbas Vasconcelos em discurso na Câmara nessa terça-feira (12). “Ninguém pode se considerar dono de partido”, respondeu.

Acusado por Jarbas de querer fazer do PMDB uma extensão dos seus interesses familiares, Fernando Bezerra afirmou que partido nenhum pode se prestar a atender às família para alfinetar o deputado, que não conseguiu eleger o filho, Jarbinhas, a vereador do Recife em 2012. “Não basta ter sobrenome para vencer na política. É preciso vocação, proposta, preparo, muito trabalho e, mais do que tudo, voto. Alguns políticos falham ao tentar eleger seus filhos”, disse na tribuna do Senado.

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FBC migrou do PSB para o PMDB com a promessa do presidente nacional da legenda, Romero Jucá, de conseguir o comando local da sigla, que historicamente é do grupo de Jarbas e hoje está com o vice-governador Raul Henry, seu afilhado político. Com isso, o senador pode colocar o filho, o ministro de Minas e Energia, Fernando Filho (que deve se filiar em março para não perder o mandato de deputado federal), como cabeça da chapa majoritária em 2018, na frente de oposição ao governador Paulo Câmara (PSB).

A mudança para a oposição ao PMDB foi um dos motivos que levaram à irritação do grupo de Jarbas, que hoje tem três secretarias no governo socialista. O presidente estadual ocupa uma delas, a de Desenvolvimento Econômico, e afirma que não há fato político que justifique o rompimento com Paulo Câmara. Nesta quarta-feira (13), Raul Henry está em Brasília com a missão de tentar convencer Jucá a desistir de intervir na direção local do partido para entregá-lo a FBC.

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O senador ainda usou a aliança entre PMDB e PSB para atingir Jarbas. Fernando Bezerra Coelho afirmou que é fácil falar de barganhar em nível federal sem reconhecê-las no plano estadual. “Será que são as secretarias e órgãos estaduais que justificam a flexibilidade de Jarbas Vasconcelos de aceitar alianças que até a eleição passada eram impensáveis?”, questionou sobre o movimento de reaproximação entre os socialistas e o PT, sinalizado com um jantar entre Paulo Câmara e o ex-presidente Lula na casa de Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos.

Crítico do PT mesmo quando o PMDB foi aliado dos petistas, Jarbas fechou a aliança com Eduardo nas eleições de 2012, quando o PSB parou de apoiar o então prefeito João da Costa (PT), que tinha como vice  o socialista Milton Coelho. O então governador decidiu lançar a candidatura do atual prefeito, Geraldo Julio, até então nome técnico da gestão estadual.

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Jarbas acusou FBC de fazer “adesismos de ocasião” e de ter entrado para o PMDB em ação “oportunista”. O senador afirmou que é uma “tentativa vã de denegrir” a sua trajetória política. “Nunca traí os meus compromissos com a minha terra, nunca fiz política agredindo ou denegrindo quem quer que seja. Diferente dos que me atacam, famosos pela verborragia, nunca hesitei em fazer escolhas e por elas fui julgado por quem e para quem preciso prestar contas”, afirmou. “Sem argumentos buscam macular nossas atitudes com o objetivo de distorcer e criar uma narrativa que justifique seus próprios erros e equívocos políticos.”

Fernando Bezerra Coelho afirmou que deixou o PSB por não acreditar no projeto político de Paulo Câmara e lembrou que esse foi o argumento usado por Eduardo Campos quando rompeu com o PT em 2013 para se candidatar à presidência no ano seguinte – quando o próprio senador era ministro da Integração Nacional e pediu exoneração. Agora no PMDB, lembrou que no próximo ano o palanque do socialista deverá ser contra Michel Temer, ao contrário do dele.

A divergência de FBC com o PSB começou ainda em 2014. Ele quis ser candidato a governador pelo PSB em 2014, mas Eduardo Campos priorizou Paulo Câmara. Depois, já eleito, o senador quis indicar o secretário de Desenvolvimento Econômico, cargo que ocupou no governo Eduardo e o levou a ser investigado na Operação Lava Jato, porém foi limado pelo governador. “Não me foi dado o direito de colaborar e ajudar”, afirmou no Senado esta tarde. Fernando Bezerra Coelho ainda disse que “erros administrativos e políticos” vêm se acumulando em Pernambuco.

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Acusado de traição por Jarbas, o senador afirmou: “Não fiz nada às escondidas. Não me convidei, fui convidado. Apresentei uma proposta e um plano de ação política. Busquei o diálogo, avisei das minhas decisões, não surpreendi ninguém.” Fernando Bezerra Coelho voltou a dizer que comunicou ao deputado a decisão de se filiar ao PMDB e as condições para isso. Desde junho, estava em negociação com Democratas, mas preferiu a articulação de Jucá para conseguir o comando do partido. 



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