Estudante publica estatuto da Arena no Diário Oficial e quer refundar partido da ditadura

Publicado em 13/11/2012 às 15:59 por em Notícias

Da Folha Online

A estudante de Direito Cibele Bumbel Baginski, 23, publicou nesta terça-feira (13) no "Diário Oficial da União" o estatuto da Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido que tenta fundar e que leva o mesmo nome da sigla que deu sustentação à ditadura militar (1964-1985). A jovem gaúcha assina o estatuto como presidente nacional do grupo.

A etapa é necessária para que o partido comece a coletar as cerca de 500 mil assinaturas exigidas para o registro na Justiça Eleitoral. Com o registro, a legenda passa a poder disputar eleições e a ter direito a uma parcela do Fundo Partidário, mantido com recursos da União. A parcela destinada a cada partido varia de acordo com sua votação para a Câmara dos Deputados na última eleição. Como exemplo, o PEN (Partido Ecológico Nacional) recebeu R$ 202 mil desde sua criação, em junho deste ano.

Questionada em agosto deste ano sobre a participação da Arena em crimes da ditadura, Baginski disse que também houve "coisas boas" naquela época. "O partido faz política, elege representantes. O que esses representantes fizeram é outra coisa", afirmou. Entre as bandeiras defendidas pelo partido estão ações como "abolição de quaisquer sistemas de cotas raciais, de gênero ou condições “especiais”", a maioridade penal aos 16 anos e o retorno ao currículo escolar das disciplinas de Latim e Educação Moral e Cívica – ensino imposto em 1969 e tirado do currículo em 1993.

O partido seria controlado por um "Conselho Ideológico", instância "suprema" composta por cinco membros permanentes e vitalícios e quatro indicados por membros. O texto diz que o grupo possui como ideologia o "conservadorismo, nacionalismo e tecno-progressismo, tendo para todos os efeitos a posição de direita no espectro político".

Dois de seus objetivos são lutar "contra a comunização da sociedade e dos meios de produção além de outras práticas insidiosas ao pleno desenvolvimento e qualidade da sociedade brasileira" e "resguardar a soberania nacional, o regime democrático e o pluralismo político de toda forma de uniformidade de pensamento ou hegemonia política." Em respeito à convicções ideológicas de direita, a agremiação "não coligará com partidos que declaram em seu programa e estatuto a defesa do comunismo, bem como vertentes marxista".

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