Pela primeira vez na campanha, Humberto Costa joga João da Costa e gestão do PT no colo de Geraldo Julio

Publicado em 15/09/2012 às 13:32 por em Notícias

Flora Matos/ JC Imagem

O candidato do PT no Recife, Humberto Costa, mantendo o tom incisivo que vem adotando contra os ex-aliados na Frente Popular, bateu agora duramente no prefeito João da Costa, também do PT, no debate realizado nesta manhã de sábado, pela Rádio Jornal, com o comunicador Aroldo Costa.

Possivelmente tentando jogar no colo dos socialistas a rejeição à gestão do PT na capital pernambucana, o candidato do PT ainda associou diretamente o nome do candidato socialista, Geraldo Júlio, a João da Costa.

"João da Costa não reclama das críticas que o socialista faz pela TV. Parece que ele está torcendo por outro candidato. Já estou conformado com esta realidade, de que ele não me apoia. João da Costa apoia Geraldo Júlio", afirmou, em dado momento.

Disse mais: “O governo é de continuidade e tem ações relevantes na habitação e a Via Mangue, mas tem fragilidades e isso foi a razão que procuramos fazer mudança do candidato por alguém mais experiente. Nunca ataquei o prefeito, tenho defendido o governo dele, mas estranho quando ele não revida os ataques do candidato do PSB a sua gestão. Geraldo é do PSB, o vice dele é Milton, também do PSB”, provocou Humberto Costa. “Acho estranho quando o prefeito não questiona isso, parece que ele está torcendo pelo candidato do outro partido, mas ele vem para rádio e ataca o candidato do próprio partido”, declarou.

"O PSB precisa asssumir João da Costa. Geraldo Júlio critica a política habitacional, mas a secretaria de Habitação é comandada pelo PSB. Ele fala da violência, mas a Secretaria de Direitos Humanos é comandada pelo PSB. A secretaria de Planejamento também. Assim, Geraldo Júlio não assume a responsabilidade que ele tem na gestão do PT/PSB", criticou, na mais explícita declaração de rompimento da aliança com os socialistas até aqui na campanha.

A cobrança pública pode ser interpretada como uma resposta às críticas que o próprio prefeito João da Costa fez a campanha do PT, em debate na Rádio JC/CBN, na quinta-feira.João da Costa poupa Geraldo Júlio e diz que ele sofre preconceito por ser técnico

A troca de farpas foi iniciada pelo próprio Humberto Costa, ao ser questionado o porquê de não fazer a defesa da gestão do prefeito na sua campanha. O senador disparou contra o “discurso de oposição” do candidato socialista.

“O vice-prefeito do Recife se chama Milton Coelho e é do PSB”, atacou o senador se referindo voltando-se diretamente para o candidato socialista.

Na primeira oportunidade que teve de perguntar a Humberto Costa, no terceiro bloco, Geraldo Júlio deu uma resposta direta ao petista, com um apelo.

“Humberto, não me coloque no meio da briga de vocês do PT. Todo mundo sabe o que você fez com João Paulo, com Rands. Além disto, quem governa o Recife é o PT. João da Costa já disse que tem 30 anos de partido e vai votar em você!”, afirmou, na lata. Costa disse que o PT brigava pela população, com ações como melhoria do salário mínimo, bolsa família.

Noutra fala incisiva, logo depois desta observação do socialista, o petista Humberto Costa fez questão de associar Geraldo Júlio com a gestão do PT no Recife. “Não se sabe se Geraldo é oposição ou é governo. Ele fica tirando onda de oposição, mas você é governo também no Recife”, pontuou Humberto Costa. No mesmo instante, o petista reclamou que, ao falar de habitação, o candidato socialista deixou o secretário de Habitação na mão. “Geraldo tirou o corpo fora, dizendo que trabalha em outro governo (do Estado). Nem prestar solidariedade ele faz (para não atrair a rejeição da gestão)”, frisou.

Na mesma esteira de desconstrução dos adversários, o candidato do PSDB, Daniel Coelho, também entrou no tema ao comentar o tema habitação. 

Daniel parece ter abordado a questão habitacional de caso pensado, quando teve a oportunidade de perguntar ao socialista e escolheu o tema. Como já havia feito outras vezes, Geraldo Júlio prometeu acelerar a habitação, admitindo que a velocidade era lenta, mas sempre prometendo imprimir um novo ritmo, como o Governo do Estado. “Geraldo Júlio é o candidato das promessas, que fez tudo, mas o secretário de Habitação é do PSB e não tem feito nada na cidade. Ele fala como se fosse de oposição, mas o responsável não pode ser a solução. Eles querem enganar as pessoas”, atacou.

Em resposta, o socialista chamou Daniel Coelho de “candidato do blá-blá-blá”. “É natural que você não conheça as dificuldades do serviço público, Daniel, você nunca ocupou nenhum cargo. Você fica com esse blá-blá-blá que só faz cansar a população”, disparou.

“Falar em João, José e Maria ou em fiado, como você gosta, só isto não resolve a vida das pesssoas”, criticou o socialista. “Discurso não tapa buraco, não faz casa”.

Falta de solidariedade

No embate com o socialista, o tucano chegou a cobrar, publicamente, a entrega de cargos pelos socialistas. “Vocês estão juntos e misturados. Qual a razão para não entregarem os cargos, as três secretarias que contam no Recife? Se não estão gostando do PT, devolvam os cargos”, defendeu.

Geraldo Júlio respondeu que o PSB participa da gestão, mas que quem lidera a gestão é o PT. Citou ainda que o governo do Estado repassou R$ 73 milhões para o Recife, mas sem detalhar onde foram aplicados.

O tucano ainda reclamou que o candidato do PSB não tenha nem defendido o vice-prefeito Milton Coelho, do mesmo partido de Geraldo Júlio. “Milton deve estar triste com sua falta de solidariedade. Ele ignora, não defende nem o vice do partido dele”.

“Nós somos a mudança, as pessoas estão reconhecendo isto em nós. Vamos fazer diferente, como no governo do Estado, com ação, realização e trabalho”, devolveu Geraldo Júlio.
 

Responsabilidades no Recife

O candidato do Democratas, Mendonça Filho, também aproveitou a oportunidade para clarear os palanques que estão em disputa na capital pernambucana, associando o PSB e o PT, como fez inicialmente Humberto Costa. “Você e Humberto Costa estão comandando esta cidade há 12 anos. Vocês tem que assumir que são gestão da gestão municipal no Recife”, atacou.

Esquivo, o socialista Geraldo Júlio esclareceu que trabalhava no governo do PSB no Estado e que este estava ajudando Pernambuco a se desenvolver. “É neste governo que eu tenho responsabilidade (na PCR, por essa lógica, não)”, disse. Na réplica, o democrata ironizou o socialista, lembrando que ele não era candidato a governador. “Querem romper com João da Costa? Assumam publicamente, com a entrega dos cargos!”, recomendou.

Tabelinha entre petista e democrata

Numa tabelinha entre Mendonça Filho e Humberto Costa, o candidato socialista foi o alvo. Na mesma linha de desconstrução que segue no guia eleitoral, o petista perguntou a Mendonça Filho se um secretário de Estado poderia fazer tudo. Costa abordou com enfase especial a vinda da Fiat para Pernambuco. “Geraldo Júlio não estava no palanque nem discursou em 2010 quando Lula anunciou a fábrica. Quem subiu no palanque foi Fernando Bezerra Coelho. Ele não era relevante, não foi nem citado no discurso”, reclamou.

No debate, Mendonça cobrou a responsabilidade conjunta dos candidatos do PT e do PSB na gestão que já dura 12 anos à frente da Prefeitura.

"A briga entre eles é grande, uma verdadeira cachorrada. Ambos escondem o atual prefeito, que é muito mal avaliado, e vêm com o discurso de que representam a mudança. Coisa nenhuma, estão os dois e seus respectivos partidos compartilhando a gestão que jogou a educação do Recife à última colocação entre as capitais, que paga uma fortuna por uma péssima coleta de lixo e que tem um péssimo sistema de saúde".

Mendonça Filho disse que existe uma fadiga na gestão PT-PSB. "São 12 anos e a gestão claramente não anda. O Recife travou, não tem qualquer perspectiva de contar com planejamento de médio e longo prazo. Tudo aponta para a mudança e nós nos colocamos como a alternativa de oposição mais apta a realizar essas mudanças com a segurança que a cidade precisa".

Nas considerações finais, o candidato socialista falou mais uma vez em paz política e que não iria entrar no jogo dos adversários.  “Ficou clara a diferença entre as candidaturas. Temos a nossa candidatura propositiva e candidaturas que preferem agredir. Hoje até um levantando a bola para o outro bater em mim. Mas não vou entrar nessa, vou continuar no bem”, discursou Geraldo Júlio.

Numeriano fora

Mediado pelo jornalista Aroldo Costa, o debate da Rádio Jornal também teve a participação do postulante Roberto Numeriano (PCB), cuja ida não estava prevista. De posse de uma liminar, Numeriano conseguiu participar do primeiro bloco da sabatina. Contudo, a Rádio Jornal, amparada na Legislação Eleitoral, impediu que ele participasse dos demais.
 

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