Ferraz e Novaes: Floresta será, mais uma vez, palco de disputa

Publicado em 08/02/2012 às 23:50 por em Notícias

FLORESTA – Em outubro, esta pacata cidade sertaneja de cerca de 30 mil habitantes será palco, mais uma vez, da disputa das lendárias famílias Ferraz e Novaes. Apesar de há pelo menos quatro anos não haver uma morte por conta das lendárias brigas entre as duas famílias, o clima na cidade é de eterno conflito. Em Floresta, todo mundo precisa ter um lado.

Pelo lado dos Novaes, a candidata será a atual prefeita, Rosangela de Moura Maniçoba, a Rorró Maniçoba (PSB). Apesar de ela mesma não ser de nenhuma das duas famílias, é casada com um Novaes. Enfrentará Carlos Henrique Ferraz, o Cacá Ferraz, que já figurou no PMDB, mas agora pertence aos quadros do PDT.

A aparente paz no município que fica a 439 quilômetros do Recife será, inclusive, uma das bandeiras que Rorró pretende usar na campanha. "Não foi constatado entrave entre as duas famílias que acabasse em homicídio. A última morte foi na gestão anterior", salientou a prefeita. Antes dela, a prefeitura era comandada por Afonso Augusto Ferraz (PSDB).

Rorró Maniçoba foi eleita em 2008 com 8.060 votos. O segundo lugar, Cacá Ferraz, teve 7.681 votos.

A rixa entre as famílias Ferraz e Novaes, de Floresta, teve início em 1913 pela disputa do poder político. Depois de um período de aparente paz, as mortes voltaram em 1992, com o assassinato do então prefeito Francisco Ferraz Novaes. Um primo era o maior suspeito. Os Ferraz acharam que o crime foi em virtude do prefeito estar combatendo o cultivo da maconha. Em dezembro do mesmo ano, os Ferraz conseguiram matar três Novaes, e em abril de 1993, um triplo homicídio abalou Floresta. Um dos mortos era filho do prefeito assassinado em 1992 e mais uma vez as desconfianças caíram sobre os Novaes.

Três meses depois, mais um Novaes é morto. E em dois anos, nesta segunda fase de desavença, nove crimes são registrados entre as duas famílias. Dois anos depois, o comerciante Lúcio Flávio Menezes Novaes foi preso em Olinda, acusado de ter participado de um duplo e triplo assassinato em Floresta em 1993. Nele, morreram Francisco Novaes, Henrique Ferraz e Ricardo Santos. Lúcio Flávio, confessou à Polícia sua participação alegando legítima defesa. Dia 5 de julho de 1997, ele foi morto a tiros em Floresta.

Também em 1997, a cidade de Floresta, mais uma vez ficou sob tensão com o assassinato de Danilo Novaes e Dilson Silva. Eles foram assassinados numa emboscada na periferia de Petrolina. Cerca de 10 homens armados com pistolas e espingardas cercaram o carro das vítimas. O crime foi atribuído aos Ferraz de Floresta ou os Ferreira de Serra Talhada. Danilo era considerado um homem "marcado". Além dos vários atentados que passou, sua esposa foi encontrada morta dentro de casa com um tiro três anos antes de sua morte.

Outras mortes ainda aconteceram em anos seguintes.

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