Ir para o conteúdo

Blog – Casa Saudável

Novo tratamento para hepatite C tem taxa de cura de 90% (Foto: Free Images)

Novo tratamento para hepatite C tem taxa de cura de 90% (Foto: Free Images)

Yara Aquino, da Agência Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) terá três novos medicamentos para o tratamento da hepatite viral C crônica. O uso do sofosbuvir, daclatasvir e simeprevir na rede pública está previsto em portaria da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, publicada na edição desta terça-feira (23/6) do Diário Oficial da União.

Na semana passada, o ministério anunciou a previsão de incorporar os três medicamentos, que aumentam as chances de cura e reduzem o tempo de tratamento. A adoção foi aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.

Leia também:

>> Tratamento inovador para hepatite C, com taxa de cura de 90%, chega ao SUS

O Ministério da Saúde informou que o novo tratamento tem taxa de cura de 90%, enquanto o usado atualmente tem eficácia de cura que varia entre 50% e 70%. Outra vantagem apontada é a diminuição do tempo da terapia de 48 semanas para 12 semanas. Os medicamentos poderão ser usados por pacientes que acabaram de receber o diagnóstico de hepatite C e pelas pessoas que já completaram o tratamento atual, mas que não se curaram.

Os medicamentos serão adquiridos de maneira centralizada pelo Ministério da Saúde para distribuição aos Estados. A previsão é que, no primeiro ano de uso, será adquirido o suficiente para o atendimento de 15 mil pacientes. A estimativa é que o valor da compra seja de R$ 500 milhões.


No inverno, a queda da umidade relativa do ar costuma piorar os sintomas de quem tem a síndrome do olho seco (Foto: Free Images)

No inverno, a queda da umidade relativa do ar costuma piorar os sintomas de quem tem a síndrome do olho seco (Foto: Free Images)

Da Agência Brasil

O inverno começou no último domingo (21/6) em todo o País, com a ocorrência de dias mais frios e a utilização de agasalhos por boa parte da população. A estação pode trazer risco de complicações para a saúde visual das pessoas. O alerta é do presidente da Comissão de Projetos Especiais da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), Marcus Safady.

Enquanto o verão é caracterizado por conjuntivites bacterianas e a primavera por conjuntivites alérgicas, no inverno a queda da umidade relativa do ar costuma piorar os sintomas de quem tem a síndrome do olho seco, ou olho ressecado, que inclui sensações de queimação, areia, embaçamento, entre outros. “É uma época de umidade mais baixa, na qual as pessoas que já têm um ressecamento ocular tendem a sofrer um pouquinho mais.”

Durante a fase do inverno, Safady destaca que, se a pessoa tiver que permanecer em ambientes mais agressivos, com ar condicionado muito forte, ou sujeito a vento ou poeira, é preciso tomar cuidados adicionais. O colírio, por exemplo, “que é, normalmente, uma lágrima artificial que o paciente utiliza, deve ser usado mais vezes”. Marcus Safady lembra que, em viagens de avião que duram mais de oito horas, o passageiro deve, além de beber muito líquido e lavar o rosto, pingar colírio, ou lubrificante ocular, de meia em meia hora. “São maneiras de minorar as complicações que o meio ambiente traz para o paciente com olho ressecado”.

Particularidades em cada região do Brasil

Essa síndrome do olho seco difere de região para região do País porque varia com a umidade do ar. “Quanto menor a umidade, mais sintomas vai ter esse paciente e mais cuidados e mais frequência de uso desses colírios”, explica. Ele acrescenta que é muito comum um paciente que tem a síndrome do olho seco equilibrada no Rio de Janeiro e se muda para Brasília ter uma piora no quadro de ressecamento ocular, além da parte respiratória, em certas épocas do ano em que a umidade cai ainda mais. “A regionalidade do problema é proporcional à umidade do ar”, enfatiza.

Safady observou que o computador também desencadeia sintomas de ressecamento ocular para uma pessoa que normalmente não tem essa síndrome. Isso é agravado se o ambiente tem ar-condicionado muito frio. De acordo com o oftalmologista, a gente pisca, em média, uma vez a cada seis ou dez segundos. Estudos indicam que, quando a pessoa está no computador, ela chega, às vezes, a ficar 30 segundos sem piscar, com repercussões na lubrificação ocular e nos sintomas de ressecamento.

A recomendação do especialista é que a pessoa procure piscar mais vezes diante do computador. A média ideal é piscar a cada dez segundos. “Ao mesmo tempo, piscar mais e instilar mais o colírio protetor. A orientação básica é essa: piscar e lubrificar”.

Safady admitiu que o uso de umidificadores em casa ou no trabalho pode ser útil durante o inverno, aumentando a umidade do ar e melhorando os sintomas da síndrome. Em relação ao uso de óculos escuros durante o inverno, disse que não há contraindicação. Os óculos protegem mais mecanicamente contra vento ou poeira, mas não proporcionam nenhuma vantagem terapêutica. A pessoa pode usar óculos escuros se a incidência de luz incomodar.


Conheça os riscos do consumo excessivo de álcool por atletas

23 de junho de 2015 | postado por Cinthya Leite
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, não existe um nível seguro para o consumo de álcool (Foto: Free Images)

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, não existe um nível seguro para o consumo de álcool (Foto: Free Images)

O  Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) faz um alerta em relação ao uso de álcool por atletas.

Confira alguns detalhes sobre o tema

1 – Bebida alcoólica pode gerar aumento de peso por fornecer uma considerável quantidade de calorias e não oferecer nutrientes, como proteínas, vitaminas ou minerais. Cada grama de álcool puro fornece sete calorias. O total de calorias nas bebidas alcoólicas, no entanto, varia amplamente de acordo com o tipo de bebida, por conter outros ingredientes além do álcool. Por exemplo, uma lata de cerveja possui a quantidade de calorias equivalente a uma barra de 30 gramas de chocolate ou a uma unidade de pão francês, aproximadamente.

2 – O consumo de álcool pode prejudicar a performance dos atletas, o processamento de informações, assim como habilidades psicomotoras (tempo de reação, precisão, equilíbrio, coordenação complexa e capacidade de tomar decisões mais rápidas e racionais). Em esportes que envolvem rápida mudança de estímulos, o desempenho do atleta será ainda mais prejudicado com uso do álcool.

3 – A ingestão de álcool pode levar à diminuição do uso de glicose e aminoácidos pelos músculos, o que dificulta o depósito de energia e o metabolismo durante o exercício. Os estudos também revelam que o álcool tem propriedades inflamatórias, o que pode prejudicar a disponibilidade de nutrientes e diminuir a secreção do hormônio do crescimento.

4 – Muitos atletas, ao concluírem longas provas, fazem uso de medicamentos como anti-inflamatórios, analgésicos e relaxantes musculares. Alguns dos componentes dessas medicações não devem ser consumidos concomitantemente com álcool pelos potenciais efeitos tóxicos para o fígado. E mais: uma série de anti-inflamatórios não esteroidais expõe a mucosa do estômago a efeitos adversos potencialmente graves, assim como o álcool, o que implica em risco ainda maior quando usados ao mesmo tempo.

5 – O atleta que deseja conquistar grandes resultados tende a se beneficiar por restringir o consumo de bebida alcoólica. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), não existe um nível seguro para o consumo de álcool. Se a pessoa bebe, há risco de problemas de saúde (e outros), especialmente se bebe mais de duas doses por dia e não deixa de beber pelo menos por dois dias na semana.


Crianças entre 1 e 4 anos de idade devem ser transportadas em cadeirinhas com encosto e cinto próprio (Foto: Cinthya Leite/Arquivo pessoal)

Crianças entre 1 e 4 anos de idade devem ser transportadas em cadeirinhas com encosto e cinto próprio (Foto: Cinthya Leite/Arquivo pessoal)

Resolução aprovada em 17 de junho pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) obriga que os veículos de transporte escolhar passem a utilizar os devidos dispositivos de retenção – as cadeirinhas – para crianças de até 7 anos e meio. Para entidades de regulação e proteção à criança, a medida, com algumas ressalvas, é um avanço na segurança infantil.

“A forma mais segura de transportar crianças no veículos é na cadeirinha, então entendemos que a decisão do Contran representa um avanço para a segurança infantil no trânsito. Mas chamamos atenção para uma questão, para que a cadeirinha garanta a proteção da criança no veículo, é fundamental que ela seja instalada corretamente, ou seja, em cintos de três pontos, porém a maior parte da frota de transporte escolar conta apenas com os cintos de dois pontos”, ressalta Gabriela Guida, coordenadora nacional da ONG Criança Segura.

Conforme a legislação, crianças de até 1 ano devem ser transportadas no “bebê-conforto”, entre 1 e 4 anos de idade, em cadeirinhas com encosto e cinto próprio. Os assentos de elevação que utilizam cinto de segurança que ficam na altura do pescoço da criança, devem ser usados para crianças entre 4 a 7 anos. A regra já vale para carros de passeio, e não para transporte coletivo, como vans e ônibus, de aluguel, táxis e os demais com peso bruto superior a 3,5 toneladas. Continuarão desobrigados de oferecer cadeirinha vans e ônibus que não sejam de transporte escolar.

A obrigatoriedade do selo do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) nas cadeirinhas fabricadas e comercializadas no Brasil é uma das conquistas em prol da sociedade. Os tipos de dispositivos e como eles devem ser utilizados estão descritos no Guia da Cadeirinha.

Acidentes

A segurança dos pequenos foi objeto de levantamento do Datasus em 2014. De acordo com os dados, 1.862 crianças de até 14 anos morreram vítimas do trânsito. Deste total, 31% corresponderam aos atropelamentos, 30% aos acidentes com a criança na condição de passageira do veículo, 9% como passageira de motocicleta, 7% na condição de ciclista e os 23% restantes corresponderam a outros tipos de acidentes de trânsito. Além das mortes, 14.720 crianças foram hospitalizadas vítimas de acidentes de trânsito.

Desde 2011 a representatividade dos atropelamentos vem diminuindo. Em 2011, a marca foi de 39%; 31% em 2012 e 30% em 2013. Por outro lado, dentre as mortes infantis no trânsito, os óbitos em que a criança estava dentro de um veículo aumentou 26% dos casos em 2011, e 30% em 2012 e 2013.

Em 2012, 547 crianças morreram e 1.386 foram internadas vítimas de acidentes como ocupantes de veículos. Testes de colisão mostram que em um acidente uma criança de 10 kg, em um carro com velocidade de 50 Km/h, passa a ter 500 kg ao ser lançada para frente. Ou seja, mesmo no colo, uma mãe nunca conseguiria segurar a criança nessa situação ou poderia esmagá-la. “A melhor proteção para as crianças no carro é o uso do bebê conforto, cadeirinhas e assentos de elevação, de acordo com o peso delas. Esses itens passaram a ser obrigatórios desde 2010. O cinto de segurança é projetado para pessoas com no mínimo 1,45m de altura e por isso não protege as crianças dos traumas de um acidente”, alerta a coordenadora da Ong.

Tags:

Festas de São João: Barulho dos fogos de artifício ameaçam a audição

22 de junho de 2015 | postado por Cinthya Leite
Explosões de fogos de artifício, rojões e bombinhas podem causar efeitos nocivos à saúde auditiva (Foto: Beto Figueirôa/Acervo JC Imagem)

Explosões de fogos de artifício, rojões e bombinhas podem causar efeitos nocivos à saúde auditiva (Foto: Beto Figueirôa/Acervo JC Imagem)

A saúde auditiva também merece atenção especial neste período junino. Precisamos ficar atentos a dois principais vilões: os longos períodos em que ficamos expostos à música alta e a utilização de fogos de artifício. O Conselho Regional de Fonoaudiologia 4ª Região, com sede no Recife, orienta a população para os riscos. As explosões de fogos de artifício, rojões e bombinhas podem causar efeitos nocivos à saúde auditiva. A exposição ao forte ruído pode levar a perda de células auditivas, perfuração do tímpano, sensação de zumbido, além do risco de queimaduras durante a utilização dos fogos.

A música que anima as festas juninas também pode ser vilã, no caso de exposição a altos volumes. O nível de som suportado pelo ser humano, sem que isso lhe cause prejuízo ao aparelho auditivo, gira em torno de 60-70 decibéis, a depender da intensidade e do tempo de exposição. Em festas abertas, como os pátios de forró, a música geralmente costuma ser mais alta do que o limite máximo. É aconselhável uma distância de pelo menos 10 metros da fonte sonora (bandas, caixas de som e/ou trio elétrico).

O zumbido, que pode surgir durante ou após a exposição da pessoa a altos níveis sonoro, pode durar horas ou dias, a depender da lesão imposta ao ouvido por essa exposição indevida. E mais: pode ser um indicativo de perda auditiva.

Os cuidados devem ser redobados com crianças. “Os pais que levam o filhos pequenos a eventos com fogos de artifício devem ter cuidado com o tempo em que essa criança fica exposta a explosões, pois os danos auditivos nessa fase costumam ser maiores do que na idade adulta e geralmente são irreversíveis”, orienta o fonoaudiólogo Gleybson Lenon.

Outra dica é, a cada 30 minutos, ficar longe do barulho por 10 minutos. Dessa forma, o ouvido tem tempo para se recuperar. O fonoaudiólogo lembra a importância de não se automedicar. “Alguns medicamentos podem provocar ototoxidade, que é um termo utilizado para indicar medicamentos que podem danificar o ouvido, o que pode levar à perda auditiva, zumbido ou distúrbios de equilíbrio”, alerta.

Vale destacar que, se o zumbido ou a sensação de abafamento durar mais de três dias, a recomendação é procurar um otorrinolaringologista para verificar se houve alguma lesão.

Confira os sinais da perda de audição

– Dificuldade para compreender o que os outros falam.

– Necessidade de aumentar o volume do som ou da TV frequentemente.

– Dificuldade para entender conversa ao telefone ou celular e palavras quando há mais pessoas falando ao redor.


Zika vírus: Pernambuco confirma quatro casos

22 de junho de 2015 | postado por Cinthya Leite
O Zika vírus é transmitido pelo mesmo mosquito da dengue. Isso torna ainda mais importante as ações de controle do Aedes aegypti (Foto: Free Images)

O zika vírus é transmitido pelo mesmo mosquito da dengue. Isso torna ainda mais importante as ações de controle do Aedes aegypti (Foto: Free Images)

A Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES) confirma os primeiros casos de zika vírus no Estado. A comprovação foi dada pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), laboratório de referência nacional, localizado em Belém, no Pará. De 11 exames, quatro deram positivo para a enfermidade e sete foram descartados. Ainda há 36 amostras em análise no laboratório IEC.

“Como ainda não há um protocolo nacional específico para vigilância e tratamento do zika vírus no Brasil, a nossa recomendação para os profissionais médicos é continuar notificando os casos suspeitos como dengue e fazer o tratamento do paciente como determina o manejo clínico dessa doença, lembrando também da necessidade de hidratação”, diz o diretor geral de Controle de Doenças e Agravos da SES, George Dimech.

Leia mais

>> Virose deve ser notificada como dengue, recomenda Governo de Pernambuco

>> Infectologista explica dengue, febre chikungunya e zika vírus

“Isso é importante porque zika e dengue possuem a mesma sintomatologia e o mesmo tratamento. A diferença é que, entre elas, a dengue é a única que mata. Por isso, a necessidade de sempre suspeitar dessa enfermidade”, acrescenta George Dimech.

No Brasil, ainda não há sorologia disponível comercialmente para a realização em massa dos testes de zika vírus. Atualmente, o Ministério da Saúde (MS) está estudando como será o protocolo e como fazer a disseminação do teste comprobatório para os Estados.

“O zika vírus é transmitido pelo mesmo mosquito da dengue. Isso torna ainda mais importante as ações de controle do Aedes aegypti tanto pelos municípios quanto pela população. Qualquer recipiente com água parada, seja uma tampa de garrafa ou uma caixa d’água, pode se transformar em um criadouro. Precisamos ficar vigilantes para eliminar esses possíveis focos, principalmente nas residências, responsáveis por cerca de 90% desses depósitos. Só assim conseguiremos diminuir o número de casos de dengue e evitar a nova enfermidade”, afirma George Dimech.

Casos em Pernambuco

As confirmações de zika vírus foram nos municípios de Jaboatão dos Guararapes (mulher de 24 anos), Olinda (homem de 19 anos e homem de 61 anos) e Recife (criança do sexo feminino de 13 anos). Todas as notificações ocorreram na primeira quinzena do mês de março. Os pacientes tiveram manchas vermelhas pelo corpo, febre, coceira e dor nos olhos, articulações e no corpo, sintomas também característicos dos casos de dengue.

Saiba mais

Doença viral aguda transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e caracterizada pelo aparecimento de manchas avermelhadas pela pele, febre, dores articulares ou musculares, dor de cabeça, coceira. Os sintomas desaparecem entre o terceiro e o sétimo dia. Geralmente não há complicações graves e não há registro de mortes. A taxa de hospitalização é baixa. De acordo com o Ministério da Saúde, na literatura, 80% dos casos das pessoas infectadas não desenvolvem manifestações clínicas.

No Brasil, já há confirmações de Zika vírus na Bahia, Rio Grande do Norte, Maranhão, Alagoas, Roraima, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo. Todos os casos foram comprovados pelo Instituto Evandro Chagas.

No mundo, atualmente, há registro de circulação esporádica na África (Nigéria, Tanzânia, Egito, África Central, Serra Leoa, Gabão, Senegal, Costa do Marfim, Camarões, Etiópia, Quénia, Somália e Burkina Faso) e Ásia (Malásia, Índia, Paquistão, Filipinas, Tailândia, Vietnã, Camboja, Índia, Indonésia) e Oceania (Micronésia, Polinésia Francesa, Nova Caledônia/França e Ilhas Cook). Casos importados foram descritos no Canadá, Alemanha, Itália, Japão, Estados Unidos, Austrália e Ilha de Páscoa.


Serviço registrou atendimento de 331 casos de violência sexual contra as mulheres em 2014 (Foto: Free Images)

Serviço registrou atendimento de 331 casos de violência sexual contra as mulheres em 2014 (Foto: Free Images)

Mulheres entre 20 e 34 anos totalizam 45% do público que procura o Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa, iniciativa especializada no atendimento de saúde de casos de violência contra o público feminino. Localizado no Hospital Agamenon Magalhães (HAM), no Recife, o espaço completa 14 anos de funcionamento nesta segunda-feira (22/6) e realiza cerca de 160 atendimentos por mês, entre primeiros cadastros, retornos e reincidências.

O segundo público que mais procura o serviço é formado por mulheres entre 15 e 19 anos; 35 e 49 anos (18% cada). De 10 a 14 anos, a representatividade é de 12% dos casos. Funcionando 24 horas por dia, o serviço realizou mais de 7,5 mil atendimentos desde o início do seu funcionamento.

O local conta com uma equipe multiprofissional, formada por médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos, que auxiliam o público feminino em caso de violência sexual, física ou moral. Em 2014, a maioria dos casos foi de violência sexual, totalizando 331 atendimentos. Já a violência física totalizou 134.

“No momento em que a mulher chega, ela é recebida por uma assistente social, responsável pelo acolhimento. Depois, ela é encaminhada ao médico e enfermeira, como também à psicóloga de plantão. Na consulta, verificam-se os protocolos necessários para cada tipo de caso. É importante ressaltar ainda que todo o atendimento garante o sigilo da paciente e que são realizadas as orientações caso ela queira denunciar o ocorrido na esfera criminal”, afirma o coordenador do Wilma Lessa, Arlon Silveira.

Quando o atendimento é relacionado à agressão sexual, por exemplo, o protocolo inclui o uso de contraceptivo de emergência, do coquetel para DST/HIV, exames subsequentes e, se necessário, o aborto previsto em lei. Todas as medidas são rigorosamente analisadas pelos médicos e equipe de plantão. Em caso de violência física, a mulher pode ser atendida na emergência do Hospital Agamenon Magalhães ou, se necessário, ela será encaminhada a outra unidade.

PERFIL – De acordo com levantamento do Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa, 45% das mulheres atendidas no espaço têm entre 20 e 34 anos. Em seguida vem o público entre 15 e 19 e 35 e 49, com 18% cada. De 10 a 14 anos, a representatividade é de 12% dos casos.


Doença crônica, artrite reumatóide afeta as articulações a ponto de deixar sequelas irreparáveis. Foto: cortesia

Doença crônica, a artrite reumatoide afeta as articulações a ponto de deixar sequelas irreparáveis (Foto: Cortesia)

Por Marília Banholzer, do NE10

Dor, muita dor nas articulações. Esse é o principal sintoma de uma doença inflamatória crônica que afeta atualmente 2 milhões de pessoas no Brasil, sendo cerca de 90 mil somente em Pernambuco. A artrite reumatoide (AR) é um mal que atinge as “dobras do corpo” e que, se não for diagnosticada rapidamente, pode levar à incapacidade para a realização das atividades cotidianas, como pegar um copo e levantar da cama. Em casos mais avançados, há situações em que o paciente sofre lesões em órgãos importantes para o funcionamento do organismo, como o coração, pulmão e fígado, entre outros.

Um dado alarmante sobre a doença é que, entre os meses de fevereiro de 2014 e 2015, a AR e outras polioartropatias inflamatórias levaram à internação de 18.575 brasileiros em hospitais do Sistema Único de Saúde, gerando um custo total de R$ 11,8 milhões. Em Pernambuco, os centros de referência para atender esses casos são o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC/UFPE) e o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). Todos estão localizados no Recife.

O reumatologista Eliezer Rushansky alerta que, apenas no Huoc, cerca de 20 pessoas são diagnosticadas por mês com a enfermidade. “É importantíssimo que a artrite reumatoide seja identificada, pelo menos, nos três primeiros meses após os sintomas iniciais. Caso isso não aconteça, o paciente pode desenvolver sequelas permanentes e incapacitantes.”

Eliezer Rushansky alerta para a necessidade de identificar e tratar os primeiros sintomas antes de haver sequelas. Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

Eliezer Rushansky alerta para a necessidade de identificar e tratar os primeiros sintomas da doença precocemente, a fim de evitar sequelas (Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem)

Incapacitante, a artrite reumatoide afeta especialmente as mulheres (a cada quatro pacientes, três são do sexo feminino e um é homem). É comum que a enfermidade surja por volta dos 40 anos, no auge da vida profissional do indivíduo. Pesquisa divulgada recentemente em São Paulo mostra que a artrite reumatoide prejudica a vida profissional de 35% dos pacientes brasileiros: 17% pediram demissão; 16% mudaram de trabalho e 14% se aposentaram. O estudo foi realizado pela Nielsen, a pedido da farmacêutica Pfizer em 13 países.

De acordo com último levantamento do Instituto Nacional do Seguro Social  (INSS), somente em 2013, as doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo (grupo em que se encaixa a artrite reumatoide) foram responsáveis pela aposentadoria de 111.348 brasileiros, gerando um custo de quase R$ 88 milhões à Previdência Social. Além disso, a AR também levou, entre janeiro e abril deste ano, cerca de 2.100 pessoas ao auxílio-doença no País.

Exercícios são indicados aos pacientes de artrite reumatoide como parte do tratamento. Foto: Helia Scheppa/ Acervo JC Imagem

Exercícios físicos são indicados aos pacientes com artrite reumatoide. Atividade física faz parte do tratamento (Foto: Helia Scheppa/ Acervo JC Imagem)

A aposentada Angelita Antônia da Silva, 61 anos, que mora no bairro do Prado, Zona Oeste do Recife, recebeu o diagnóstico da doença há cerca de 15 anos. Passou aproximadamente dois anos por diversos médicos até descobrir o que a fazia sentir tantas dores nas articulações. Até lá, a falta da medicação correta fazia com que ela sofresse crises recorrentes, que levavam a faltas no trabalho.

“Passava até 15 dias de atestado médico, voltava a trabalhar por um mês e depois retornava com as crises. Cheguei a ficar quatro meses no auxílio-doença e não me aposentei por invalidez porque não quis. Eu me arrastava para ir ao trabalho até conseguir me aposentar por tempo de serviço. Só eu sei o que passei. Era muita dor: parecia uma dor de dente forte e que tomava conta do corpo todo”, relembra Angelita.

(Arte: Guilherme Castro/NE10)

Demora no diagnóstico

Sentir muitas dores nas articulações, peregrinar por unidades de saúde públicas ou privadas para tentar descobrir o problema de saúde. Essa é a realidade de 43% dos 2 milhões de brasileiros que foram diagnosticados atualmente com artrite reumatoide. Os dados são de uma pesquisa pioneira sobre a doença. Realizado pela farmacêutica Pfizer e conduzida pelo Instituto Ipsos em cinco capitais do País (Recife, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre), o estudo foi divulgado recentemente na capital paulista.

O levantamento Não ignore sua dor: pode ser artrite reumatoide ouviu 200 pacientes e revelou que, entre as cidades pesquisadas, Recife é aquela onde residem pacientes que passam menos tempo para descobrir o mal que os aflige. Na capital pernambucana, 65% dos doentes descobrem em menos de um ano que tem artrite reumatoide. Em seguida, aparecem São Paulo (60%), Belo Horizonte (55%), Rio (43%) e Porto Alegre (25%). A pesquisa ainda aponta que, entre as pessoas que descobriram a doença nos primeiros 12 meses, a maioria (76%) frequentava consultórios particulares.

Diretor médico da Pfizer Brasil, Eurico Correia afirma que novo medicamento é uma revolução no tratamento da AR. Foto: Marília Banholzer/NE10

Diretor médico da Pfizer Brasil, Eurico Correia afirma que novo medicamento é uma revolução no tratamento da artrite reumatoide (Foto: Marília Banholzer/NE10)

Avanço no tratamento

O estudo serviu para que a empresa farmacêutica Pfizer lançasse no mercado brasileiro um novo medicamento que promete revolucionar o tratamento da artrite reumatoide. Batizado de Xeljanz, o remédio é indicado para adultos com a doença na fase moderada a grave e que tiveram intolerância ou não responderam aos tratamentos sintéticos ou biológicos. Administrado via oral, o comprimido precisou de cerca de 20 anos para ser desenvolvido.

Antes de ser aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o medicamento passou por testes que envolveram 5,7 mil pessoas em 40 países – entre elas, a dona de casa Ivone Ferreira. Há cinco anos, ela toma o novo produto duas vezes por dia e revela ter notado uma grande melhora em seu quadro clínico. “Quando entrei na pesquisa, não aguentava mais aquelas dores. Eu faria qualquer coisa para acabar com aquilo. Não queria ser uma pessoa incapaz, dependente. Foi um milagre ter entrado nesse programa”, diz a paciente.

O diretor médico da Pfizer Brasil, Eurico Correia, acredita que o fármaco é um avanço importante no tratamento das pessoas diagnosticadas com artrite reumatoide. “Xeljanz apresenta o mesmo perfil de eficácia e segurança dos medicamentos biológicos, mas com a comodidade de ser oral. Além disso, ele trouxe benefícios até para aqueles que já não respondiam aos demais produtos. O preço dele também será menor do que a média paga pelo SUS para os demais tratamentos de artrite reumatoide”, explica Eurico Correia.

O novo produto custa, em média, R$ 3.450 (R$ 1.250 a menos do que a média dos medicamentos utilizados atualmente). A empresa farmacêutica está em negociação com o Governo Federal para colocá-lo na gama de tratamentos de alto custo fornecidos pelo serviço público.


Imip já oferece residência de pediatria com três anos. O residente Arino já segue o novo currículo, sob o olhar dos seus preceptores, como o pediatra João Guilherme Alves (Foto: André Nery/JC Imagem)

Imip já oferece residência de pediatria com duração de três anos. O residente Arino Neto (à esq.) já segue o novo currículo, sob o olhar dos seus preceptores, como o pediatra João Guilherme Alves (Foto: André Nery/JC Imagem)

A pediatria estava mesmo precisando de um novo ar para voltar a conquistar a garotada cheia de energia que invade os consultórios – e também para reconquistar as mães, que vivem a colecionar dúvidas de tantas informações divergentes que encontram ao fuçar as redes sociais e o tão afamado Dr. Google. Queremos pediatras que sejam também médicos da família (afinal, para cuidar da criança, ele precisa entender a dinâmica familiar) e que não se aborreçam pelo simples fato de nós, mães, desejarmos criar uma relação de confiança com eles. É óbvio: o número do celular deles está entre os primeiros da lista de emergência.

Leia também:

>> Os pediatras se renovam com grandes desafios

>> Os mil dias mais valiosos da vida de uma criança merecem muito apreço

Toda essa mudança de comportamento na sociedade (e, claro, várias mudanças no padrão da saúde) levou a comunidade pediátrica a ter um olhar mais apurado para a infância e a resgatar a importância da especialidade. Para dar conta das novas demandas da pediatria em todo o mundo, foi preciso reformular o currículo para formação dos novos médicos que têm a missão de cuidar das nossas crianças. Foi ampliado o tempo de formação de dois para três anos, com atualização do conteúdo de acordo com as novas descobertas científicas e as mudanças ocorridas na sociedade.

Em 2014, cinco serviços já começaram a implantar o novo currículo: Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Brasília (UnB), Hospital Pequeno Príncipe (Curitiba/PR), Hospital dos Servidores (Rio de Janeiro/RJ) e Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip/PE). Até 2017, todos os outros programas de residência de pediatria do Brasil deverão seguir o novo currículo, elaborado pelo Consórcio Global de Educação Pediátrica (GPEC, sigla em inglês), aliança formada por instituições que representam mais de 50 países, como China, Japão, Estados Unidos e Alemanha, além do Brasil.

Diante desse cenário da nova formação, uma boa notícia: aumentou o interesse dos médicos em fazer pediatria, depois de a especialidade passar aproximadamente uma década no esquecimento. Talvez os estudantes de medicina estivessem pouco interessados em seguir uma residência com conteúdos pouco compatíveis (ou ultrapassados) com a infância da atualidade.

“Em Pernambuco, para a residência de pediatria, a concorrência é de oito candidatos por vaga. Em 2011, essa relação era de três para uma. Isso mostra o resgate da nossa especialidade e o interesse por parte dos recém-formados”, diz Eduardo Jorge da Fonseca Lima, coordenador-geral das residências do Imip.

"Devemos estar preparados para lidar com temas que tomam conta atualmente dos consultórios, como hiperatividade, autismo e bullying", diz Eduardo Jorge (Foto: André Nery/JC Imagem)

“Devemos estar preparados para lidar com temas que tomam conta atualmente dos consultórios, como hiperatividade, autismo e bullying”, diz Eduardo Jorge (Foto: André Nery/JC Imagem)

Aos 51 anos, Eduardo Jorge reconhece que a pediatria tem novos caminhos a percorrer, o que exige do médico reciclagem constante. “Precisamos desenvolver novas competências para lidar com configurações familiares modernas e aspectos sociocomportamentais apresentados pelas crianças de hoje. Devemos estar preparados, por exemplo, para lidar com temas que têm invadido consultórios, como hiperatividade, autismo e bullying.”

Pois é, quem quiser abraçar pra valer a pediatra precisa desenvolver aptidões e seguir comportamentos necessários a um médico que tem a incumbência de mirar o futuro (digamos, a velhice) enquanto cuida dos primeiros anos de vida. Vencida a fase crítica da mortalidade infantil (há cinco décadas, num universo de cada 10 crianças nascidas vivas, uma não fazia nem o primeiro aniversário), os pediatras agora alinham um discurso com as mães para que sejam adotadas estratégias capazes de criar hábitos saudáveis, nos primeiros anos de vida, que se perpetuem até o envelhecimento.

Sabe por quê? Aquelas doenças crônicas (diabetes e hipertensão, apenas para citar algumas) têm origem na infância. É fundamental começar um trabalho preventivo precocemente mesmo.

(Editoria de Artes/JC)

(Editoria de Artes/JC)

E mais: como os primeiros anos de vida são essenciais para o fornecimento de estímulos, a sociabilização e o desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas, o pediatra em formação tem que mergulhar no campo da saúde mental. O novo currículo também destina uma carga horária bem maior ao estudo da adolescência (sim, a faixa etária dos 0 ao 20 anos incompletos é de responsabilidade da pediatria) e da neonatologia.

Que essas conquistas tenham realmente impacto nas políticas públicas e que o olhar mais apurado dado a crianças e adolescentes seja capaz de construir um adulto e um idoso mais saudável e feliz.


Remédios

SUS oferece cobertura de medicamentos menor que a rede privada (Foto: Free Images)

Proposta da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgada na sexta-feira (19/6) poderá representar um retrocesso aos usuários de planos de saúde. A lista de medicamentos cobertos pelos planos será baseada na lista do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, o sistema público oferece cobertura de medicamentos menor que a rede privada.

Para o presidente da Associação Paulista de Medicina, Florisval Meinão, a mudança trará prejuízos aos usuários de planos de saúde. “A incorporação de novos medicamentos pelo SUS é muito lenta e, se ocorrer o mesmo na saúde suplementar, os pacientes serão privados de avanços, novos produtos e tecnologias. Isso representa um retrocesso. O ideal é exatamente o contrário: que o SUS tivesse a agilidade de introdução de avanços como ocorre na prática clínica”, afirma.

Outra consequência pontuada por Florisval Meinão, caso a medida realmente seja colocada em prática, é o aumento da judicialização na saúde. “Se um paciente é informado sobre a possibilidade de um tratamento muito mais eficiente que não está no rol do SUS, ele irá recorrer à Justiça para ter direito. Do ponto de vista do usuário, a proposta contraria qualquer medida que busque tornar os sistemas de saúde mais ágeis e acessíveis”, conclui.

Tags:
, ,

 
Todas as informações apresentadas neste blog estão disponíveis com objetivo exclusivamente educacional. Dessa maneira, nosso conteúdo não pretende substituir consultas médicas, realização de exames e tratamentos médicos. Sempre que tiver uma dúvida, não deixe de conversar com o seu médico, que é o profissional mais adequado para esclarecer todas as suas perguntas. E nunca se esqueça de que o direito à informação correta é essencial para a prevenção e o sucesso do tratamento. E mais: o conteúdo editorial do Casa Saudável não apresenta relações comerciais com possíveis anunciantes e patrocinadores do blog.
© Copyright 2015. NE10 - Recife - PE - Brasil.