Ir para o conteúdo

Casa Saudável

Anvisa aprova tratamento oral para pacientes com leucemia linfoide crônica

30 de julho de 2015 | postado por Cinthya Leite
Pesquisa revela que 61% dos entrevistados optariam por medicação oral caso tivessem leucemia e pudessem escolher o tratamento (Foto: Free Images)

Pesquisa revela que 61% dos entrevistados optariam por medicação oral caso tivessem leucemia e pudessem escolher o tratamento (Foto: Free Images)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar o ibrutinibe (Imbruvica, nome comercial) para o tratamento de pacientes com leucemia linfoide crônica/linfoma linfocítico de pequenas células (LLC/LLPC), que não responderam ao tratamento inicial ou que apresentaram recaídas. O ibrutinibe é um antineoplásico oral, de dose única diária, que atua como inibidor da tirosina quinase de Bruton (BTK), uma proteína diretamente ligada à proliferação e sobrevivência das células responsáveis pela leucemia linfoide crônica.

O ibrutinibe como agente único (monoterapia) proporcionou um ganho significativo na sobrevida livre de progressão e sobrevida global em pacientes com leucemia linfoide crônica que não alcançaram resultados com o primeiro tratamento ou nos quais a doença recaiu.

A leucemia linfoide crônica é um câncer do sangue, de crescimento lento, que atinge as células brancas do sangue (linfócitos), com maior prevalência em pacientes com uma média de idade de 72 anos no diagnóstico. A doença geralmente progride, e os pacientes têm poucas opções de tratamento, recebendo muitas vezes a prescrição de várias linhas de terapia, à medida que sofrem recaídas ou se tornam resistentes aos tratamentos.

“O tratamento da leucemia linfoide crônica é desafiador, e muitos médicos precisam submeter seus pacientes a diferentes tipos de tratamentos à medida que a doença recai. Há uma necessidade significativa de novas alternativas para os pacientes com LLC/LLPC. Assim, a aprovação de ibrutinibe significa um grande passo para termos à disposição um tratamento oral que propicia uma redução significativa no risco de progressão da doença ou morte dos pacientes”, diz o diretor médico da Janssen Brasil, Luis Henrique Boechat.

Levantamento

Pesquisa idealizada pela Janssen e realizada pelo Ibope Inteligência, em março deste ano, com mais de 2 mil brasileiros, reforça a importância da aprovação de um medicamento como ibrutinibe no Brasil. O levantamento apontou que 72% dos entrevistados concordam que a quimioterapia convencional, por infusão intravenosa, é agressiva e afeta a qualidade de vida do paciente, e 61% expressaram preferência por medicação oral, caso tivessem leucemia e pudessem escolher o tratamento.

Em outros países

Ibrutinibe já está aprovado em 49 países, incluindo os 28 países que compõem a União Europeia, América Latina (México e Uruguai), Canadá e Estados Unidos.


logo_veja_bem_ass-01

Nesta sexta-feira (31/7), a partir das 10h, quem passar pela Pracinha de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, vai encontrar um turista bem diferente daqueles que costumam circular diariamente pelo local. Com dificuldade para enxergar uma das paisagens mais bonitas do País, o estrangeiro, usando vários sotaques, pedirá ajuda para alguém que estiver próximo dele, a fim de identificar um problema em seu binóculo. Nesse momento, a pessoa visualizará uma série de distorções e imagens embaçadas, sintomas típicos das doenças da retina, que atingem 10 milhões de brasileiros.

Imagem de olho azul (Foto: Free Images)

As causas doenças da retina estão ligadas a diversos fatores, incluindo genéticos e hereditários (Foto: Free Images)

A ação, que tem como objetivo alertar a população sobre uma das principais causas de cegueira no Brasil, faz parte da campanha Veja Bem, Veja para Sempre – Por um País sem Cegueira, promovida pela Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV). “O objetivo é orientar sobre a importância de consultar um oftalmologista pelo menos uma vez por ano. No caso das doenças da retina, o mais indicado é procurar um oftalmologista especialista em retina’’, lembra o oftalmologista Jorge Rocha, diretor da SBRV.

Serviço:

Ação: “O Turista”, da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV)

Data: 31/7/2015 (sexta-feira)

Local: Pracinha de Boa Viagem, Zona Sul do Recife

Horário: 10h às 16h

Mais informações: www.vejaparasempre.com.br


Salas de apoio nas empresas ajudam a conciliar amamentação e trabalho

29 de julho de 2015 | postado por Cinthya Leite
Sala de apoio à amamentação serve para as mulheres que ainda desejam manter a amamentação do filho (Foto: Divulgação)

Sala de apoio à amamentação serve para as mulheres que ainda desejam manter a amamentação do filho (Foto: Divulgação)

A Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), comemorada entre os dias 1º e 7 de agosto, cujo tema deste ano é Amamentação e trabalho – Para dar certo o compromisso é de todos, chama atenção para os direitos das mulheres, entre eles o de amamentar. O Ministério da Saúde, em 2010, regulamentou a implementação das salas de apoio à amamentação nas empresas.

Leia também: 

>> Como eu aprendi a tirar, armazenar, congelar e usar o leite materno

>> Especialistas orientam sobre o direito à amamentação em ambiente de trabalho

“A sala de apoio à amamentação servirá justamente para as mulheres que ainda desejam manter a amamentação do seu filho, mesmo depois de voltar ao trabalho. Deverá ser um local agradável, onde exista minimamente uma pia para lavar as mãos, freezer para armazenar leite em vidros previamente esterilizados e uma poltrona. Durante o dia de trabalho, ela coleta e armazena o seu leite e, ao final do expediente, poderá levá-lo para casa no recipiente adequado”, explica a coordenadora da Política de Atenção Integral à Saúde da Criança e do Adolescente do Recife, Alessandra Fam.

No Recife, a programação acontecerá em várias unidades de saúde, em todos os distritos sanitários, e contará com palestras educativas, rodas de diálogo, oficinas, mamaço e ações de promoção ao aleitamento.

Na segunda-feira (3), a abertura do evento será realizada na sede da Secretaria Estadual de Saúde, no bairro do Bongi, Zona Oeste do Recife, com profissionais da área que discutirão o tema. Na terça (4), quarta (5) e quinta-feira (6), pacientes da Maternidade Bandeira Filho, localizada em Afogados, também na Zona Oeste da cidade, assistirão a um vídeo sobre aleitamento materno.

“A amamentação exclusiva é recomendada durante os seis primeiros meses de vida do bebê, mas a amamentação deve ser continuada durante os dois primeiros anos de vida, de forma complementada com alimentação saudável”, afirmou Alessandra.

Atualmente o município do Recife conta com 10 salas de apoio à mulher trabalhadora que amamenta. Estão em duas maternidades municipais (Maternidade Arnaldo Marques e Bandeira Filho), em cinco de alto risco (Hospital Agamenon Magalhães, Hospital Barão de Lucena, Hospital das Clínicas, Imip e Cisam), em dois consultórios de aleitamento privados (UNIAME e AMA) e na sede da Chesf.


Hi Academia promove circuito de dança itinerante a bordo de jardineira

29 de julho de 2015 | postado por Cinthya Leite
Circuito de dança é feito charmoso ônibus que tem feito sucesso nos passeios turísticos pela cidade (Foto: Divulgação)

Circuito de dança é feito charmoso ônibus que tem feito sucesso nos passeios turísticos pela cidade (Foto: Divulgação)

Neste sábado (1º/8), acontece a 2ª edição do Hi Dance Tour, circuito de dança itinerante promovido pela Hi Academia, no Recife. Os professores Alessandro e Adriano comandam a turma, a bordo de uma jardineira, aquele charmoso ônibus que tem feito sucesso nos passeios turísticos pela cidade.

O percurso será pelas unidades da Zona Norte da cidade: Casa Forte, Tamarineira, Graças e Espinheiro. A concentração é a partir das 8h30, na Hi Casa Forte.

O evento é aberto ao público. Os ingressos custam R$ 25 e estão disponíveis nas recepções das unidades citadas. Informações: 81 3442-6402.


Pacientes contam com tratamento realizado por equipe multiprofissional (Foto: João Carlos Lacerda/FAV/Divulgação)

Pacientes contam com tratamento realizado por equipe multiprofissional (Foto: João Carlos Lacerda/FAV/Divulgação)

O Ministro da Saúde, Arthur Chioro, chega ao Recife nesta quinta-feira (30/7) para participar de cerimônia para outorgar a nova etapa do Centro Especializado em Reabilitação (CER) Menina dos Olhos, da Fundação Altino Ventura (FAV). Recentemente habilitada pelo Ministério da Saúde para atuar nas áreas física e auditiva, a unidade, que já tratava de pacientes com deficiências intelectual e visual, passou oficialmente a beneficiar mensalmente cerca de três mil pacientes com múltiplas deficiências por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). A solenidade com Arthur Chioro será no CER, no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife, a partir das 15h.

“Agora, o CER possibilitará ao paciente e ao seu cuidador e familiares a oportunidade de um acesso ao tratamento interdisciplinar com equipe multiprofissional em um mesmo local, onde o paciente é analisado de forma global, além de ser feito um planejamento das terapias de reabilitação necessárias para promover a melhor inclusão social desse paciente”, destaca a presidente da FAV, Liana Ventura.

A fundação inaugurou o CER Menina dos Olhos em 2005. Pioneiro, o serviço foi criado para prestar atendimento multiprofissional, de referência em baixa visão e múltipla deficiência, atuando também como centro de capacitação de oftalmologistas e terapeutas de diversas universidades do Norte e Nordeste do País.

Em 2013, o serviço foi habilitado pelo Ministério da Saúde como CER II, mas funcionava em imóveis alugados. Em parceria com o governo Alemão (Ministério do Desenvolvimento) e as instituições também alemãs Christian Blind Mission (CBM), Lions (MD 111) e a Fundação da rede de televisão RTL, a FAV construiu e sede própria do Centro, em março de 2014.

Principais ações do centro

Entre diversas atividades, o centro coordena o Programa de Baixa Visão: uma iniciativa internacional que capacita e monitora 11 serviços de reabilitação em baixa visão de 11 Estados do Norte e Nordeste do Brasil.

Neste ano, o CER passou a desenvolver o Projeto Sight First com o Lions Internacional e o Lions do Brasil distrito LA-3, sendo responsável pela coordenação técnico-científica do Programa de Baixa Visão e Cegueira em três estados: Pernambuco, Alagoas e Sergipe. O projeto tem como objetivo capacitar oftalmologistas e a equipe multidisciplinar para atender, reabilitar e habilitar pacientes com baixa visão e cegueira seguindo os critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Serviço

As pessoas que desejam se beneficiar das atividades oferecidas pelo CER devem ser encaminhadas pela Secretaria de Saúde do Estado, mas há a possibilidade de procurar diretamente a unidade para marcar as consultas. O CER da Fundação Altino Ventura fica na Avenida Maurício de Nassau, 2075, Iputinga, Recife. Fone: 3302-4343.


É necessário criar ações de combate à violência contra a pessoa idosa (Foto: Free Images)

Interessados devem ter idade mínima de 60 anos e só podem se candidatar a uma disciplina (Foto: Free Images)

A Faculdade Senac está com vagas abertas para nova temporada de aulas para idosos. São mais de 10 disciplinas nos cursos de graduação em design de moda, eventos, administração e gastronomia, num total de 26 vagas. Interessados devem ter idade mínima de 60 anos e só podem se candidatar a uma disciplina.

A iniciativa é vinculada ao Programa de Extensão Faculdade Aberta à Terceira Idade, que visa promover a integração e o desenvolvimento social, educacional, político e sociocultural de pessoas idosas, por meio de atividades educacionais, culturais e de lazer na Faculdade Senac Pernambuco.

As inscrições podem ser realizadas até esta quarta-feira (29), na Secretaria da Faculdade Senac, no horário das 8h às 20h, e são gratuitas. Os alunos devem ter ensino médio completo.  No dia 30 de julho, serão divulgados os nomes dos alunos participantes pelo site www.faculdadesenacpe.br.

As aulas tem início no dia 3 de agosto e terão duração de cinco meses, com entrega de certificado. Os cursos são gratuitos.

Serviço:

Programa Faculdade Aberta à Terceira Idade | Faculdade Senac

Inscrições: Gratuitas até 29 de julho na Secretaria da Faculdade Senac – Av. Visconde de Suassuna, nº 500 – Santo Amaro – Recife/PE

Resultados: 30/7

Matrículas: 31/7

Período das aulas: 3/8 a 18/12/2015

Informações: 0800 2816756 ou www.faculdadesenacpe.br.


Mesmo a chegada da vacina, será preciso manter o controle do mosquito transmissor da dengue (Foto: Free Images)

Mesmo a chegada da vacina, será preciso manter o controle do mosquito transmissor da dengue (Foto: Free Images)

Da Agência Fapesp

O Instituto Butantan está em vias de finalizar a vacinação dos últimos voluntários participantes dos ensaios clínicos de fase 2 da vacina contra a dengue que desenvolve em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, em inglês), dos Estados Unidos, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Deverão ser processados agora os exames de sangue dos últimos participantes faltantes para concluir essa fase do estudo clínico, em que deve ser demonstrada que a vacina é segura e que o sistema imunológico dos voluntários imunizados desenvolve anticorpos necessários para combater os quatro sorotipos dos vírus da dengue.

“Já temos os resultados parciais de imunogenicidade, que é a capacidade da vacina induzir a uma resposta imunológica, dos outros participantes do estudo e agora faremos as análises dos últimos voluntários”, disse o diretor da Divisão de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância do Instituto Butantan, Alexander Roberto Precioso, à agência Fapesp.

“Os resultados preliminares mostram que a vacina tem um perfil de segurança muito semelhante a outros tipos de vacina, o que é uma condição adequada para iniciar a fase 3 dos ensaios clínicos após a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e dos comitês de ética”, afirmou Precioso.

No fim de abril, os pesquisadores do Instituto Butantan submeteram à Anvisa o protocolo do estudo clínico de fase 3 da vacina com o intuito de conseguir obter mais rapidamente a autorização para iniciar esta última etapa, em que deve ser demonstrado que a vacina é eficaz para combater a dengue.

Essa fase do estudo clínico estava prevista para ser iniciada no final de 2015 ou no início de 2016.

Em razão da epidemia da doença no País neste ano e dos resultados preliminares promissores dos ensaios clínicos de fase 2, os pesquisadores do Instituto Butantan pretendem antecipar a aprovação do estudo clínico de fase 3 para que seja iniciado nos próximos meses.

“A realização dos ensaios clínicos de fase 3 nos próximos meses seria muito oportuno porque possibilitaria imunizar o maior número possível de participantes voluntários, de modo que já começassem a desenvolver resposta imunológica e, quando chegar o período de sazonalidade da dengue, que é no verão, eles estariam protegidos e nós poderíamos avaliar a eficácia da vacina”, disse Precioso.

A estimativa dos pesquisadores é que a Anvisa autorize a realização dos ensaios clínicos de fase 3 tão logo apresentem à agência regulatória os resultados da resposta imunológica dos participantes do estudo clínico de fase 2.

“Achamos que a aprovação da fase 3 não demorará muito porque a Anvisa se comprometeu a avaliar o protocolo que submetemos o mais rápido possível em razão da importância da dengue e da necessidade de uma vacina para combatê-la”, avaliou Precioso.

“Estamos em uma fase de perguntas e respostas, que é um processo comum entre um fabricante de uma vacina e uma agência regulatória”, afirmou.


A malária é causada pelo parasita unicelular protozoário Plasmodium, transmitido pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles (Foto: Free Images)

A malária é causada pelo parasita unicelular protozoário Plasmodium, transmitido pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles (Foto: Free Images)

Da Agência Fapesp

Com o objetivo de facilitar o diagnóstico de malária em áreas remotas do globo, está sendo desenvolvido por pesquisadores da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos um aplicativo para smartphones que utiliza um sistema automatizado para detecção e contagem de parasitas da doença.

A tecnologia foi apresentada no IEEE International Symposium on Computer-Based Medical Systems (CBMS), realizado, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), de 22 a 25 de junho no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), em São Carlos, e na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), ambos da Universidade de São Paulo (USP).

“A malária é uma doença curável, mas diagnósticos inadequados e a resistência às drogas emergentes ainda são barreiras para a redução da mortalidade. É preciso desenvolver vacinas e controlar o mosquito transmissor, entre outras medidas, mas o desenvolvimento de um teste para diagnóstico rápido e confiável é uma das formas mais promissoras de combate à doença”, explicou o pesquisador Sameer Antani, da Biblioteca Nacional de Medicina, ligada aos National Institutes of Health (NIH).

Para isso, disse o pesquisador, foi necessária interação entre profissionais da saúde, cientistas da computação e engenheiros. “Foi do diálogo entre as necessidades clínicas do cuidado com a saúde da população no campo e engenheiros e pesquisadores de áreas ligadas à computação que surgiu essa nova abordagem de combate à malária, desenvolvida para atender à demanda urgente pelo controle da doença, mas de forma adaptada à realidade do trabalho em áreas com necessidades muito particulares”, contou.

Para automatizar a detecção e contagem de parasitas da malária, relatou Antani, o projeto contou com o apoio do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do país e com uma parceria de pesquisa entre a Mahidol University, da Tailândia, e a Oxford University, do Reino Unido, que juntas criaram a Mahidol Oxford Tropical Medicine Research Unit.

Cuidado: parasita!

A malária é causada pelo parasita unicelular protozoário Plasmodium, transmitido pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. O diagnóstico da doença é feito com a ajuda de exames microscópicos, que possibilitam identificar os parasitas em amostras de sangue.

De acordo com Antani, mais de 170 milhões de filmes de sangue são examinados a cada ano com esse fim e a contagem dos parasitas para definir se os casos diagnosticados são graves ou não complicados, seguindo a classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS), geralmente é manual.

“A contagem precisa desses parasitas é fundamental para o diagnóstico correto da doença e para o sucesso do tratamento, influenciando, por exemplo, na eficácia das drogas. No entanto, os diagnósticos microscópicos não são padronizados e dependem muito da experiência e da habilidade do microscopista”, avaliou.

Para o pesquisador, isso dificulta o diagnóstico e o controle da malária em locais com poucos recursos e com alta incidência da doença. “Essa dificuldade pode levar a decisões equivocadas no tratamento. Nos casos de falso negativo, além dos danos óbvios à saúde do indivíduo infectado, isso significa a necessidade de uma nova consulta, dias perdidos de trabalho, recursos gastos desnecessariamente. Já nos casos de falso positivo, o diagnóstico pode levar ao uso desnecessário de medicamentos e a sofrimento por conta de uma série de potenciais efeitos colaterais, como náusea, dores abdominais, diarreia e complicações graves”, ponderou.

A solução desenvolvida pelos pesquisadores automatiza a detecção do parasita e sua contagem a partir de esfregaços de sangue, uma camada fina de sangue disposta sobre uma lâmina de microscopia e que é colorida de forma a permitir que diferentes células sejam examinadas.

Antani explicou que a contagem automatizada dos parasitas tem uma série de vantagens se comparada ao método convencional. “Além de fornecer uma interpretação mais segura, essa automatização reduz custos e possibilita que mais pacientes sejam atendidos em menos tempo, facilitando o trabalho em campo nas áreas de maior incidência da doença.”

O sistema funciona por meio de métodos de aprendizagem de máquina, campo da inteligência artificial que desenvolve algoritmos e técnicas que permitem ao computador apreender determinados padrões para aperfeiçoar seu desempenho em tarefas específicas.

Com base em padrões de imagens digitais adquiridas por equipamentos de microscopia de luz convencionais, o software aprende a aparência típica dos parasitas e os identifica em fotografias dos esfregaços de sangue, realizando em seguida sua contagem e discriminando as células infectadas.

Aplicada a smartphones, a tecnologia se torna portátil e pode ser levada a campo. Para Antani, o desenvolvimento do sistema pode beneficiar populações de diferentes nações que ainda sofrem com a malária, como o Brasil.

“A malária mata mais de 600 mil pessoas por ano, a maioria na África, onde uma criança morre a cada minuto vitimada pela doença. Muitas que sobrevivem acabam sendo acometidas por deficiências neurológicas. Mas a malária é um problema global: são cerca de 200 milhões de casos em todo o mundo, incluindo o Brasil. O desenvolvimento de uma tecnologia portátil de baixo custo e alta precisão para diagnóstico da doença tem grande potencial para auxiliar no combate à doença e nos esforços pela sua erradicação.”

De acordo com a OMS, o Brasil reduziu em 75% o número de infecções em território nacional desde 2000, mas a incidência da doença ainda é alta, especialmente na Amazônia: em 2013 o país teve 177.767 casos diagnosticados e 41 óbitos foram registrados.


Investiga-se se casos confirmados de Guillain-Barré ocorreram em pessoas que já tiveram alguma doença exantemática, que causa vermelhidão na pele, a exemplo das três transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti (Foto: Rodrigo Lôbo/JC Imagem)

Investiga-se se casos confirmados de Guillain-Barré ocorreram em pessoas que já tiveram alguma doença exantemática, que causa vermelhidão na pele, como as enfermidades transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti (Foto: Rodrigo Lôbo/JC Imagem)

Depois de a Bahia anunciar que tem adotado estratégias para investigar a síndrome de Guillain-Barré (doença neurológica rara e autoimune que provoca quadro progressivo de paralisia em membros do corpo e fraqueza muscular), a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES/PE) informou que também iniciará o mesmo processo. Serão analisados minuciosamente 64 casos da síndrome registrados no Estado ao longo do primeiro semestre deste ano.

“São pessoas que passaram por internamento, em unidades públicas de saúde, por causa de Guillain-Barré, segundo dados do Sistema de Informação Hospitalar”, diz o diretor geral de Controle de Doenças e Agravos da SES/PE, George Dimech. O interesse em fazer essa investigação parte da premissa de que a síndrome pode ter relação com doenças causadas por vírus, especialmente dengue, zika e chicungunha.

“Dos 76 casos da síndrome de Guillain-Barré registrados na Bahia, 26 estão relacionados com pessoas que tiveram dengue e zika. O Brasil mudou o olhar para a síndrome a partir do cenário baiano. Mas é bom frisar que não há motivos para pânico, pois é uma minoria de casos de dengue e zika que pode evoluir para Guillain-Barré”, frisa George.

“Para criarmos um panorama mais fiel sobre a possível relação entre esses casos de Guillain-Barré, dengue e zika em Pernambuco, vamos revisar cada uma das confirmações da síndrome nos prontuários e, se necessário, iremos às residências dessas pessoas. Certamente, daqui a três meses, teremos uma avaliação mais concreta”, ressalta George.

Em Pernambuco, foram registrados 45 casos de Guillain-Barré no primeiro semestre de 2014; 81 no mesmo período de 2013; 28 no mesmo período de 2012. “Não é possível dizer hoje se o número de pessoas com a síndrome tem relação com dengue ou zika. Provavelmente, alguma outra virose pode também ter contribuído com o aumento no número de casos. Vamos investigar.”

Registro na literatura médica

O neurologista Igor Bruscky, mestre em neurologia pela Universidade de Pernambuco (UPE), fala sobre essa associação entre a síndrome de Guillain-Barré e infecções virais. “Já foi feita associação com dengue e Epstein-Barr, vírus que causa a mononucleose. Recentemente, foi publicado um artigo que faz a relação entre a síndrome e zika”, diz o médico. Ele se refere a um estudo, publicado em março de 2014, na revista científica Eurosurveillance. Os pesquisadores descreveram o primeiro caso de Guillain-Barré que ocorreu imediatamente após a infecção pelo vírus zika na Polinésia Francesa, na Oceania.

A neurologista Carolina Cunha, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, ligado à UPE, salienta que, após a epidemia de zika na Polinésia Francesa, a incidência de síndrome de Guillain-Barré foi aumentada em 20 vezes. “Mas ainda não dispomos de dados oficiais sobre as manifestações neurológicas do vírus zika em Pernambuco”, diz a médica, que é chefe do serviço de Neurologia do Hospital Esperança, no Recife.

Ela acrescenta que 70 casos de complicações neurológicas relacionadas ao vírus zika foram descritas entre 2013 e 2014 na Polinésia Francesa, sendo 38 casos de Guillain-Barré. “Porém, outras manifestações neurológicas também foram relacionadas ao vírus, como encefalite, meningo-encefalite, mielite e paralisia facial”, frisa Carolina Cunha.

A recuperação de Guillain-Barré, de acordo com a médica, pode levar de meses a anos. A mortalidade é em torno de 5%. Ela acrescenta que também há descritas associações entre a síndrome e o citomegalovírus, o Epstein-Barr, o HIV, as hepatites A, B ou C.

É importante reforçar que Guillain-Barré é causada por um erro no sistema imunológico. “Quando somos infectados por algum vírus, produzimos anticorpos contra ele. Pode ser dengue, zika, chicungunha ou outro. Quem desenvolve a síndrome é vítima do próprio sistema imunológico, que ataca por engano os nervos, levando à fraqueza muscular”, explica Igor Bruscky.

Estudo com pacientes do Hospital da Restauração

O neurologista comenta que, em 2005, foi realizado um estudo sobre complicações neurológicas da dengue no Hospital da Restauração (referência em neurologia em Pernambuco), envolvendo 41 pacientes. “Desse total, nove apresentaram Guillain-Barré. Então, podemos ver que a ocorrência da síndrome como complicação de uma infecção viral não é um evento novo ou desconhecido”, diz Igor.

“Em períodos de epidemia de infecções virais, ocorre um aumento considerável dos casos de Guillain-Barré, como atualmente. Como não ocorre a notificação, grande parte dos casos não entra nas estatísticas”, complementa o médico.

cristiano e miguel

Cristiano (à esq.), internado há quase sete meses, tem alcançado ganhos neurológicos, como abrir os olhos, perceber movimentos e sons, segundo conta Miguel (Foto: Reprodução/Facebook)

A história de Cristiano

O jornalista Miguel Rios, 47 anos, tem compartilhado, nas redes sociais, a história do companheiro, o vendedor Cristiano Santos, 40, internado no Hospital Esperança, no Recife, há quase sete meses. Em dezembro, Cristiano começou a ter febre, moleza e dor no corpo. Recebeu o diagnóstico de dengue na emergência de outro hospital particular.

“No começo de janeiro, Cristiano ainda tinha febre alta, dor no corpo e respiração difícil. Foi para a emergência do Esperança e ficou internado para averiguação. Acabou que veio o diagnóstico da síndrome de Guillain-Barré. Ele não tinha mais força nas pernas, e a respiração ficava bem mais difícil a cada dia”, conta Miguel.

Na unidade de terapia intensiva (UTI), foi entubado e sedado por causa do desconforto. “Estava bem assustado quando perdeu a capacidade de andar. Toda a família também ficou. É galopante a síndrome. Tínhamos boas esperanças, já que a síndrome de Guillain-Barré é de recuperação longa, mas com grandes chances de cura. No entanto, durante o período de entubação, Cristiano sofreu isquemias cerebrais que, até hoje, têm causas desconhecidas”, relata Miguel.

Entre as hipóteses, segundo o jornalista, está a possibilidade de a síndrome ter, em um caso raríssimo, chegado ao sistema nervoso central. “Agora, Cristiano tem alcançado ganhos neurológicos, como abrir os olhos, perceber movimentos e sons. Já mexe os braços, mas não interage, nem dá sinais de raciocínio. Tantas vezes, fica mirando o teto com olhar perdido ou com os olhos semicerrados e inerte.”

A maior evolução de Cristiano, de acordo com Miguel, está na respiração. “Dependia totalmente da ventilação mecânica. Hoje, traqueostomizado, ele consegue respirar muitas horas sozinho e só vai para a ventilação mecânica por exercícios de fisioterapia”, acrescenta. Atualmente, Cristiano permanece no apartamento do hospital e recebe a boa energia de um universo imenso de pessoas.

A recuperação da síndrome de Guillain-Barré pode levar de meses a anos (Foto: Free Images)

A recuperação da síndrome de Guillain-Barré pode levar de meses a anos (Foto: Free Images)

Saiba mais

A síndrome de Guillain-Barré, segundo o neurologista Igor Bruscky, manifesta-se com dormências nos pés associada à fraqueza nas pernas. Esses sintomas geralmente se iniciam de duas a três semanas após uma infecção viral. Os sintomas evoluem de forma ascendente e acometem posteriormente os braços e até a musculatura da respiração, o que pode levar a quadros de falência respiratória. O tratamento deve ser iniciado de forma imediata: é feito com uma medicação chamada imunoglobulina.


O câncer que acomete crianças e adolescentes é altamente curável (Foto: Free Images)

O câncer que acomete crianças e adolescentes é altamente curável (Foto: Free Images)

Quando não é diagnosticado precocemente, o câncer infantojuvenil tem taxa de cura menor. Esse tipo de tumor é a principal causa de morte por doença em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos no Brasil devido à evolução rápida. Infelizmente, o tempo médio para que um profissional de linha de frente reconheça essa condição é de 103,25 dias, a contar do início dos sintomas. Os dados são de um estudo realizado pelo diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope) Gustavo Neves.

Leia também:

>> Câncer infantojuvenil compromete orçamento familiar, diz estudo

>> Sala de aula hospitalar: crianças internadas para tratar câncer podem continuar estudos

>> Pacientes do Oswaldo Cruz integram primeira sala de aula hospitalar do Estado

Nessa faixa etária, o câncer é altamente curável. Entretanto, a falta de preparo dos profissionais, que não vivenciaram na residência formas de identificar os sinais do câncer infantojuvenil, pode comprometer o tratamento. “O diagnóstico precoce está intimamente relacionado à capacidade do pediatra em conhecer os diferentes tipos de câncer na infância, colocá-los em sua lista de diagnósticos diferenciais e pensar na possibilidade para, então, encaminhar a criança para o especialista”, afirma Gustavo.

Ele salienta a necessidade de inclusão de conhecimentos sobre oncologia pediátrica por meio de estágio em enfermaria/ambulatório de oncologia, sob supervisão de especialista, dando ênfase às histórias clínicas dos pacientes. “O câncer na infância não tem sinais ou sintomas específicos. A vivência e a ênfase no diagnóstico poderão preparar médicos para pensar em câncer, embora seja um diagnóstico de exceção. Aulas teóricas isoladas não são eficazes”, finaliza.


 
Todas as informações apresentadas neste blog estão disponíveis com objetivo exclusivamente educacional. Dessa maneira, nosso conteúdo não pretende substituir consultas médicas, realização de exames e tratamentos médicos. Sempre que tiver uma dúvida, não deixe de conversar com o seu médico, que é o profissional mais adequado para esclarecer todas as suas perguntas. E nunca se esqueça de que o direito à informação correta é essencial para a prevenção e o sucesso do tratamento. E mais: o conteúdo editorial do Casa Saudável não apresenta relações comerciais com possíveis anunciantes e patrocinadores do blog.
© Copyright 2015. NE10 - Recife - PE - Brasil.