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08/01/18
A cirurgia das amídalas pode ser indicada independentemente da idade. Entretanto, crianças costumam ter mais amidalites recorrentes e persistentes do que adultos (Foto: Reprodução/Internet)
A cirurgia das amídalas pode ser indicada independentemente da idade. Entretanto, crianças costumam ter mais amidalites recorrentes e persistentes do que adultos (Foto: Reprodução/Internet)

Em que casos as amídalas devem ser retiradas? Médica tira dúvidas comuns sobre o assunto

08 / jan
Publicado por Cinthya Leite em Blog - 08/01/2018 às 15:16

As amídalas ou tonsilas palatinas estão envolvidas no reconhecimento de antígenos (vírus, bactérias e fungos) ou partículas estranhas que entram pela boca. Elas também sinalizam e estimulam a produção de anticorpos específicos (proteínas de defesa) contra estas partículas estranhas. A médica otorrinolaringologista Jeanne Oiticica, explica que as amídalas são particularmente relevantes nos primeiros anos de vida, quando a criança gradativamente perde a imunidade (anticorpos ou proteínas de defesa) recebida da mãe pelo cordão umbilical e leite materno.

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“É um momento crucial, pois a medula óssea da criança ainda se encontra em fase de amadurecimento e não está pronta para assumir a sua função”, explica Jeanne, que também é chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

A especialista tira principais dúvidas em relação às amídalas, quando há indicação para retirá-las e quais os riscos, entre outros questionamentos comuns. Confira:

– Dor de garganta tem relação com as amídalas? São elas que inflamam ou infeccionam?

Às vezes sim, outras vezes não. A dor de garganta pode ser uma faringite, inflamação ou infecção da faringe, mucosa que reveste o fundo da garganta. Nesses casos, ela não tem necessariamente relação com as amídalas. Por isso, é sempre importante ir a uma consulta com o médico otorrinolaringologista, pois apenas mediante história clínica e exame físico presencial é possível confirmar ou refutar tal diagnóstico.

– Como tratar nesses casos?

Depende sempre se o quadro clínico revela uma inflamação ou infecção. O tratamento medicamentoso é específico e direcionado caso a caso. Algumas vezes, diante de infecções recorrentes e persistentes, o médico otorrinolaringologista poderá solicitar exames de sangue e até mesmo coleta de secreção da garganta, com o intuito de melhor investigar o problema.

A cirurgia das amídalas pode ser indicada quando há cinco ou mais episódios de amidalite ao ano, documentada pelo médico otorrinolaringologista, diante de abcesso periamidaliano e ou de complicações como endocardite, artrite e nefrite (Foto: Pixabay)

– A demora no tratamento pode levar a algum risco?

Pode sim. Antigamente era mais frequente complicações e riscos relacionados à demora no tratamento, como endocardite, artrite e nefrite. Hoje em dia, os pacientes têm acesso mais fácil ao atendimento na área da saúde, e os antibióticos evoluíram em termos de espectro e potência. Por isso, essas complicações são mais raras.

– Qual a indicação para cirurgia das amídalas?

A cirurgia das amídalas pode ser indicada quando há cinco ou mais episódios de amidalite ao ano, documentada pelo médico otorrinolaringologista, diante de abcesso periamidaliano e ou das complicações acima citadas (endocardite, artrite e nefrite). Também está recomendada para os casos de apneia do sono, síndrome do respirador bucal e deformidades no arcabouço da face.

– A cirurgia é mais indicada na infância ou em qualquer fase da vida?

A cirurgia pode ser indicada independe da idade. Entretanto, temos que lembrar que crianças costumam ter mais amidalites recorrentes e persistentes do que adultos.

– É uma cirurgia simples?

Trata-se de cirurgia de pequeno porte. Dura em média uma hora, sem contar o período pré e pós-anestesia. Existem, sim, vasos (artérias) calibrosos e importantes, ramos da artéria carótida, passando nas adjacências das amídalas. A dor pós-operatória é importante e limitante. O paciente poderá apresentar dor para engolir, se alimentar, falar e beber. O risco de mortalidade é bem baixo, mas real. É fundamental não perder os planos de dissecção cirúrgica e fazer uma boa sutura dos planos dos tecidos.

– E no pós-operatório, o que deve ser feito?

A alimentação deve ser líquida e leve nos primeiros três dias, de preferência composta por alimentos frios, nada quente. Progressivamente o médico vai liberar alimentos pastosos até a alimentação se normalizar por volta do 7º a 10º dia do pós-operatório, a depender, caso a caso. Os analgésicos são mandatórios e devem ser tomados nos primeiros dias para adequado controle da dor. Adultos costumam sentir mais dor que as crianças. Quanto maior a fibrose tecidual, pior será a dor no pós-operatório. O limiar de dor também vai variar de acordo com a sensibilidade individual.

 

– Alguma dica para manter amídalas e garganta saudáveis?

Beber muita água, fazer gargarejos diariamente com meio copo de água morna e uma pitada de bicarbonato, comer uma maçã ao dia e manter alimentação saudável.


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