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11/10/17
Professor brasileiro da Yale University desvenda mecanismos que células sensoriais do trato gastrointestinal usam para se comunicar com o cérebro e que despertam o desejo de consumir alimentos calóricos (Foto ilustrativa: Pixabay)
Professor brasileiro da Yale University desvenda mecanismos que células sensoriais do trato gastrointestinal usam para se comunicar com o cérebro e que despertam o desejo de consumir alimentos calóricos (Foto ilustrativa: Pixabay)

Por que temos desejo de consumir alimentos calóricos? Pesquisador investiga

11 / out
Publicado por Cinthya Leite em Blog - 11/10/2017 às 10:41

Da Agência Fapesp de Notícias

Como o sistema nervoso controla o comportamento alimentar de forma que, tempos depois de ingerir um determinado alimento (geralmente calórico), o gosto, o cheiro e as sensações despertadas levam a querer consumi-lo novamente? Essa questão intrigou o pesquisador brasileiro Ivan de Araujo, professor associado dos departamentos de Psiquiatria e Fisiologia Celular e Molecular da Yale School of Medicine, nos Estados Unidos.

A fim de encontrar respostas para essa pergunta, Araujo tem realizado uma série de estudos com o objetivo de identificar circuitos neurais associados à fome, saciedade, palatabilidade e ao prazer proporcionado pelos alimentos, além de esmiuçar mecanismos pelos quais o sistema nervoso controla o comportamento alimentar.

O pesquisador esteve, no fim de setembro, no Brasil, para participar como palestrante da São Paulo School of Advanced Science on Reverse Engineering of Processed Foods, na Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (FEA-Unicamp).

Um dos objetivos do evento, realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), na modalidade Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), foi discutir novas formas de desenvolver alimentos processados de modo que possam auxiliar na solução de problemas de saúde ou aumentar a saciedade, por exemplo, a fim de diminuir a ingestão calórica.

“Meu interesse é, basicamente, entender melhor de onde surge a motivação para a ingestão de nutrientes e tentar identificar que tipo de informação é transmitida para o sistema nervoso quando as pessoas ingerem um alimento, se lembram dele depois e querem consumi-lo mais e mais”, disse Araujo à Agência Fapesp.

O pesquisador e seu grupo começaram inicialmente a estudar o sistema gustatório com o intuito de verificar como as sensações da cavidade oral chegam ao cérebro e modificam nosso comportamento alimentar.

Em experimentos exploratórios, realizados com camundongos geneticamente modificados – que não detectam o gosto de nutrientes como o açúcar –, os cientistas constataram que, a despeito de não terem essa capacidade, esses animais, assim como os humanos, demonstraram a habilidade de formar preferências por um alimento em função muito mais de seu valor nutricional do que da palatabilidade.

“Foi a primeira indicação para nós de que deveria existir uma espécie de codificação no sistema nervoso por meio da qual o cérebro consegue dissociar um estímulo sensorial, vindo da cavidade oral, de um estímulo nutricional, vindo do trato gastrointestinal”, disse Araujo, que graduou-se pela Universidade de Brasília, tem mestrado pela University of Edinburgh e doutorado pela University of Oxford.

A fim de comprovar essa hipótese, o pesquisador, em colaboração com colegas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e do Centro de Matemática, Computação e Cognição da Universidade Federal do ABC (CMCC-UFABC), realizou uma série de experimentos com camundongos em que se constatou que a sensação de prazer da ingestão e o valor calórico e nutricional dos alimentos evocam circuitos neuronais diferentes.

Enquanto os circuitos neuronais da parte ventral do estriado são os responsáveis pela percepção da sensação de prazer (hedonia) proporcionada pelo sabor doce, por exemplo, os neurônios da parte dorsal são encarregados de reconhecer o valor calórico e nutricional dos alimentos adocicados, observaram os pesquisadores no estudo, que teve a participação de Tatiana Lima Ferreira, do CMCC-UFABC.

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