publicidade
26/07/17
Célula modificada geneticamente para expressar uma enzima que produz luz serviu de ferramenta para monitorar o fenômeno de repopulação tumoral  (Foto ilustrativa: Pixabay)
Célula modificada geneticamente para expressar uma enzima que produz luz serviu de ferramenta para monitorar o fenômeno de repopulação tumoral (Foto ilustrativa: Pixabay)

Grupo da USP propõe nova estratégia terapêutica para o tratamento do câncer

26 / jul
Publicado por Malu Silveira em Blog - 26/07/2017 às 11:06

Da Agência Fapesp de notícias

Sempre que o organismo sofre uma agressão – seja um simples corte no dedo ou uma cirurgia – as células no entorno da lesão recebem sinais para se proliferarem mais intensamente, de modo a regenerar o tecido danificado. No caso do câncer não é diferente. Muitas vezes, as células tumorais são praticamente eliminadas pelo tratamento com radio ou quimioterapia e, depois de algum tempo, retornam ainda mais agressivas.

Leia também:
» Projeto humanizado agiliza assistência a pacientes com câncer em rede de hospitais no Recife
» Vacinação contra HPV será ampliada para jovens com Aids, pacientes transplantados e com câncer
» Câncer de cabeça e pescoço é o segundo mais comum entre homens no Brasil
» Câncer: ANS faz consulta pública para saber procedimentos que devem ser oferecidos pelos planos

Em um projeto apoiado pela FAPESP e coordenado pela professora Sonia Jancar, pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) mostraram que uma proteína conhecida como PAFR (receptor do fator de ativação plaquetária, na sigla em inglês) desempenha um papel-chave nesse fenômeno de repopulação tumoral – pelo menos em alguns tipos de câncer já estudados pelo grupo. Parte dos resultados foi publicada recentemente na revista Oncogenesis, do grupo Nature.

“Em experimentos com linhagens tumorais e em camundongos, observamos que fármacos capazes de bloquear PAFR inibiram significativamente o crescimento dos tumores e o fenômeno da repopulação tumoral após radioterapia. Sugerimos, portanto, a associação da radioterapia com antagonistas desse receptor como uma nova e promissora estratégia terapêutica”, disse Jancar à Agência FAPESP.

Como contou a pesquisadora, a linha de investigação teve início ainda na década de 1990, durante o doutorado de Denise Fecchio, quando o grupo mostrou que tumores induzidos na cavidade peritoneal de camundongos cresciam significativamente menos quando PAFR era bloqueado. Nesse trabalho, os pesquisadores observaram que o tratamento com antagonistas do receptor ativou os macrófagos (um tipo de célula de defesa) e inibiu o crescimento do câncer. O trabalho foi publicado na revista Inflammation.

Alguns anos depois, durante o doutorado de Soraya Imon de Oliveira – em colaboração com o professor da Faculdade de Medicina da USP Roger Chammas –, o grupo mostrou que, em camundongos tratados com antagonistas de PAFR, o melanoma também cresce menos. Os resultados foram divulgados no periódico BMC Cancer. Mais recentemente, durante o doutorado de Ildefonso Alves da Silva Junior, o grupo comprovou que a ativação desse receptor induz a proliferação das células tumorais, protegendo-as da morte induzida pela radioterapia. O trabalho foi orientado pela professora do ICB-USP Ana Paula Lepique e contou com a colaboração da equipe de Chammas.

“Silva-Junior mostrou que a irradiação induz a produção de moléculas semelhantes ao PAF, que ativam o PAFR na célula tumoral e induzem um aumento na expressão desse receptor e a proliferação das células tumorais. Essa ativação, portanto, promove a repopulação tumoral. Esse trabalho confirmou ainda, por métodos mais sensíveis, que os macrófagos existentes no microambiente do tumor, quando são tratados por fármacos bloqueadores do PAFR, são reprogramados para combaterem melhor a doença”, contou Jancar.

Ensaios pré-clínicos

Os experimentos que comprovaram o envolvimento de PAFR no fenômeno de repopulação tumoral foram feitos com linhagens de carcinoma de boca (humana) e de carcinoma de colo uterino (de camundongo) – tipos de câncer preferencialmente tratados por meio da radioterapia. As células tumorais foram colocadas em um meio de cultura e, depois que começaram a crescer, foram irradiadas – simulando um tratamento radioterápico. Logo após o procedimento, foi possível observar grande produção de moléculas semelhantes ao PAF nas culturas.

“O PAF é na verdade, um fosfolipídeo produzido principalmente em processos inflamatórios e de morte celular. Como a radioterapia causa uma morte inflamatória das células tumorais, os níveis de PAF aumentam muito com esse tratamento”, explicou Silva-Junior.

Confira a matéria completa no site da Agência Fapesp de notícias.


FECHAR