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22/07/17
As irmãs gêmeas univitelinas Maíra e Laura Kerstenetzky decidiram seguir o mesmo caminho profissional (Foto: Sérgio Bernardo / JC Imagem)
As irmãs gêmeas univitelinas Maíra e Laura Kerstenetzky decidiram seguir o mesmo caminho profissional (Foto: Sérgio Bernardo / JC Imagem)

O forte laço que une os irmãos gêmeos

22 / jul
Publicado por Malu Silveira em Blog - 22/07/2017 às 17:00

Dizem que a conexão entre irmãos gêmeos, sejam eles fraternos ou idênticos, é tão especial que nem os próprios conseguem explicar. Desde os primeiros momentos de vida, quando compartilham o útero da mãe, eles são rodeados por curiosidades diversas ainda não esclarecidas totalmente pela ciência. Algumas pesquisas pontuais analisam, por exemplo, a taxa de concordância na incidência de transtornos mentais. O que preocupa alguns especialistas, no entanto, é a falta de estudos na área da psicologia para nortear profissionais e os próprios familiares gemelares a contribuir com o desenvolvimento dos gêmeos, estimulando a individualidade de cada um.

Quando as gêmeas univitelinas Laura e Maíra Kerstenetzky, 29 anos, nasceram não foi uma surpresa na família. Existem inúmeros casos de múltiplos entre as gerações de parentes. O fato, acreditam as irmãs, contribuiu para que as singularidades fossem respeitadas. “Nossa mãe sempre tentou criar espaços para que nós nos percebêssemos diferentes, o que foi muito importante”, relembra Laura. Mesmo assim, as duas não se desgrudam. “Só de olhar uma para outra, já sabemos se tem algo errado. Eu não sei explicar essa ligação, só sei que é muito forte”, conta Maíra.

Foi tentando preencher a lacuna existente na literatura psicológica que duas pesquisadoras pernambucanas lançaram o livro Gêmeos, o que dizem os pais, irmãos e eles próprios? (Curitiba, 2013). “Na psicologia existe pouca escrita sobre o assunto. Nossa intenção era fazer um trabalho mais didático, com o objetivo de ajudar os gêmeos, seus pais e o resto da família no desenvolvimento dos múltiplos”, explica a psicóloga Cristina Maria, especialista de terapia de família e uma das autoras do livro.

Imagem das irmãs gêmeas Maria Carolinne Magalhães e Maria Cecíllia Magalhães (Foto: Sérgio Bernardo / JC Imagem)
As gêmeas bivitelinas Maria Carolinne e Maria Cecíllia Magalhães aprenderam a conviver com a distância durante a universidade (Foto: Sérgio Bernardo / JC Imagem)

Apesar de não serem idênticas, as gêmeas fraternas Maria Carolinne e Maria Cecíllia Magalhães, 27, vivenciaram situações semelhantes as de Maíra e Laura. “Nós somos as únicas gêmeas na nossa família, que é muito grande. Por isso, os olhos sempre estavam voltados para as duas. E, mesmo sem a semelhança física, todos tentavam nos diferenciar de qualquer jeito. As pessoas tinham essa questão social de nos distinguir de alguma forma”, conta Cecíllia. Entre os de casa, o cenário era diferente. “Na nossa família sempre foi muito tranquilo. Nunca houve distinção pelo fato de sermos gêmeas. Nossos pais e irmão sempre foram acostumados a entender que nós éramos pessoas totalmente diferentes. Nunca houve pressão para que fizéssemos as mesmas coisas. Apenas éramos incentivadas a sermos unidas”, lembra Carolinne.

Imagem da psicóloga e pesquisadora Cristina Maria (Foto: Filipe Jordão / JC Imagem)
“Na maioria das vezes, os gêmeos sentem que podem contar com o outro para tudo. Eles se protegem e enfrentam as adversidades juntos. Mas podem surgir aspectos negativos. Os pais devem ficar atentos ao desenvolvimento dos filhos e prevenir dificuldades”, reforça a psicóloga Cristina Maria

Para a pesquisadora, os hábitos da família, principalmente dos pais e irmãos, núcleo mais próximo, são primordiais no desenvolvimento da personalidade dos gêmeos. “Às vezes, a família de múltiplos não atenta a pequenos costumes que dificultam a construção da identidade dessas crianças. Essas tendências podem levar a comportamentos patológicos dos gêmeos no futuro”, alerta Cristina.

Entre os estudos que analisam os gêmeos, um deles, publicado na revista científica Plos One, apontou que os múltiplos, principalmente os univitelinos, vivem mais do que as outras pessoas. Tal evidência, segundo pesquisadores da Universidade de Washington (EUA), tem a ver mais com questões sociais do que genéticas. A proximidade entre os irmãos é um fator extra para a longevidade.

“Nosso vínculo é muito grande. É ter a melhor amiga a toda hora. E uma necessidade de compartilhar a vida e cuidar uma da outra”, atesta a gêmea bivitelina Carolinne.

 


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