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Jovens que se veem gordos, muitas vezes, mudam os seus hábitos alimentares, pulando refeições ou fazendo dietas, por exemplo, para perder peso (Foto ilustrativa: Pixabay)
Jovens que se veem gordos, muitas vezes, mudam os seus hábitos alimentares, pulando refeições ou fazendo dietas, por exemplo, para perder peso (Foto ilustrativa: Pixabay)

Pesquisa revela que pensar que é gordo aumenta propensão a ganhar peso

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Publicado por Malu Silveira em Alimentação - 05/04/2017 às 16:53

Esta notícia é para quem vive dizendo que está gordo, por mais que os outros neguem. Uma pesquisa recente, que acompanhou jovens durante onze anos, mostrou que adolescentes com peso normal, mas que se viam gordos, são mais propensos a ganhar peso, especialmente as meninas. O levantamento, que analisou a relação entre pesos reais e pesos percebidos em adolescentes, observa que uma das explicações pode ser a adoção de atitudes não saudáveis na tentativa de perder peso.

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Os jovens que se veem gordos, muitas vezes, mudam os seus hábitos alimentares, pulando refeições ou fazendo dietas, por exemplo, para perder peso. Essa variação de atitude pode gerar um ganho de peso ao longo do tempo. “Ver-se gorda, mesmo não sendo, pode realmente fazer com que os jovens com peso normal se tornem obesos quando adultos”, reforça Koenraad Cuypers, pesquisador da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.

O assunto é tratado no livro ‘O Peso das Dietas’, da nutricionista franco-brasileira Sophie Deram. Baseada em estudos científicos pesquisados pela especialista ao longo dos anos, a obra defende que as dietas são, a longo prazo, a mais importante fonte de ganho de peso das pessoas. Segundo a autora, doutora em Endocrinologia pela Universidade São Paulo (USP), não fazê-las é o caminho para viver com qualidade e com o peso saudável.

Sophie foi a fundo em todas as pesquisas feitas sobre o tema nos últimos anos e chegou a uma conclusão: os famosos regimes podem até funcionar no começo, mas cerca de 90% ou 95% das pessoas voltam ao peso inicial, ou até o ultrapassam. Segundo a especialista, o cérebro não entende esta mudança repentina na alimentação como algo benéfico, pelo contrário. “O seu cérebro não percebe a perda de peso como um sucesso de beleza; percebe-a como um grande perigo, por isso, desenvolve mecanismos de adaptação para proteger você”, explica Deram.

A obra é estruturada em cinco capítulos: Vivemos hoje um terrorismo nutricional, Não sabemos mais o que comer, O poder do cérebro, Os segredos de Sophie e os Segredos de Sophie na Prática. “Estamos cada vez mais em guerra com o nosso corpo. Em vez de cuidar dele da melhor maneira possível, tentamos obrigá-lo a seguir numa direção que ele muitas vezes não quer ir, porque sabe que não é a direção mais saudável. Quero mostrar o quanto é importante escutar seu corpo e não obrigá-lo a seguir numa direção que ele não quer”, defende a nutricionista.

Francesa e naturalizada brasileira há 10 anos, Sophie Deram foi convidada a palestrar no evento TEDx Jardins Women. O objetivo principal ao escrever o livro é fazer com que a sociedade reflita sobre os riscos à saúde que podem ser provocados por regimes alimentares restritivos, além de fazer com que as crianças de hoje em dia já cresçam com um pensamento saudável. Espero também alertar os pais de crianças que hoje crescem encarando com dificuldade uma alimentação normal e variada, que se sentem culpadas ao cometer alguns excessos em dias de festas, ou de ir a um fast food de vez em quando, ou de comer uma fatia de pizza ou de bolo”, ressalta.

A autora

Sophie Deram é nutricionista francesa e brasileira naturalizada, com doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) no departamento da Endocrinologia. Formou-se originalmente engenheira agrônoma na França e então estudou nutrição, primeiro na França e depois no Brasil. Concentrou suas pesquisas em obesidade infantil, nutrigenômica, transtornos alimentares e neurociência do comportamento alimentar.

É também pesquisadora no Ambulatório do Programa de Transtornos Alimentares (Ambulim) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). É coordenadora do projeto de genética e do banco de DNA dos pacientes com transtorno alimentar no Ambulim.

Como especialista em comportamento alimentar, estilo de vida saudável e perda de peso, Sophie é ativista contra as dietas restritivas e inspira incontáveis indivíduos, no consultório e nas mídias sociais, a viver uma vida mais feliz e a transformar sua relação com os alimentos, mudando seu mundo familiar, e fazendo as pazes com seu corpo e os alimentos.


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