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O H1N1 tem uma maior tendência a causar complicações respiratórias do que os outros vírus, especialmente em grupos de risco, como idosos e crianças muito pequenas (Foto: Diego Nigro/JC Imagem)
O H1N1 tem uma maior tendência a causar complicações respiratórias do que os outros vírus, especialmente em grupos de risco, como idosos e crianças muito pequenas (Foto: Diego Nigro/JC Imagem)

Confira 7 mitos e verdades sobre a gripe H1N1

24 / jun
Publicado por Malu Silveira em Blog - 24/06/2016 às 8:00

Imagem de homem com máscara e mão espalmada (Foto: Diego Nigro / JC Imagem)
Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), já são mais de 150 mortes no Brasil causadas pelo agravamento do H1N1 (Foto: Diego Nigro / JC Imagem)

Este ano, a gripe influenza A (H1N1) se manifestou mais cedo no País, o que fez muitas pessoas lotarem postos de saúde e clínicas de vacinação em busca da imunização contra a doença. Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), já são mais de 150 mortes no Brasil causadas pelo agravamento do H1N1. Para responder as principais perguntas sobre o assunto e desmistificar alguns mitos, o médico de família e comunidade Ronaldo Zonta, membro da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), listou as questões mais comuns sobre H1N1.

Confira:

1. O vírus da gripe comum é o mesmo da H1N1.

MITO. O vírus da gripe, influenza, não se manifesta apenas no nariz e garganta e sim em toda a árvore respiratória – na traqueia, brônquios e eventualmente nos pulmões. Portanto, trata-se de uma doença de maior extensão e intensidade, sobretudo para as pessoas debilitadas. Quem morre de gripe são pessoas que apresentam algum tipo de debilidade, como pessoas que: são malnutridas, vivem em condições de vida precárias e pobres, são alcoolistas pesadas, têm doenças como HIV ou diabetes, mas não fazem o tratamento correto, tem câncer, estão fazendo quimioterapia, são muito idosas e frágeis, tem algum problema de nascimento no pulmão ou outra doença genética, crianças menores de três meses ou recém-nascidas, pessoas que vivem em asilos ou instituições de saúde.
2.Os sintomas da gripe e do resfriado são diferentes.

VERDADE. O resfriado comum geralmente apresenta-se com coriza (secreção nasal), nariz entupido e espirros, além da febre baixa (em torno de 37-38ºC), dor ou irritação de garganta que arranha ou arde um pouco, tosse, dores de cabeça e ouvido, rouquidão, perda de apetite, irritação nos olhos, mal-estar ou outros sintomas que duram em média de três a sete dias. Já a gripe inicia-se com febre alta (ultrapassa 38,5º), calafrios, seguida de dor muscular/articular, dores de garganta e cabeça, fadiga/indisposição, nariz entupido, espirros e tosse. A gripe deixa a pessoa de cama com dores no corpo, popularmente descritas como quebradeira, sensação de mal-estar muito intensa, cabeça leve. Os sintomas da gripe são mais intensos enquanto que os sintomas do resfriado são mais leves e tem uma menor duração.

3. A melhor prevenção para a gripe e outras doenças é manter-se saudável.

VERDADE. Ter hábitos saudáveis, como uma alimentação que inclua diariamente frutas e verduras e evitar os excessos alimentares como consumo de açúcar. Manter-se hidratado, ao consumir água ou sucos naturais. Buscar cultivar sono de qualidade e boas relações familiares e com amigos também contribuem para uma melhor saúde global. Consumir moderadamente álcool. Evitar, parar ou diminuir o cigarro e outras drogas, incluindo excesso de consumo de remédios como analgésicos, xaropes, vitaminas sem qualquer necessidade. Se tiver alguma doença como diabetes, mantê-la bem controlada.

4.Evitar ambientes fechados com muitas pessoas evita a contaminação da H1N1.

VERDADE. Começou a tossir e a garganta está arranhando: não vá ao pronto-socorro. Nesses casos, recorrer ao pronto-socorro pode expor a pessoa ao vírus da gripe ao ficar por horas numa sala de espera cheia de pessoas doentes. O que era um resfriado pode se tornar uma gripe. Se estiver realmente gripado, ou seja, não for um resfriado e sim uma gripe, recomenda-se que a pessoa infectada evite contato próximo com outras pessoas e fique longe do trabalho ou escola até se sentir melhor, o que deve ocorrer em cerca de três a cinco dias. O período mais contagioso, iniciado quando os sintomas aparecem, pode durar até sete dias – crianças e pessoas com baixa imunidade podem precisar de uma folga ainda maior, já que nelas o vírus permanece ativo por mais tempo. Ou seja: não dá para mascarar os sintomas com antitérmico e mandar os filhos para a escola.
5.Ações como lavar e higienizar as mãos são atos preventivos. VERDADE.

Lave bem as mãos ou higienize-as com álcool gel ao compartilhar utensílios e equipamentos públicos (comércio, bares e restaurantes, aeroporto, terminais, igrejas e todos os lugares com grande circulação de pessoas). Proteja a boca ao tossir – use o antebraço ou lenços de papel descartáveis ao tossir e espirrar; se usar as mãos para tapar a tosse, espirro e limpar o nariz, lave-as para não espalhar o vírus. Não se recomenda o uso de máscaras. Máscaras feitas de feltro e tecido têm vida útil de quinze minutos. Depois disso, elas já não têm mais eficácia. Ficam úmidas com a respiração e os poros do material vão abrindo. É como se não estivesse usando uma.

6.Não existem remédios para tratar a gripe e/ou resfriados.

VERDADE. A medicação é somente para aliviar os sintomas. Não se automedique sem orientação médica para tratar gripe. Alguns remédios apenas diminuem de sete para 6,3 dias em média os sintomas da gripe e somente se iniciados em até 48 horas do início dos sintomas. Gripes, resfriados e dores de garganta são doenças autolimitadas, na maioria dos casos basta o tratamento de suporte (com analgésicos, antitérmicos), repouso e hidratação. Antibióticos não funcionam para tratar a gripe e são prescritos somente nos casos de eventuais complicações como infecções bacterianas.
7. Medidas simples podem aliviar os sintomas do H1N1 e demais vírus.

VERDADE. Hidrate-se com água e sucos naturais ricos em vitamina C (laranja, goiaba, acerola). Não há necessidade e não há evidência que funcione tomar vitamina C em comprimidos. Para tratar a dor e febre, dê preferência ao paracetamol ou dipirona. Evite anti-inflamatórios pois apesar de aliviarem a dor quando mais intensa podem causar efeitos colaterais. Reserve esses remédios se os sintomas de dor forem muito intensos.

8. Utilizar descongestionante nasal e xaropes auxiliam no tratamento.

MITO. Para o nariz entupido e coriza, use soro fisiológico nas narinas várias vezes ao dia ou solução caseira para o nariz com meia colher de chá de sal em um copo de água morna. Não use descongestionantes nasais contendo fenoxazolina, nafazolina ou oximetazolina, pois podem causar complicações. Evite remédios, xaropes ou similares para gripe que contenham substâncias como pseudoefedrina, efedrina ou cafeína, pois podem causar complicações graves principalmente em pessoas com pressão alta.

9. A vacina contra a H1N1 é necessária.

MITO. A vacina contra o H1N1 é relativamente nova e tem poucos estudos. Ainda há poucas evidências de que a vacinação contra a gripe realmente proteja o indivíduo de complicações da gripe, ou reduza mortes por gripe. Portanto, se é você é uma pessoa saudável, sem outras doenças ou problemas de saúde crônicos Não há evidências de que precise vacinação. Há melhor evidência embora não definitiva para grupos como populações vulneráveis e com doenças crônicas especialmente respiratórias como asma. A decisão de tomar ou dar a vacina para adultos saudáveis é pessoal e não médica ou científica. Qualquer dúvida consulte seu médico de família.

Quem é o médico de família e comunidade (MFC)?

A medicina de família e comunidade é uma especialidade médica, assim como a cardiologia, neurologia e ginecologia. O MFC é o especialista em cuidar das pessoas, da família e da comunidade no contexto da atenção primária à saúde. Ele acompanha as pessoas ao longo da vida, independentemente do gênero, idade ou possível doença, integrando ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde. Esse profissional atua próximo aos pacientes antes mesmo do surgimento de uma doença, realizando diagnósticos precoces e os poupando de intervenções excessivas ou desnecessárias.

É um clínico e comunicador habilidoso, pois utiliza abordagem centrada na pessoa e é capaz de resolver pelo menos 90% dos problemas de saúde, manejar sintomas inespecíficos e realizar ações preventivas. É um coordenador do cuidado, trabalha em equipe e em rede, advoga em prol da saúde dos seus pacientes e da comunidade. Atualmente há no Brasil mais de 3.200 médicos com título de especialista em medicina de família e comunidade.


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