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06/05/15
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Mães médicas: a difícil tarefa de conciliar trabalho e maternidade

06 / maio
Publicado por Malu Silveira em Blog - 06/05/2015 às 9:00

EspecialMaes-Barrinha

Dermatologista Luciana Lócio com os filhos e marido (Fotos: arquivo pessoal)
Dermatologista Luciana Lócio concilia a agenda médica para estar sempre presente nos momentos mais importantes dos filhos (Foto: Arquivo pessoal)

Só quem é mãe sabe o que é aquele aperto no coração por ter que deixar o filho em casa para trabalhar. Se já é complicado para aquelas que têm uma rotina definida, imagine o sufoco para as mães que não sabem o que é rotina? Plantões incontáveis, consultas de emergência, cirurgias de última hora e congressos ao redor do mundo. Perder datas importantes, faltar a reuniões do colégio, ter que deixar o pequeno doente aos cuidados de outras pessoas por estar presa no trabalho. Esse é um cotidiano comum para as mães médicas, profissionais dedicadas que precisam encontrar uma fórmula mágica para conciliar profissão e maternidade.

Mas se engana quem pensa que elas não conseguem dar conta. Em homenagem ao Dia das Mães, o Casa Saudável conversou com médicas que encontraram um jeito de exercer a profissão sem abrir mão dos momentos essenciais com os filhotes.

Confira os depoimentos inspiradores delas:

Luciana Lócio, dermatologista

Imagem da dermatologista Luciana Lócio com os filhos (Foto: arquivo pessoal)
A dermatologista Luciana Lócio em viagem com os filhos (Foto: arquivo pessoal)

A dermatologista Luciana Lócio é mãe dos adolescentes Rafael, 16 anos, e Maria Beatriz, 11. O segredo, acredita Luciana, é saber conciliar. “Eu procuro conciliar sempre na minha agenda com a rotina deles. Em reuniões do colégio, festa ou outra atividade fico atenta para não perder. É óbvio que já teve coisa que eu perdi. Para as mais importantes eu sempre vou. Assim, consigo conciliar essa minha vida de dermatologista com a minha vida de mãe”, conta.

O essencial, para a dermatologista, é aproveitar os momentos juntos. “Às sextas-feiras à tarde, por exemplo, eu não trabalho já para me dedicar a eles. À noite, eu chego em casa e tentamos fazer as coisas juntos”, explica.

Algumas fases difíceis chegaram a colocar em prova os dois ofícios. “Quando ela (Maria Beatriz) era menor, ficou doente e eu tive que passar um mês sem atender. Aí você pensa que tinha que se dedicar mais, mas também percebe que a criança tem que ter o espaço dela. Eu sou apaixonada pelo que faço, faz parte de mim ser médica. Seria muito infeliz se não pudesse ser médica e mãe”, diz.

Milena França, psiquiatra

Imagem da psiquiatra Milena França com o marido e o filho Bernardo (Foto: arquivo pessoal)
Com a chegada de Bernardo, a psiquiatra Milena França mudou rotina de trabalho e conta com ajuda do marido (Foto: arquivo pessoal)

Bernardo chegou na vida da psiquiatra Milena França há apenas dois anos. Por isso, a rotina da médica passou por uma transformação para que a nova mamãe pudesse dar conta de tudo. “Tive que reduzir os plantões, trabalhar mais dias para poder chegar mais cedo em casa e tenho que negociar horários. Sempre tem esses atropelos para a gente poder continuar a rotina de trabalho”, conta.

“Preciso dar conta não só do trabalho, mas dele também, apesar de o pai e de babá serem muito dedicados. A hora de sair de casa é certa, mas a gente nunca tem hora para voltar”, conta.

Mesmo com os contratempos, a mãe avalia: é possível conciliar. “Às vezes, a gente tem que deixar o filho em casa quando ele está doente e ir trabalhar. Ou acontece alguma coisa na escola e a gente não pode abandonar o  trabalho. Mas dá muito bem para conciliar. Temos que nos dedicar ao máximo quando estamos com ele”, defende.

Lúcia Salerno, cardiologista

A cardiologista Lúcia Salerno, o marido e filhos em viagem à Alemanha (Foto: arquivo pessoal)

Para a cardiologista Lucia Salerno, o importante é priorizar os filhos (Juliana, 20, Carolina, 19, e Pedro, 17) na rotina do casal, já que o marido, Pedro Salerno, também é médico. “Os filhos sempre vieram em primeiro lugar. Se por acaso tinha uma reunião no colégio, a gente sempre desmarcava as consultas e ia para a reunião. Minha rotina sempre os inclui nas férias e atividades profissionais. Se tinha um congresso na África, sempre levávamos eles. Ficava uma semana no congresso e na outra aproveitávamos as crianças”, lembra.

Mesmo com as crianças já crescidas e começando a seguir seus próprios caminhos, ainda há espaço para um momento em família diante de rotinas tão apertadas. “Tiramos as sextas-feiras para fazer um happy hour. Brincamos e colocamos sempre a conversa em dia”, comemora. A profissão escolhida e a ausência muitas vezes imposta aos filhos foram tão compreendidas que os três já estudam para seguir a mesma carreira dos pais.

Kátia Petribu, psiquiatra

Imagem da psiquiatra Kátia Petribu e do filho João Hélio (Foto: arquivo pessoal)
Para a psiquiatra Kátia Petribu, a qualidade do tempo que passa com o filho, João Hélio, é o mais importante (Foto: arquivo pessoal)

Quando a psiquiatra Kátia Petribu deu à luz João Hélio, hoje com 12 anos, a vida  profissional já estava bastante estável, o que facilitou a tarefa da maternidade. “Foi  em um momento muito certo da minha vida, pois eu já estava com a vida profissional  muito estável. Talvez por ele ter nascido nessa época, me deu um certo conforto”,  lembra.

Mesmo com a maternidade tardia, a profissão ainda toma muito tempo da vida da  médica. “É muito complicado porque a gente tem muitas atribuições. Um médico não termina suas atribuições à noite ou no fim de semana. A questão mesmo é a qualidade do tempo que a gente pode dar. E eu acredito que isso eu dou”, conta.

Por isso, a médica tenta estar presente nos momentos mais importantes. “Eu  sempre estive muito presente em todas as festas, reuniões da escola,  apresentações do colégio. Inclusive acompanhando muito de perto o estudo e as amizades de forma equilibrada. Eu sempre levo  para o colégio porque é um momento de a gente conversar. Tento três vezes por  semana almoçar com ele. É uma questão de efetivamente participar”, defende.

E para não perder as atividades profissionais, Kátia também dava um jeito. “Levava ele com minha mãe para congressos e atividades. Era uma forma de ir e de ele não ficar muito tempo longe de mim. É ver a importância dessa parceria: de saber que você está com ele o tempo todo”, finaliza a psiquiatra.


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